Arquivo de junho de 2008

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Mr. Guavaman’s Jukebox

A trilha sonora de hoje é James Carr -grande cantor de soul music que sofria de distúrbio bipolar e, por isso, teve sua carreira abreviada. Carr gravou basicamente do meio para o fim dos anos 60, chegou a fazer um comeback nos anos 90 e morreu em 2001, aos 58 anos. O fato de ele estar morto, naturalmente, não o impede de ter um MySpace, onde vocês podem ouvir clássicos como a música mais conhecida dele, “The Dark End of the Street” . Para a jukebox, escolhi “To Love Somebody” -sim, aquela mesma dos Bee Gees, melhorada em uns 200%. Bom fim de semana.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

O ano que não terminou de encher o saco

Tá bom, eu já sei que em 1968 o mundo todo libertou o Mandela. Deve ser por isso que há 40 anos vivemos num interminável show da Anistia Internacional, ouvindo Simple Minds sem parar. Já deu. Virem o disco
-ou troquem por um do Serge Gainsbourg- e passemos ao ano seguinte.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Modesta proposta para a sétima arte (3)

Mais Wilson Grey. Diz-se que ele fez mais de 200 filmes; acho pouco. E, hoje, não há o que a tecnologia digital não resolva. Quero ver Wilson Grey interpretando aquele personagem do Harvey Keitel, o “resolvedor de problemas”, em “Pulp Fiction”. Como Osgood Fielding III em “Quanto Mais Quente Melhor” -ele seria perfeito ao lado do Jack Lemmon naquela cena do “ninguém é perfeito”. Como Rick Blaine em “Casablanca”. E por que não como Jed Leland em “Cidadão Kane”? (Nos dois últimos casos, convém trocar o Dooley Wilson pelo Dicró e o Orson Welles pelo Chico Anysio vestido de Azambuja. Nem preciso dizer que as vantagens são evidentes.)

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Pequenas biografias de grandes compositores (4)

Caetano Veloso (1942 – )

Abraão gerou Isaac. Isaac gerou Jacó. Jacó gerou Judá e seus irmãos. Judá gerou Farés, Zara, Zandor e os demais Herculóides. Farés gerou Esrom, Esrom gerou Aram, Aram gerou Aminadab e assim por diante, numa sucessão de nomes estranhos, até chegar a Jessé, que em meio a rimas de ventos e velas gerou o rei Davi. Davi gerou Salomão Ayala, morto por aquele personagem do Edwin Luisi cujo nome agora me escapa. Salomão gerou Robocop, Robocop gerou Abias, Abias gerou Asa de Arapiraca e uma descendência igualmente repleta de nomes esdrúxulos até chegar a Josias, que escrevia um blogue sobre política diretamente de seu exílio na Babilônia, ao vivo, com narração de Luciano do Valle e os comentários de Neto e Oscar Roberto de Godoy. Depois do exílio, Jeconias, filho de Josias, gerou Salatiel, Salatiel gerou Zorobabel e mais outra porção de nomes estrambóticos até chegar a Jacó, que gerou seu Zeca, que lá em Santo Amaro da Purificação se casou com a dona Canô e na sua ilha -iê-iê-iê, que maravilha- gerou a filha da Chiquita Bacana.

(Como esta é uma grande biografia de um enooorme compositor, pus aí só o início -mas adianto que os highlights incluem nosso herói dançando sobre as águas pro seu corpo ficar odara e gritando “Vocês não estão entendendo nada! Absolutamente nada!” para os mexilhões do templo.)

