Feliz “festa da democracia” e uma ótima ressaca de quatro anos pra vocês.
Arquivo de setembro de 2006
Ética, cidadania e transparência
Publicado em Sem categoria | 12 Comentários »Putaria hardcore
Nos últimos tempos, não há melhor mapa do submundo da pornografia que o blogue do Reinaldo Azevedo. É involuntário, claro -presumo que a intenção do Reinaldo fosse escrever sobre política. Considerem, porém, que vivemos num Bananão em que as sacanagens da semana passada (cartilhas, dinheiro “sumido”, possível superfaturamento, supressão dos limites entre partido e governo) são sempre suplantadas, em grande estilo, na semana seguinte (pagamento por “dossiê” em sociedade com revista, Gregório Fortunato versão 2006). Considerem, ainda, que isso não faz a mínima diferença para a reeleição de um ser que, quando à vontade, com a língua solta e tal, confessa suas ganas de fechar o Congresso. Então, queridos, o nome do jogo não é política: é PuTaria. Hardcore, explícita.
(Vocês sabem: o Brasil acabou. Certo, nem começou -da barbárie à decadência sem civilização no meio. Só falta a placa de “passa-se o ponto”.)
Banho de ervas com picolé de chuchu
Descobri por que o Alckmin, tasteless vegetable on a stick, encontra dificuldades para subir nas pesquisas. Outro dia, o candidato estava falando em “banho de ética” e, por uns 30 segundos, eu entendi “banho de ervas”. Não demorou dois segundos para que a expressão se associasse, automaticamente, a Gabriel Chalita dando palestra numa banheira de ofurô. Um candidato que suscita uma imagem tão medonha quanto essa (não me digam que é só minha surdez -até porque vocês são pessoas educadas e não me diriam isso, certo? E, se dissessem, eu não conseguiria ouvir mesmo) só pode espantar os eleitores. Tô certo ou tô errado?
(Estou errado, é óbvio. O eleitor não se importa com imagens medonhas.)
Pequena antologia goiabal
Philip Larkin (1922-1985)
My wife and I have asked a crowd of crapsTo come and waste their time and ours: perhapsYou’d care to join us? In a pig’s arse, friend.Day comes to an end.The gas fire breathes, the trees are darkly swayed.And so Dear Warlock-Williams: I’m afraid–
Funny how hard it is to be alone.I could spend half my evenings, if I wanted,Holding a glass of washing sherry, cantedOver to catch the drivel of some bitchWho’s read nothing but Which;Just think of all the spare time that has flown
Straight into nothingness by being filledWith forks and faces, rather than repaidUnder a lamp, hearing the noise of wind,And looking out to see the moon thinnedTo an air-sharpened blade.A life, and yet how sternly it’s instilled
All solitude is selfish. No one nowBelieves the hermit with his gown and dishTalking to God (who’s gone too); the big wishIs to have people nice to you, which meansDoing it back somehow.Virtue is social. Are, then, these routines
Playing at goodness, like going to church?Something that bores us, something we don’t do well(Asking that ass about his fool research)But try to feel, because, however crudely,It shows us what should be?Too subtle, that. Too decent, too. Oh hell,
Only the young can be alone freely.The time is shorter now for company,And sitting by a lamp more often bringsNot peace, but other things.Beyond the light stand failure and remorseWhispering Dear Warlock-Williams: Why, of course–
(“Vers de Société”, em “High Windows”, 1974.)
Folia no matagal
Não posso deixar de homenagear, nesta data querida, a flor amorosa de três raças tristes, nascida desta terra mafiosa em que vive um povo traste. Um viva ao borogodó botocúndico e a tudo aquilo que fazia o Bilac latejar.
(Órdi e pogréssio, só diretoria, nóis capota mas num breka. É nóis na fita:)
Brevíssima pausa para o horário político
Aqui pra você, bigodudo canalha.
Diálogos impertinentes
“Alô, Alckmin? É o Zé Careca, tudo bem? Tô em Itu. É, ligando dum orelhão gigante. Passei pela feira aqui e me lembrei de você. Não, não foi na barraca dos chuchus, foi na dos nabos, hehe. Cada nabo enorme, cê precisava ver. No dia da eleição, vou te mandar uma caixa, pra combinar com as bananas que o Aécio já te mandou, hehe. Hein? Não, Alckmin, não fui à farmácia nem comprei supositório. Pô, cadê o seu senso de humor?”
(A foto é de Márcio Fernandes, da Agência Estado.)



