Arquivo de novembro de 2006

quarta-feira, 15 de novembro de 2006

Operação Fio-Terra

Aposto que há um departamento da pê-efe que se dedica exclusivamente a batizar essas operações de busca, apreensão, samba-enredo, alegorias e adereços que eles vivem fazendo. Imagino não menos de 15 pessoas em uma sala, passando o dia inteiro em intensas brainstorms. Pensam nos alvos das suas ações e pimba: Operação Fio-Terra. Pensam nos seus chefes e pumba: Operação Toupeira. E assim vai. Chegará o dia em que todos os nomes mais tchaptchuras terão sido esgotados e eles lançarão mão de termos filosóficos: Operação Mônada, Operação Imperativo Categórico, Operação Dasein. Quem sabe até antes, quando “polícia do pensamento” deixar de ser força de expressão e contar com verbas orçamentárias.

(Será que também há um setor especializado em quebrar por engano o sigilo de jornais e adversários políticos? Não? Ah, mas chegaremos lá.)

sábado, 11 de novembro de 2006

Mais fofura = menas literatura

Quintana, por exemplo. Antes que vocês me repreendam, também acho que ele escreveu coisas boas. Mas deixou para a eternidade, num momento de particular fofura, aquele poemeto citado por onze entre dez blogues fofinhos -”eles caralhão, eu caralhinho” ou qualquer coisa assim. Eis um teste da farinha para a literatura: ter ou não ter sites fofuchos e agendas como destino manifesto. (Quem tivesse levaria pau. Óbvio.)

Mas reconheço que, na Botocúndia, fofura é coisa do passado. A onda agora é namorar o Rubem Fonseca pelado, e dá-lhe personagem, como diz uma amiga, chupando tumor e fazendo aquelas cousas mui literárias tão características dos livros do Zé Rubem. Comportamento típico de pré-adolescente, no sentido cronológico ou mental, revoltadinho com o excesso de fofice. Admito que, forçado a escolher, eu certamente ficaria com a fofura quintanal, mas suspeito que a literatura esteja em algum ponto entre esses dois pólos. É tipo barbárie e decadência com uma civilização no meio -o que no Bananão, diz padre Quevedo, non ecziste.

(P.S.: O título do post é uma óbvia homenagem dupla – ao Efelentífimo, Guia Genial dos Fofos, e àquele caderno literário da Folha, o Menas!)

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Descreve o que era realmente naquele tempo a Botocúndia de mais enredada por menos confusa

Stalinismo cordial e o melhor do Carnaval.

(Uh, uh, uh, que beleza.)

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Cinco anos nesta noite

Puragoiaba, desde 2001 sendo superado pela goiabice do mundo.

(“Quando a gente não pode fazer nada, a gente avacalha.”)

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Grandes mistérios da emepebê

Quem é o amante Cidão do Roberto Carlos (“nos lençóis macios, o amante Cidão”)? E por que volta e meia alguém fala no TOC e na perna perdida, mas ninguém jamais toca (epa, opa) nessa declaração de boiolagem? E eu que pensei que a emepebê fosse um ambiente sem preconceitos. Que coisa.

(Variante do virundum: “Nos lençóis macios, a mantissidão“. Dá para imaginar um casal bem preguiçoso, sem vontade de sair da cama e tal, na maior mantissidão. Vou sugerir esse verbete aos redatores do Uáis.)

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

No cinema, num futuro próximo

“Qual é a desse filme? Não entendo por que estão falando tanto nele.” “Ah, é uma coisa superousada, inédita. A atriz principal é estuprada e morta de verdade.” “*riso nervoso*” “Tô falando sério.” “Não pode ser. É mentira, jogada promocional.” “Não, não. Morta mesmo, com tiro de verdade e tudo. Estava previsto no contrato que ela assinou.” “Mas que absurdo, pô! Isso é um snuff movie.” “Não, veja bem. Não é snuff. Tem um roteiro instigante e bem escrito, ótimas interpretações, a fotografia é linda. O estupro e o assassinato estão dentro de um contexto -não são coisas assim soltas, gratuitas, entende? Nem todo filme que tem sexo explícito é necessariamente pornô, concorda comigo?” “Mas estuprar e matar é crime, diabos.” “Estamos falando de uma obra de arte, querido. Não se colocam as coisas nesses termos. Ai, como é difícil conversar com gente moralista.”