Arquivo de janeiro de 2008

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Explicação gnóstica, com boné

Milton Nascimento embichou definitivamente depois que deixou de usar boné. Lembra aquele personagem do Agildo Ribeiro que virava gay quando enfiava um cotonete no ouvido (sim, esse quadro existiu -Agildo conversava com as pessoas em alguma festa ou coquetel e, do nada, sacava o cotonete, introduzia na orelha e começava a falar no clássico modo “bicha escandalosa”). A conclusão inescapável é que a vida não “imita a arte”, e sim um esquete particularmente ruim do “Zorra Total”.

Le mauvais démiurge = roteirista do “Zorra Total” gone bananas.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Tear it up, bop-bop-bop-bop

Sarah Bergamasco detona. Vão lá ler a nossa nova aquisição.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Pequena antologia goiabal

Machado de Assis (1839-1908)

“Não houve lepra, mas há febres por todas essas terras humanas, sejam velhas ou novas. Onze meses depois, Ezequiel morreu de uma febre tifóide, e foi enterrado nas imediações de Jerusalém, onde os dois amigos da universidade lhe levantaram um túmulo com esta inscrição, tirada do profeta Ezequiel, em grego: ‘Tu eras perfeito nos teus caminhos’. Mandaram-me ambos os textos, grego e latino, o desenho da sepultura, a conta das despesas e o resto do dinheiro que ele levava; pagaria o triplo para não tornar a vê-lo.

Como quisesse verificar o texto, consultei a minha Vulgata, e achei que era exato, mas tinha ainda um complemento: ‘Tu eras perfeito nos teus caminhos, desde o dia da tua criação‘. Parei e perguntei calado: ‘Quando seria o dia da criação de Ezequiel?’ Ninguém me respondeu. Eis aí mais um mistério para ajuntar aos tantos deste mundo. Apesar de tudo, jantei bem e fui ao teatro.”

(Antepenúltimo capítulo de “Dom Casmurro”, de 1899, em que Bentinho narra a morte do filho -seu ou do Escobar. Proponho homenagear os cem anos da morte do romancista com cem pescotapas em quem o chamar de “bruxo do Cosme Velho”. Já cometi esse pecado, mas me arrependi -e o melhor modo de apreciar o chicote, sabemos, é ter-lhe o cabo na mão.)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Filósofos que batiam um bolão

José, Ortega e Gasset eram a linha média do Real Madrid na década de 30, aquela remota época em que havia “linhas médias” nos times de futebol (Ruy, Bauer e Noronha; Ely, Danilo e Jorge; Assis, Château e Briand* etc.). Dedicavam-se ao futebol nos fins de semana e, nos dias úteis, à cátedra de metafísica da Universidade de Madri, pela qual receberam inúmeros motorrádios -cobiçado prêmio para os melhores em campo- antes que a guerra civil os obrigasse a se exilar na Argentina. As péssimas condições dos gramados sul-americanos, porém, impediram que o trio mostrasse seu toque de bola refinado e filosófico, e assim eles encerraram sua carreira melancolicamente. Hoje os três têm um posto de gasolina na Pompéia.

José, Ortega e Gasset revolucionaram o modo de pensar o futebol**. Infelizmente, muitas de suas frases-conceitos chegaram distorcidas aos nossos dias, mas aqui vocês podem apreciá-las em sua forma original.

“Futebol é onze contra onze e sua circunstância.”

“O resultado não espelha o que foi o jogo e sua circunstância.”

“O pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube e sua circunstância.”

“O Pelé é uma coisa e o Edson é outra, entende? Porque o Santos, o Santos não tinha só o Pelé. Tinha Dorval. Tinha Mengálvio. Tinha Coutinho. Tinha Pepe. Porque o Pelé tomava muito Vitasay, muito Taffman-E, mas não decidia jogo sozinho, entende? O Pelé é o Pelé e sua circunstância.”

* Créditos para Apparicio Torelly.** A regência filistina do verbo “pensar” é proposital.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Você já fucô hoje?

Um dos modos de reconhecer de bate-pronto uma besta pretensamente letrada é o uso do verbo colocar fora do sentido habitual -simplesmente pôr alguma coisa (epa) em algum lugar (opa). Vocês sabem: o filisteu não pergunta, ele “coloca uma questão” (melhor, “um questionamento”). Recentemente descobri que isso ocorre não só com pessoas, mas também com obras filistinas. Eu corria os olhos pelas estantes de uma livraria quando um livro colocou o seguinte questionamento: “Foucault hoje?”.

Pensei em um ato de, arram, “terrorismo poético”. Quem sabe eu cole no livro um post-it com os dizeres “Não, obrigado”. Ou “Foucault, só amanhã”. Ou ainda “Foucault, só para maiores de 90 anos acompanhados dos pais”. “Fuquei, mas me arrependi” seria válido também, mas não é meu caso; fucar é costume feio, é pecado. Faço isso não. (E assim acabo de infringir o primeiríssimo mandamento do Blogma quatro vezes -ou mais- no mesmo post. Aguardo o pé-na-bunda e/ou a excomunhão para muito breve.)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Loucademia no poder

Querem uma novíssima definição para “fundo do poço”? Que tal “ser zoado pelo jornal do qual já se foi colunista”? Só assinantes do UOL podem ler aqui, mas vocês, não-assinantes, acreditem em mim quando digo que a Folha chamou o Mangabeira Unger de “Doutor Fantástico” em editorial.

Photobucket“Mein Führer, I can walk!”

É claro que o Mangaba (copirraite da Nova Corja) faz por merecer. Só acho que a referência está incompleta. Anotem: vocês ainda verão o filósofo dizendo “temos que construir aquedutos na Amazônia para levar água ao Nordeste -mas, acima de tudo, TEMOS QUE DESTRUIR SPECTREMAN!”

(A foto do Dr. Gori Strangelove é de Wilson Dias/ABr.)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Lobão no Ministério de Minas e Energia

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Para que não se diga que não elogio o Efelentífimo: faz todo o sentido. O slogan da camiseta é perfeito para o governo. Também remete a gás metano, biocombustíveis, energia eólica, essas coisas. Excelente escolha.

(Opa, a produção do blogue está me dizendo que esse é o Lobão errado. Paciência, agora o post já foi.)

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Repaginados

‘Cês viram que belezinha (modéstia às favas) nossa homepage remodelada pelo pessoal do Feira Livre? Dêem uma passada por lá, s’il vous plaît.

(Mais novidades em breve. Como diria o Patrão, “aguardemmm”.)

sábado, 12 de janeiro de 2008

Expressão nova, favor repassar

Soltar/liberar o Emmanuel. Exemplos: “Fulano estava casado havia 40 anos e, um belo dia, resolveu liberar o Emmanuel”. Ou: “Rimbaud liberava o Emmanuel pro Verlaine”. E ainda: “Sei não. Pra mim, esse [Richarlyson/ Jean-Claude Van Damme/ presidente da Venezuela] solta o Emmanuel”.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Monstros japoneses invadem o Masp

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Esse é o Homem-Pão. Ele desistiu de uma vida inteira sendo despedaçado pelo Godzilla para se tornar um artista conceitual. Este blogue deseja ao monstro-artista boa sorte na nova empreitada e adverte: cuidado com pés-de-cabra, macacos hidráulicos e os mindingos esfomeados no entorno do museu (chegam e vão logo mastigando, nem perguntam antes se é arte).

(A foto é de Greg Salibian/Folha Imagem.)