Em uma única lição: três fotos, poucas palavras.
Arquivo de agosto de 2006
Curso de literatura comparada
O pensamento vivo do Efelentífimo
“Marina, essa coisa de meio ambiente é igual a um exame de próstata: não dá pra ficar virgem toda a vida. Uma hora eles vão ter que enfiar o dedo no cu da gente. (…) Se é pra enfiar, é melhor que enfiem logo.”
O Guia Genial em conversa com a ministra do Meio Ambiente, relatada no livro “Viagens com o Presidente”, dos repórteres Eduardo Scolese e Leonencio Nossa. Bonita metáfora das relações entre o governo, que entra com o dedo, e o povo, que cede -às vezes de ótimo grado- o esfíncter.
Mas o mais impressionante, para mim, foi descobrir que a Marina Silva tem próstata. Como diria o Efê, dirigindo-se ao repórter: “Noooffa!”.
Tragam de volta as hipopótamas
Fui ver a encenação de “La Gioconda” no Municipal de São Paulo. Ópera longa -pouco mais de quatro horas, contando os intervalos-, boa encenação, excelente desempenho da orquestra e do elenco (Eliane Coelho, sozinha, já valeu o ingresso). Só não entendi muito isso de, numa história ambientada na Veneza do século 17, usar no balé da “Dança das Horas” a coreografia e os figurinos da abertura do “Fantástico” circa 1975. Por instantes, temi que aparecessem no palco Sandra Passarinho, Hélio Costa, Cid Moreira fantasiado de papa, sei lá. Felizmente, passou logo.
As palavras e as coisas
Penso que um negócio chamado Índice de Preços ao Consumidor Amplo deveria medir a inflação apenas nos produtos consumidos por pessoas muito gordas -Delfim Netto, Jô Soares, Faustão, Ronaldo e outros integrantes desse seleto e adiposo grupo (chegarei lá, estou no bom caminho). Vale o mesmo -concordo com ela- para o Instituto de Medicina Tropical, que, para ser digno do nome, deveria ter médicos trabalhando de bermuda, sandália e camisa florida, enfermeiras de sarongue, drinques coloridos e melancias artisticamente fatiadas. Os pacientes seriam recebidos com colares de flores e anestesiados com uma porrada de coco verde na moleira. Não consigo imaginar melhor iniciativa para “humanizar o atendimento médico” do que transformá-lo em uma espécie de baile da Ilha Porchat. Mas, evidentemente, o mundo real é muito mais sem graça.
Na livraria, num futuro próximo
“Evangelho segundo Ananias? Como assim?” “Ué, lançaram agora. Você não ficou sabendo?” “Não.” “Pois então. A Kojak & Nadir publicou uma série de evangelhos que -como é que eles disseram no jornal? Ah, sim- ‘lançam luz sobre personagens da Bíblia injustamente relegados a segundo plano, excluídos do cânone’ etc.” “Hum. Sei.” “Fez o maior sucesso na França.” “Imagino.” “É bem legal. Esse do Ananias só conta a história a partir do momento em que ele encontrou Saulo naquela fase Stevie Wonder, antes de virar Paulo. O do Zaqueu tem uns dez capítulos que narram como ele conseguiu subir na árvore para ver Jesus -coisa bem Proust mesmo, tempo interior e tal. Também já li o do Dimas, que tem todo um clima beckettiano entre ele e o mau ladrão. Mas legal mesmo é o Evangelho segundo Caifás. ‘Outro lado’, sabe como é.” “Sei. Mas e aquela história da inspiração divina? Acabou isso de todos narrarem a mesma coisa?” “Claro. Negócio careta esse de narrador onisciente. Tá superado faz tempo.” “Só falta lançarem o Evangelho segundo Bin Laden.” “Ah, esse está previsto pro ano que vem. Dizem que ele vai autografar o livro na Flip. Vamos lá?”
Guilherme Fontes, esse injustiçado
Que outros cineastas brasileiros conseguem aliar lucidez e consciência ecológica a ponto de receber dinheiro público para não fazer um filme nacional? O Brasil tem de ser grato a alguém assim. Preservar o ambiente, evitando a produção de bosta em celulóide, é um dos destinos mais nobres que nossos impostos podem ter. Companheiro diretor, mire-se no exemplo: use a verba pública para, sei lá, comprar um belo apartamento, torrar em cocaína, enfiar onde melhor lhe aprouver -menos na produção de filmes. E, se você já faz isso, keep up the good work. A nação agradece.
Pequeno dicionário goiabal ilustrado
Cansados daqueles dicionários cheios de letrinhas? Concordam com aquele clichezão sobre imagens-que-valem-mais-que-mil-palavras (Millôr: “tente dizer isso sem palavras”)? Então, vejam aqui dois verbetes desta grandiosa obra -dois antônimos, naturalmente. Instruam-se, divirtam-se.
O capitalismo é intrinsecamente injusto
Porque não permite às pessoas humanas, companheiros, o pleno exercício das suas aptidões. Eu, por exemplo, jamais consegui ganhar a vida como Belchior cover. Lei da oferta e da procura, bah. (Mas isso vai acabar, seus burgueses canalhas, quando Helô Helê subir a rampa do Planalto e transformar toda a programação das rádios em 24 horas de “Voz do Brasil” por dia. Quem sabe o governo precise de torturadores -e aí vocês vão ter que me agüentar cantando “Divina Comédia Humana” pelas fossas nasais.)
Saudades da Sierra Maestra
“Comandante, un regalo para usted.”"Ah, Chapolim, que boas recordações seu presente me traz. Aquelas noites em que ardíamos de fogo revolucionário e nos aquecíamos uns aos outros, na serra úmida e fria -todos endurecendo sem perder a ternura, jamais. A barba do Che roçando minha nuca. Sim, companheiro, confesso que vivi.
E, ah, COMO ERA GRAAANDE!”
Um goiaba na “Playboy”, de novo
Interrompo meu jejum blogal apenas para sugerir a quem comprar a “Playboy” deste mês, com a Flávia Alessandra na capa, que dê uma olhada (rapidinha -afinal, não quero cortar o barato de ninguém) na página 68. Há um novo texto meu lá, desta vez inédito, em que tento explicar as diferenças entre o governo do petê e uma pornochanchada. Não sei se consegui; para ser sincero, acho que não. Mas talvez vocês se divirtam.


