Arquivo de junho de 2006

sexta-feira, 30 de junho de 2006

Espanando as teias de aranha

Olá. Meio deserto isto aqui, não? Penso seriamente em processar as minhas idéias por abandono de emprego. Nem sei se elas vão voltar, mas, enquanto isso, fiquem com algumas boas idéias alheias. Primeiro, um diálogo entre mim e um amigo que leciona numa faculdade aí: “O curso X relaciona a Idade Média à década de 60″. “Mas existe relação?” “Claro. A Marilena Shall-We, por exemplo.” “Entendi. O ‘Malleus Malleficarum’ era sobre ela.” (Melhor se houver, ao fundo, a trilha sonora de “O Elo Perdido”.)

Depois, um dos muitos esquetes do Monty Python que há no YouTube (procurem mais; vale a pena), o do “Ministry of Silly Walks”. Em duas versões: a do “Flying Circus”, no início dos anos 70, e ao vivo no Hollywood Bowl, em 1980. Em verdade vos digo: se a reforma política do Efelentífimo incluir um ministério desses no segundo período de seu Reich de mil anos, darei o maiorrrapoio. Sim, adesismo is my middle name.

quarta-feira, 21 de junho de 2006

Translação

into the strenuous briefnessLife:handorgans and Aprildarkness, friends

I charge laughing.Into the hair-thin tintsof yellow dawn,into the women-coloured twilight

I smilinglyglide. Iinto the big vermilion departureswim, sayingly;

(Do you think?) theI do, worldis probably madeof roses & hello:

(of solongs and, ashes)

(e.e. cummings, “into the strenuous briefness”, de “Tulips and Chimneys”, livro de 1923. Postado aqui em janeiro de 2002, repostado hoje.)

sábado, 17 de junho de 2006

Tira antiga do Angeli, revisitada

(Faça um minuto de silêncio antes de ler o post, já que o Grande Cabeção resolveu convocar o Ronaldo do humor do Bananão. Pô, fala sério, aí.)

De madrugada, o craque sobe, pesado e respirando com dificuldade, ao alto do prédio em que a seleção está concentrada, levando um megafone na mão. Diz para si mesmo: “Puxa, como eu precisava de um torcedor brasileiro que me amasse”. Leva o megafone à boca e começa a berrar: “CARINHO! CARINHO! EU PRECISO DE CARINHO!”. Zagallo, de touca e pijama de flanela, abre a janela do quarto logo abaixo e pergunta: “Ronaldo, se eu te der um beijo na boca você jura que me deixa dormir?”.

sexta-feira, 16 de junho de 2006

De nomes e destinos

Alberto Rollo e Celso Fachada são advogados. Não é perfeito?

(Aqui em São Paulo, no Pacaembu, há também o arquiteto Arthur Casas -cujo escritório fica, aliás, próximo ao do Fachada. Se você tiver outros exemplos de nomes que contêm destinos, compartilhe nos comentários.)

terça-feira, 13 de junho de 2006

Impressões do primeiro jogo

O Efelentífimo está em pré-coma alcoólico.

(Ou o “quadrado mágico” do Bananão inclui o Bussunda.)

segunda-feira, 12 de junho de 2006

Mocetões pudibundos

Coisa bonita de ver, sobretudo em tempo de Copa, é como os narradores se preocupam em não ferir os ouvidos e a suscetibilidade da família brasileira. Para isso, lançam mão da “técnica Tommaso Buscetta”, adotada pelos telejornais na época em que o mafioso estava em evidência, que consistia em não pronunciar seu nome corretamente (buxeta) de jeito nenhum -virou busqueta e pronto. Assim é que, na abertura do Mundial da Alemanha, nossos amigos fizeram o que puderam para não dizer o nome do goleiro da Costa Rica, Porras, que se transformou em pôras na Globo e no carioquês pórrash no SporTV, salvo engano auditivo meu. Mas a melhor saída foi a do sempre genial Galvão Bueno, que pronunciava o nome do jogador holandês Cocu à francesa -saía coqui, com biquinho, o que tornava a coisa toda ainda mais obscena. Agradeço pela delicadeza, mas não entendo como esse mesmo pessoal, às vezes, coloca microfones ao lado do gramado, os quais captam aqueles diálogos capazes de fazer um Gregório de Mattos enrubescer. E entendo menos ainda quando me lembro de que o noticiário político neste país é uma pornografia só.

