Rosquinhas amanteigadas Maria Schneider.
(Um dia ponho isso à venda nos cinemas. Só preciso de uma foto do Marlon Brando fazendo joinha para acompanhar a frase “essa eu aprovo!”.)
Rosquinhas amanteigadas Maria Schneider.
(Um dia ponho isso à venda nos cinemas. Só preciso de uma foto do Marlon Brando fazendo joinha para acompanhar a frase “essa eu aprovo!”.)
Esse é um trecho do samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense. Não, não estou brincando; confiram aqui. Depois vocês não acreditam quando eu digo que NÃO DÁ para competir com a goiabice do mundo dito real.
De todo modo, eu me esforço. Na comunidade mais engraçada do Orkut, a da revista Bizz, surgiu a idéia de um samba-enredo em homenagem ao mais nojento dos hardcore punks, G.G. Allin. Minha proposta, feita sob medida para a Mangueira (epa, opa), buscou sintetizar os grandes feitos do cara.
Vejam só que bonito ficou:
Caaaga, Mangueeeiraaa!
Caga, Mangueira queridaA história de G.G. Allin nós vamos cantarQuero beber pus, chupar feridaE no delírio do palco me automutilar (aaaaai)
Comeu merda e bebeu mijoAumentando o seu prestígioNo Olimpo dos roqueiros imortais (imortais)
E hoje na avenida eu me acaboMicrofone no meu raboTô aí e quero mais, mas caga…
(Pena que o Jamelão ficou doente; seria especialmente interessante vê-lo cantando o trecho do “microfone no meu rabo”. Mas acho que ele vetaria.)
Estou a fim de processar por calúnia todo mundo que disser que o assassinato daquele menino no Rio é culpa “da sociedade”, “da classe média (…)” (preencha o espaço em branco com o adjetivo desairoso da sua preferência -”egoísta”, “insensível”, “nojentinha” etc.) ou “dos 190 milhões de brasileiros” (acrescente o clichê débil-mental-esquerdoso que mais lhe apetecer). Anoto o nome de cada uma das amebas que vêm com esse tipo de discurso na TV, no rádio, em jornais, em blogues. Ora, até prova em contrário, eu faço parte da “sociedade”, da “classe média” e desses 190 milhões aí -e, se é assim, esse pessoal está me atribuindo a co-autoria de um crime horrendo. Então vão ter que provar. Do contrário, é palhaçada.
(Como vivemos no Bananão, os 190 milhões serão quase todos punidos por arrastar o menino. Exceto quem o matou, que esses não têm culpa.)
P.S.: Ótimo texto de Contardo Calligaris, aqui (só para assinantes do UOL).
Meu caríssimo Bruno Garschagen me cobra um texto sobre os dez anos da morte de Paulo Francis. Bruno, texto sobre o Francis tem, mas acabou. Serve um sobre a morte do Pedrinho Mattar, ontem? Ah, eu sabia que sim.
Pelo seguinte: o Francis era como a civilização -aquela coisa que a gente só conhece de ouvir falar- conforme é descrita naquele trecho do Eça (não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas). Não deixou filhos jornalísticos, não transmitiu a nenhuma criatura seu legado (a miséria é nossa, ninguém tasca). E está morto, tão morto quanto o Deus do Nietzsche ou todos nós no longo prazo do Keynes*. Mas a casaca de lamê do Pedrinho Mattar viverá eternamente. Agora, se me dão licença, vou tocar um pouco de air piano -façam o favor de imaginar que estão escutando o “Tema de Lara”.
* Citação atualizada: “No longo prazo estaremos todos mortos, menos o Keith Richards, as baratas e o Oscar Niemeyer. Thus spake Zarathustra“.
Vocês pensam que, na minha ausência, fiquei indiferente aos grandes debates do mundo contemporâneo? Nadavê, mano, tô ligado nas parada aê. Li, por exemplo, que esse aquecimento global é um grandíssimo filho da puta: matou a mãe Terra com uma barra de ferro, enquanto o pobre do planetinha estava dormindo, e depois ainda foi furunfar no motel com o imperialismo americano. Vagabundo, ordinário, cadeia pr’essa gente.
P.S.: Das cartas à redação: “Seu puragoiaba, aquecimento global tem cu?” Resposta: “Sim, dizem que fica em Bangu. Mas deve ser maldade desse povo. Fosse verdade, já teriam feito um samba-enredo sobre o assunto.”