
Bill Henderson é um daqueles cantores de jazz que, como se diz em inglês, didn’t make it big -e quem o conhece não consegue entender por quê. Para o público dos EUA, Henderson, hoje perto dos 80 anos, é talvez menos desconhecido como ator, graças aos papéis em geral pequenos que fez em inúmeros seriados, de “Profissão Perigo” a “ER”, e em filmes como “White Men Can’t Jump”. (Ele brinca com o fato de ser pouco conhecido: foi o único cantor que vi subir ao palco, num festival de jazz, usando crachá.)
Não sei se Bill Henderson continua fazendo shows, mas ele era um grande cantor. Voz ligeiramente rouca (muito comparada à de Joe Williams, que cantava com a banda de Count Basie), excelente senso de dinâmica, ótimo nas músicas de andamento mais rápido e matador nas baladas. O melhor dele está concentrado em álbuns como a coletânea, em dois CDs, de seu período na gravadora Vee-Jay, entre 1959 e 1961 (sobretudo as faixas em que é acompanhado pelo trio do pianista Ramsey Lewis). Mas sua provável obra-prima é o disco cuja capa está aí em cima, gravado com o trio de outro grande pianista -Oscar Peterson- em 1963. Bom do começo ao fim.
Exemplo grátis? Pois não. Clicando no primeiro linque aí embaixo, vocês poderão baixar uma das faixas desse disco com Peterson -”I Wish You Love”, versão em inglês da clássica “Que Reste-t-il de Nos Amours?”, de Charles Trenet. Se você não gostar, é porque não tem alma, seu insensível.
Bill Henderson, “I Wish You Love”