Arquivo de agosto de 2006

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Curso de literatura comparada

Em uma única lição: três fotos, poucas palavras.

terça-feira, 29 de agosto de 2006

O pensamento vivo do Efelentífimo

“Marina, essa coisa de meio ambiente é igual a um exame de próstata: não dá pra ficar virgem toda a vida. Uma hora eles vão ter que enfiar o dedo no cu da gente. (…) Se é pra enfiar, é melhor que enfiem logo.”

O Guia Genial em conversa com a ministra do Meio Ambiente, relatada no livro “Viagens com o Presidente”, dos repórteres Eduardo Scolese e Leonencio Nossa. Bonita metáfora das relações entre o governo, que entra com o dedo, e o povo, que cede -às vezes de ótimo grado- o esfíncter.

Mas o mais impressionante, para mim, foi descobrir que a Marina Silva tem próstata. Como diria o Efê, dirigindo-se ao repórter: “Noooffa!”.

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Tragam de volta as hipopótamas

Fui ver a encenação de “La Gioconda” no Municipal de São Paulo. Ópera longa -pouco mais de quatro horas, contando os intervalos-, boa encenação, excelente desempenho da orquestra e do elenco (Eliane Coelho, sozinha, já valeu o ingresso). Só não entendi muito isso de, numa história ambientada na Veneza do século 17, usar no balé da “Dança das Horas” a coreografia e os figurinos da abertura do “Fantástico” circa 1975. Por instantes, temi que aparecessem no palco Sandra Passarinho, Hélio Costa, Cid Moreira fantasiado de papa, sei lá. Felizmente, passou logo.

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

As palavras e as coisas

Penso que um negócio chamado Índice de Preços ao Consumidor Amplo deveria medir a inflação apenas nos produtos consumidos por pessoas muito gordas -Delfim Netto, Jô Soares, Faustão, Ronaldo e outros integrantes desse seleto e adiposo grupo (chegarei lá, estou no bom caminho). Vale o mesmo -concordo com ela- para o Instituto de Medicina Tropical, que, para ser digno do nome, deveria ter médicos trabalhando de bermuda, sandália e camisa florida, enfermeiras de sarongue, drinques coloridos e melancias artisticamente fatiadas. Os pacientes seriam recebidos com colares de flores e anestesiados com uma porrada de coco verde na moleira. Não consigo imaginar melhor iniciativa para “humanizar o atendimento médico” do que transformá-lo em uma espécie de baile da Ilha Porchat. Mas, evidentemente, o mundo real é muito mais sem graça.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Na livraria, num futuro próximo

“Evangelho segundo Ananias? Como assim?” “Ué, lançaram agora. Você não ficou sabendo?” “Não.” “Pois então. A Kojak & Nadir publicou uma série de evangelhos que -como é que eles disseram no jornal? Ah, sim- ‘lançam luz sobre personagens da Bíblia injustamente relegados a segundo plano, excluídos do cânone’ etc.” “Hum. Sei.” “Fez o maior sucesso na França.” “Imagino.” “É bem legal. Esse do Ananias só conta a história a partir do momento em que ele encontrou Saulo naquela fase Stevie Wonder, antes de virar Paulo. O do Zaqueu tem uns dez capítulos que narram como ele conseguiu subir na árvore para ver Jesus -coisa bem Proust mesmo, tempo interior e tal. Também já li o do Dimas, que tem todo um clima beckettiano entre ele e o mau ladrão. Mas legal mesmo é o Evangelho segundo Caifás. ‘Outro lado’, sabe como é.” “Sei. Mas e aquela história da inspiração divina? Acabou isso de todos narrarem a mesma coisa?” “Claro. Negócio careta esse de narrador onisciente. Tá superado faz tempo.” “Só falta lançarem o Evangelho segundo Bin Laden.” “Ah, esse está previsto pro ano que vem. Dizem que ele vai autografar o livro na Flip. Vamos lá?”

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Guilherme Fontes, esse injustiçado

Que outros cineastas brasileiros conseguem aliar lucidez e consciência ecológica a ponto de receber dinheiro público para não fazer um filme nacional? O Brasil tem de ser grato a alguém assim. Preservar o ambiente, evitando a produção de bosta em celulóide, é um dos destinos mais nobres que nossos impostos podem ter. Companheiro diretor, mire-se no exemplo: use a verba pública para, sei lá, comprar um belo apartamento, torrar em cocaína, enfiar onde melhor lhe aprouver -menos na produção de filmes. E, se você já faz isso, keep up the good work. A nação agradece.

sábado, 19 de agosto de 2006

Pequeno dicionário goiabal ilustrado

Cansados daqueles dicionários cheios de letrinhas? Concordam com aquele clichezão sobre imagens-que-valem-mais-que-mil-palavras (Millôr: “tente dizer isso sem palavras”)? Então, vejam aqui dois verbetes desta grandiosa obra -dois antônimos, naturalmente. Instruam-se, divirtam-se.

quinta-feira, 17 de agosto de 2006

O capitalismo é intrinsecamente injusto

Porque não permite às pessoas humanas, companheiros, o pleno exercício das suas aptidões. Eu, por exemplo, jamais consegui ganhar a vida como Belchior cover. Lei da oferta e da procura, bah. (Mas isso vai acabar, seus burgueses canalhas, quando Helô Helê subir a rampa do Planalto e transformar toda a programação das rádios em 24 horas de “Voz do Brasil” por dia. Quem sabe o governo precise de torturadores -e aí vocês vão ter que me agüentar cantando “Divina Comédia Humana” pelas fossas nasais.)

terça-feira, 15 de agosto de 2006

Saudades da Sierra Maestra

“Comandante, un regalo para usted.”"Ah, Chapolim, que boas recordações seu presente me traz. Aquelas noites em que ardíamos de fogo revolucionário e nos aquecíamos uns aos outros, na serra úmida e fria -todos endurecendo sem perder a ternura, jamais. A barba do Che roçando minha nuca. Sim, companheiro, confesso que vivi.

E, ah, COMO ERA GRAAANDE!”

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terça-feira, 8 de agosto de 2006

Um goiaba na “Playboy”, de novo

Interrompo meu jejum blogal apenas para sugerir a quem comprar a “Playboy” deste mês, com a Flávia Alessandra na capa, que dê uma olhada (rapidinha -afinal, não quero cortar o barato de ninguém) na página 68. Há um novo texto meu lá, desta vez inédito, em que tento explicar as diferenças entre o governo do petê e uma pornochanchada. Não sei se consegui; para ser sincero, acho que não. Mas talvez vocês se divirtam.