José, Ortega e Gasset eram a linha média do Real Madrid na década de 30, aquela remota época em que havia “linhas médias” nos times de futebol (Ruy, Bauer e Noronha; Ely, Danilo e Jorge; Assis, Château e Briand* etc.). Dedicavam-se ao futebol nos fins de semana e, nos dias úteis, à cátedra de metafísica da Universidade de Madri, pela qual receberam inúmeros motorrádios -cobiçado prêmio para os melhores em campo- antes que a guerra civil os obrigasse a se exilar na Argentina. As péssimas condições dos gramados sul-americanos, porém, impediram que o trio mostrasse seu toque de bola refinado e filosófico, e assim eles encerraram sua carreira melancolicamente. Hoje os três têm um posto de gasolina na Pompéia.
José, Ortega e Gasset revolucionaram o modo de pensar o futebol**. Infelizmente, muitas de suas frases-conceitos chegaram distorcidas aos nossos dias, mas aqui vocês podem apreciá-las em sua forma original.
“Futebol é onze contra onze e sua circunstância.”
“O resultado não espelha o que foi o jogo e sua circunstância.”
“O pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube e sua circunstância.”
“O Pelé é uma coisa e o Edson é outra, entende? Porque o Santos, o Santos não tinha só o Pelé. Tinha Dorval. Tinha Mengálvio. Tinha Coutinho. Tinha Pepe. Porque o Pelé tomava muito Vitasay, muito Taffman-E, mas não decidia jogo sozinho, entende? O Pelé é o Pelé e sua circunstância.”
* Créditos para Apparicio Torelly.** A regência filistina do verbo “pensar” é proposital.