“Cependant c’est la veille. Recevons tous les influx de vigueur et de tendresse réelle. Et à l’aurore, armés d’une ardente patience, nous entrerons aux splendides villes.“
Tradução? É só clicar no linque aqui embaixo.
“Cependant c’est la veille. Recevons tous les influx de vigueur et de tendresse réelle. Et à l’aurore, armés d’une ardente patience, nous entrerons aux splendides villes.“
Tradução? É só clicar no linque aqui embaixo.
“O Brasil é uma república federativa cheia de encartes de cedê da Legião Urbana e gente dizendo adeus. Depois todos morrem. Menos o Jamanta.”
Volto só depois do Natal, moçada (mas ainda antes de 2006, espero). Como de hábito, deixo um presentinho musical: quem clicar aqui poderá ouvir o inusitado dueto Bing Crosby & David Bowie, “Little Drummer Boy/Peace on Earth”. Foi gravado pouco antes da morte do primeiro, em 1977, para um especial natalino. Eu acho que ficou bem bom; espero que vocês concordem. Um ótimo jingobéu para todos os goiabaleitores.
“Ah, os nossos libertários! Bem os conheço. (…) Berram contra todos os regimes de força, mas cada qual tem no bolso a sua ditadura.”
(Nelson Rodrigues em “Os Abnegados”, texto de 22 de junho de 1968 recolhido na coletânea “A Cabra Vadia”. Nesta quinta, faz 25 anos e dois dias que o tarado-de-pijama morreu. Queria ser como a Nariz Gelado nisso de celebrar datas exatas, mas não consigo -a goiabice não permite.)
O povo boliviano é feliz, sabe onde tem o nariz. Não conheço a biografia do Evo, mas vou achar legal se, como diz meu amigo César Miranda, a primeira-dama se chamar Adona: a Bolívia será um Éden com folhas de coca no lugar daquelas de parreira, tão caretas. Na verdade, quem olha para os personagens da polititica latino-americana tem a impressão de que são quase todos extraviados de algum livro ruim do García Márquez. Suponho que, hoje, o tal “realismo mágico” esteja em baixa na ficção e se manifeste nos cargos eletivos, princípio igualmente válido para a Botocúndia: alguém já disse que, se você reprime a chanchada, ela retorna em forma de política. O referido é verdade e dou fé. (Where have you gone, Zé Trindade? A nation turns its lonely eyes to you, woo-woo-woo.)
“Ronaldinho é bi. E daí?”
(Duas doses de Ora, Veja e algumas gotas de Trolha, shaken and stirred.)
Economês é coisa de gentes pervertidas: Conceição Tavares, Delfim, Mailson e sua careca hiperinflacionária não passam de expressões diversas da mesma parafilia hardcore. Embora concorde com o que o Dante diz sobre “Taras Bulba”, acho “swap cambial reverso” muito mais kinky; imaginem os dotes acrobáticos que isso requer dos praticantes. Diálogo possível de um casal-de-classe-mérdia: “Benhê, a gente precisava apimentar um pouquinho o nosso séquiço, fazer amor mais gostosinho.” “Quer fazer uma coisinha diferente, morzinho?” “Quero.” “Então traz o livro pra cá. [Olha o índice, folheia, pára na página 548 ou algo assim.] Achei. Vamos experimentar esse swap cambial reverso?” “Ah, seu safadinho.” Depois, câimbras, deslocamentos de omoplata, torções de tornozelo. No pain, no gain: saber tocar a flauta e fazer o dólar subir é privilégio de poucos. (Mas dizem que securitizar os recebíveis é uma loucuuura.)
Bonus track: uma musiquinha para vocês. Parceria Goiaba/Mautner.
Lá em Brasília, todo mundo sabeÉ mandinga de DelfimSaber tocar a flaaautaE fazer o dólar subim

(Ruy Goiaba, na verdade, torce pela Portuguesa. Mas, se há um dia para deixar o personagem e seu time de lado, é hoje. Tri mundial, quem diria.)
Oscarito e Grande Otelo, patronos do pensamento filosófico do Bananão, ensinam: este mundo é um pandeiro, e quem fornece o couro somos nós.
(Aaaah, Rooomeeeu!)
Os entendidos explicam da maneira mais inequívoca possível: arte é uma bicha pelada balançando seu saco peludo. Abro o caderno de cultura -idéia que entendo no sentido mais urinário possível, como em “cultura de bactérias”- e vejo que a reportagem sobre um curador é ilustrada por uma, ahn, instalação. A coisa consiste num vídeo de um sujeito pelado, de mãos dadas com outros, ou outras, que estão fora do quadro. Dois anos atrás, num instante de distração fatal do superego (que hoje, quando se lembra do episódio, canta Novos Baianos -”besta é tu, besta é tu”- no meu ouvido interno), fui ver aquela exposição de peças da Tate Gallery em São Paulo, “A Bigger Splash”. Espio dentro de uma sala, mesma coisa: instalação-com-vídeo-de-viado-sem-roupa, desta vez dançando, salvo engano, ao som do “Adagio for Strings” de Samuel Barber (está certo que o barbeiro era devoto de Afrodite Urânia, mas não merecia uma sacanagem dessas). Um textículo explicava aos incautos que o vídeo fora gravado ao som de dance music, depois substituída pela peça crássica. Uau. Concluo que certos autistas plastas (expressão de uma amiga, aliás artista plástica) são vítimas de um tipo peculiar de dislexia, que apaga a diferença entre genial e genital. Arte, tô fora -pelo menos enquanto Courbet não ressuscitar.