Primeiro foi o presidente do Senado brasileiro, que, como todo mundo sabe, é uma mistura do agente secreto com o Almir Pazzianotto. Agora é esse arquiteto francês que ganhou o Prêmio Pritzker e que, pelo visto, faz dupla jornada como Dr. Evil. Em verdade vos digo: viver num roteiro de filme do Austin Powers SEM uma Elizabeth Hurley por perto é um dos piores mundos possíveis. Definitivamente, nem um pouco groovy.
Arquivo de março de 2008
A progressiva austinpowerização do mundo
Pequena antologia goiabal
Ray Davies (1944 – )
“My name is of no importance. You see, I’m a product of a century which started at the height of class-conscious imperialism and ended with a society so reduced to totalitarian commonness that in my final years at college the saying ‘mediocrity rises’ became very popular. And, being mediocre, I rose. But you’re not supposed to laugh at that. My generation has been taught to be so in touch with the latest fashion that we have become faceless; we’re victims of design. But, oddly enough, although I was taught to think of myself as a man with no face, somewhere inside my soul I believe that one day I’ll become an individual.”
(“My Name”, diálogo do álbum solo “Storyteller”, de 1998. Hoje, além das “words of wisdom” do líder dos Kinks, vocês ganham musiquinha da banda: “Mirror of Love”, de 1974. Basta clicar aqui embaixo. Bom domingo.)
Previsões futebolísticas
No Rio, todos os times que não forem os quatro grandes terão nome de personagem do Machado de Assis ou do Nelson Rodrigues. Veremos clássicos como Flamengo x Simão Bacamarte, Vasco x Peixoto, Botafogo
x Bentinho, Fluminense x Palhares. Todos no Engenhão, enquanto o Maracanã passa 50 anos sendo reformado ou é vendido para pagar alguma dívida do governo -porteira fechada, com torcida e jogadores dentro.
Que bonito é.
Pequenas biografias de grandes compositores (2)
Menstruação Buarque de Holanda, o Chico (1944-)
Filho de Sérgio Buarque e Aurélio Buarque de Holanda, foi alimentado exclusivamente com páginas de dicionários até os 17 anos, quando se revoltou contra sua educação repressiva e burguesa, puxou um carro e fugiu para Cuba. De volta ao país, ficou mundialmente conhecido por ser fanho e pegador. Ânus dourados depois, enlouquecido após virar sogro de Carlinhos Brown, foi dar em Budapeste e nunca mais se soube dele.
Stick to what works
Gestos de carinho perdem-se no vácuo, não reverberam, podem ser mal compreendidos ou mesmo repelidos com variados graus de agressividade. Patada sempre funciona -100% de aproveitamento, como diriam os cronistas esportivos. Mantenha, portanto, sua faca-só-lâmina viva e afiada (“never change a winning game“, disse Lucy Van Pelt a Charlie Brown).
(Post de Páscoa: não trabalhamos. Recomendo a visita ao Antonio.)
The creator has a master plan
Mas não sabe onde diabos (1) deixou o maldito (2) papelzinho do esquema. Já revirou a casa inteira (terremotos, furacões, tsunamis) e não consegue encontrar. Mais um pouco e Ele vai mandar demolir a maloca (3), dizem.
(Do livro “1.001 Receitas de Humor Gnóstico”, na página meia-meia. É o último verbete da letra C, logo depois de “The creator has a Mastercard”.)
(1) Opa!(2) Epa!(3) Cada tauba que caía doía no coração.
Humilhados e ofendidos
De repente, eles viram a luz. Era o flash da câmera do Sebastião Salgado.
Pequenas biografias de grandes compositores
Assis Valente (1911-1958)
Assis pensava que todo mundo fosse filho de Papai Noel. Um dia, ele descobriu que Papai Noel não existia e que, na verdade, todo mundo era filho da puta. Fácil resolver: tomou formicida com guaraná e saiu por aí.
Resolução
Viver a terceira rua à esquerda, depois do sinal, e o daqui a pouco como se não houvesse hoje às três da tarde. (Variante: viver o “Jornal do SBT” como se faltasse um advérbio num título de livro do Sidney Sheldon.)
Marginal da própria glória
Eu realmente não sei que mecanismos cerebrais fazem a gente se lembrar, do nada, de uma música do Gonzaguinha no meio de uma tarde tediosa. Assim aconteceu hoje com um colega-de-trabalho do meu alter ego. A música era “Lindo Lago do Amor”, em que o filho adotivo do Gonzagão é possuído (epa, opa) pelo espírito do Djavan -o que resultou, naturalmente, em versos atrozes como “a sabiá sabia já” e “por quê, pour qui, pourquoi será”. O fato é que a canção à djavanesa fez esse colega me perguntar se eu já tinha lido um e-mail com a história de um homem que sabia djavanês.
Resisti à tentação de dizer que não só li como sou o autor da tal história, que aliás já publiquei em livro. Destino semelhante teve a fotomontagem do Costinha feita pelo Marco Aurélio e por mim, que faz algum tempo circula por aí anonimamente. Não sei se, nesses casos, posso fazer algo além de ligar o foda-se. Quem sabe o djavanês acabe creditado ao Borges, o que seria uma indignidade, mas talvez menos ofensiva do que aquela bobajada de andar mais descalço e comer menos lentilhas. E confesso que vou me sentir realizado se, um dia, o CÚ for atribuído ao finado Haroldão.