(Moral da história: Galvão, libera o Cocu, Porras.)

sexta-feira, 9 de junho de 2006

De placa

“Todo mundo diz que ele bebe pra caramba. Tanto é mentira que eu sou gordo como deve [grifo meu] ser mentira que ele bebe pra caramba.”

“Eu também tenho coisas para perguntar a ele, mas avisaram a gente que era terminantemente proibido perguntar coisas para o presidente.”

Gordinho e de salto 15, o cara já fez um golaço antes da Copa. Classe.

quinta-feira, 8 de junho de 2006

O Ministério do “Vai Dar Merda” adverte

Palavra de honra: acompanho futebol há quase 30 anos e jamais vi índices de pirobagem maiores que os desse bando de riquinhos frescos que atende pelo nome de seleção brasileira. Um reclama de bolhinha no pé, outro leva lambada de elástico na bunda e mostra o dodói pros amiguinhos verem. E, não bastasse o salto 15 que todos eles estão usando ultimamente, seis -eu disse seis, incluindo os dois supracitados- andam depilando as pernocas.

Porra, qualé? Como dizia o filósofo rocker baiano Marcelo Nova, nada contra viados, mas essa viadagem da pátria de escarpins, ex-pátria de chuteiras, não é bom sinal. Há um vago cheiro de 1982 ou, pior, de 1966 no ar. Torço muitíssimo para estar errado: que a trilha sonora do Bananão nesta Copa não seja Júnior Capacete cantando “voa, caralhinho, voa”.

terça-feira, 6 de junho de 2006

Um goiaba na “Playboy”

Sim, amigos da Rede Globo -mas não fisicamente ao lado das mulé pelada, que senão a patroa me espanca com o rolo de macarrão. A edição deste mês da “Playboy” traz um texto meu (“Para ler a Turma da Mônica”, com ligeiras adaptações em relação à versão que publiquei aqui) na nova seção “Playboy Debate”, que é o “Playboy Forum” made in Bananão. Sei que você, leitor goiabal e pleibólico, comprará a revista para ver Angelita Feijó in the buff -compreensivelmente-, mas, no intervalo dessa atividade contemplativa, dê uma olhadinha na página 54. Danke. (Reclamações? Por gentileza, dirijam-se ao guichê do Aran -a quem também agradeço.)

sexta-feira, 2 de junho de 2006

Virunduns propositais

Outro dia, eu e um amigo nos dedicamos ao nobre esporte de estragar letras de música. Modestamente vos digo: alguns estragos até que ficaram bacaninhas. Vejam, por exemplo, este pequeno trecho de “Vai Passar”:

Palmas pra ala dos barões famintosO bloco dos Napoleões retintosE os pigmeus do Burle Marx

Os ouvintes se perguntam: “Mas o que são os pigmeus do Burle Marx? Anões de jardim? Anões do Orçamento, que desviaram verba para um jardim superfaturado? É uma alusão à corrupção da política? Tem alguma coisa a ver com o Karl, o Groucho, a Patrícia, o Armando Marx? Que porra é essa?”. Como vocês vêem, é um verso muito mais rico em possíveis interpretações do que aquela história de “pigmeus do bulevar” -e ainda mais surrealista. (Compositor Fanho, se você quiser mudar sua letra, speak to my manager, que negociaremos uma participação nos royalties.)

Compositores mortos, que já não podem se defender, são vítimas ainda melhores. Vejam o que fizemos com “O Mundo É um Moinho”, do Cartola:

De cada morto herdarás só um sininho

Não é uma situação-de-miséria muito mais eloqüente do que aquilo de herdar o cinismo de cada amor? Só a rima é que ficou difícil. Pensei em “quando notares estás à beira de um vasinho, vasinho que cavaste com teus pés“. (Está bem, parei. Admito, é assassinato demais até para mim.)