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Mr. Guavaman’s Jukebox

A música de hoje é “Baby Face” (composta por Harry Akst e Benny Davis nos anos 20) na versão meio Dixieland, meio bêbada dos Kinks, cujo líder, Ray Davies, completa 64 anos amanhã. Está no disco ao vivo do álbum duplo “Everybody’s in Show Biz”, de 1972, e foi classificada pelo crítico John Mendelsohn como “charming old horror” nas notas a outro disco da banda. Eu acho charming; espero que concordem. Bom fim de semana.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Cheios de graça

Bons tempos aqueles em que o Bananão tinha 180 milhões de técnicos de futebol (quase todos melhores que o Dunga). Hoje devem ser mais ou menos 180 milhões de engraçadinhos, o que dificulta um bocado a vida dos humoristas -e, não bastasse a concorrência diária dos políticos, agora os promotores também deram para fazer graça. Como vocês devem saber, Folha e Abril foram multadas por entrevistas com a Martona; agora, vejam o que diz esta promotora sobre o que é permitido -ou, sei lá, de bom-tom- perguntar aos pré-candidatos às eleições deste ano: “Você poderia fazer o perfil do candidato. Quem é Fulana? É uma mulher psicóloga, trabalhou, fez isso e fez aquilo. [...] Gosta de cachorro, gosta de boxe [errado, moça: a indigitada gosta é de botoxe], gosta de rock and roll, gosta de poesia…”.

Espero que a doutora tenha concluído a frase dizendo “sambarilove” e/ou dando uma sambadinha. Passou da hora de me exilar. Tonga, here I go.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Séquiço sob a ótica groucho-marxista

“And then they spent eighty minutes of the movie in the sack, these two. I’m not interested in that. I don’t care what they’re doing in the sack. If I’m not doing it, why should I?” (Frase do guru nos ânus 70, aquela época de putaria desenfreada dentro e fora, dentro e fora, dentro e fora do saco.)

terça-feira, 17 de junho de 2008

Grandes momentos do esporte

Talk show com wit e, ao mesmo tempo, a um passo da baixaria-tipo-luta-no-gel: Dick Cavett em 1971, com Janet Flanner (correspondente da “New Yorker” em Paris por muitos anos), Gore Vidal e um Norman Mailer descabelado, de cara cheia e louco para dar uma coça no Vidal por causa de um artigo na “New York Review of Books”. Só achei no YouTube o vídeo abaixo, em que Cavett relembra o programa numa entrevista recente ao Charlie Rose. O talk show em si aparece a partir dos 45 segundos de vídeo.

Pontos altos, na minha opinião: o beijo da Janet Flanner e a parte do “fold it five ways”, cortesia do anfitrião. O relato da história, com detalhes adicionais, também está aqui, no blogue do Cavett no “New York Times”.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Mr. Guavaman’s Jukebox

Semana atribulada, sem tempo para escrever. Deixo vocês com “Mama Too Tight”, do Archie Shepp, sax-tenorista discípulo de John Coltrane e um dos principais nomes da chamada “new thing”, nos anos 60. A tal “new thing” nem ficou tão “old” assim, e a música prova que às vezes era possível produzir barulho e balanço ao mesmo tempo. Bom final de semana, y’all.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Outro clube que me aceita como sócio?

Apesar do meu groucho-marxismo (hail Freedonia!), não posso deixar de recomendar que vocês leiam a Dicta & Contradicta. É o primeiro número da revista, que será semestral. Além de ter nome de livro do Karl Kraus, ela está bonita e traz uma porção de gente muito boa escrevendo sobre assuntos invulgares -o que, obviamente, só faz com que o autor da última página (yours very truly) sinta-se de moletom e mocassim sem meia numa festa cheia de Beau Brummells. Enfim, Deus é testemunha do esforço que fiz para não beber a lavanda. O coquetel de lançamento da revista é amanhã, às 19h, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, aqui em SP.

(Entre parênteses, não consigo deixar de rir quando clico no linque da Cultura e vejo “Goiaba, Ruy”, desse jeito, na lista de autores. Se bem que, se um dia começarem a aparecer teses com referências ao humor “goiabiano”, terá chegado a hora de implodir o blogue e pular da janela. Nessa ordem.)