Arquivo de maio de 2007

quarta-feira, 30 de maio de 2007

The Murilo Mendes Experience

Ah, esqueci de contar: eu abençoei o papa. Quando a comitiva dele passou perto da senzala, lembrei que, segundo o Otto Lara Resende, o poeta Murilo Mendes fizera isso com um cardeal que depois viraria papa -não sei se o Pio 12- em frente à igreja da Candelária. Decidi repetir o gesto: afinal, é realmente feio esse pessoal sair por aí abençoando todo mundo e a gente não retribuir. Pensei em abençoar também as moças que visitam o puragoiaba, mas não sei se elas curtiriam genuflexões, aspersão de água benta, essas coisas. Além do mais, deve ser pecado, Deus me perdoe.

Mas a Murilo Mendes Experience continua. O próximo passo é abrir o guarda-chuva dentro de uma sala de concerto. A Sala São Paulo, com Neschling regendo a Osesp, parece o lugar mais propício. Vamos ver.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Fábulas cabulosas

Pelo amor de Deus, espero que o post anterior não contradiga a minha admiração pelos bravos que insistem em fazer literatura no Bananão -este país insalubre- nestes tempos ágrafos. Admiração sincera, pod’s crê. Eu mesmo estou preparando uma obra que, apesar do inegável potencial para best-seller, ainda não foi além do nome, “Foda-se o Livreiro de Cabul”. Só posso admirar quem tem fôlego, disposição e superego frouxo o suficiente para estender uma merda por 320 páginas, em vez de restringi-la ao título.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Lasciate ogni speranza

Estou pensando em criar uma espécie de vestibular para o ingresso na “literatura brasileira contemporânea”. Evidentemente, a ênfase tem de ser em provas físicas, e não intelequituais: puxa-saquismo-dô, tráfico de influência com vara, brodagem 4 x 100 etc. Fundamentais também serão a lista de presença à Mercearia São Pedro e uma breve dissertação -1.500 toques com espaços, para ninguém se cansar demais pensando- sobre as melhores maneiras de enfiar no rabo o dinheiro da Lei Rouanet. Mas a prova final é que dirá quem tem talento para a coisa: reescrever “Em Busca do Tempo Perdido” substituindo a madeleine por uma coceirinha no cu. O tamanho (da coceirinha, do cu ou do texto) é livre. Quem tiver lido Proust perderá pontos; se leu até o fim e gostou, é desclassificação sumária.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Dead man writing

Até que minha aposentadoria blogueira -só no blogue mesmo, porque na senzala o couro continua comendo em cima do meu alter ego- não tem sido tão improdutiva assim. Por exemplo, virei colunista da “Bizz” . Essa era aquela “novidade do mundo gutemberguiano” que anunciei uns dois meses atrás -meu terceiro texto para a revista está na edição que foi às bancas nesta semana (só na versão impressa. Vão lá comprar, sovinas). Estou pagando a má língua: ninguém mandou eu falar mal de roquenrol nos primórdios do puragoiaba. Quando o fantasma do Elvis começou a puxar meu pé à noite, achei que era hora de mudar minha conduta.

(Ah, sim: mesmo com atraso, saúdo a adesão do Tiago A. à confraria.)

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Lalaiá, lalaiá

Laia, laialaÓi nóis aqui traveisSe vocês pensa que nóis fumos emboraNóis enganemos vocêsFingimos que fumos e vortemos…

Demônios da Garoa é mesmo a trilha sonora ideal para um blogueiro aposentado. Confesso que está muito mais legal passar o dia de pijama e só sair pra jogar bocha e dominó na pracinha em frente à padaria -muito menos entediante que o noticiário político, por exemplo. Mas mesmo essa vida idílica da “melhor idade” às vezes enjoa, né? Quando isso acontecer e eu não estiver em nenhuma excursão a Águas de São Pedro, virei aqui partilhar minha falta de assunto com vocês. (Se o nervo ciático deixar.)

P.S.: Defendo que dominó e bocha se tornem esportes olímpicos, o que elevaria a média de idade numa Olimpíada para 55 anos, no mínimo. Estou ficando bom no dominó, sobretudo. Seleção sub-80, aqui vou eu.