Embora a consulta à Wikipedia nos informe que o basquete foi inventado nos Euá no fim do século 19, poucos sabem que o verdadeiro criador do esporte foi Immanuel Kant, que o concebeu como um modo de tonificar o corpo e dar repouso ao espírito durante os rigorosos invernos de Königsberg (“nem tudo é metafísica, os senhores sabem”, dizia aos amigos). O filósofo redigiu as regras, colocou cestos para papéis no alto de duas árvores em cada uma das extremidades do seu jardim -afinal, ainda era verão- e convocou dez eminentes sábios da cidade para o jogo inaugural.
Antes da partida, um dos convidados teve uma dúvida: “Há alguma punição prevista para quem, digamos, empurrar um jogador adversário?” “Nenhuma.” “Por que não?” “Ora, a boa conduta esportiva não pode ser tão-somente fruto do medo das punições. Onde fica o sentido do dever, senhores? Somos todos pessoas cultas; nenhum de nós fará ao outro o que não gostaria que o outro fizesse”. Kant dividiu os times (“imperativos” de um lado, “categóricos” do outro) e apitou o início do jogo. Foi uma carnificina: pontapés, puxões de cabelo, cotoveladas, mordidas, dedadas no olho, joelhadas no saco e argumentação erística de baixíssimo nível.
O novo esporte morreu em sua primeira tentativa. Desconsolado, Kant retirou-se para casa, onde passou os dias escrevendo a “Fundamentação da Metafísica dos Costumes” e jogando vinte-e-um sozinho no jardim.


