Arquivo de agosto de 2008

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Mr. Guavaman’s Jukebox

Que tal um Miles Davis de boa safra? Aqui vai “It Never Entered My Mind”, standard da dupla Rodgers & Hart, gravado em 1956 para o álbum “Workin’”. Era a época do “primeiro quinteto clássico” do trompetista, mas o sax tenor de John Coltrane está ausente dessa gravação, em que Miles é acompanhado por Red Garland (piano), Paul Chambers (baixo) e Philly Joe Jones (bateria). Espero que apreciem -e bom fim de semana para vocês.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Aviso aos navegantes do Firefox

Sim, vocês estão vendo meu blogue todo torto (o que não acontece quando ele é lido com o Internet Explorer). E não, eu não sei como resolver -estamos trabalhando para estar descobrindo. Stay tuned, que o puragoiaba já volta, com mais cubismo involuntário e idéias fora do lugar.

Update: Aparentemente, resolvido. Foi só reduzir o número de posts na página. O problema parece ser com o player do MP3Tube no Firefox.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Saldözismo

Tenho idade suficiente para me lembrar dos bons tempos pré-urna eletrônica. A tecnologia acabou com a coisa mais legal das eleições, talvez a única realmente bacana, que era poder desenhar pirocas na cédula na hora de votar. Ingenuamente, eu acreditava que, eliminada essa diversão, teríamos como contrapartida um upgrade na “festa da democracia” -mas nela, como já escrevi, não se pode beber e, pelo menos lá onde eu voto, só tem gente baranga. Parece a Grande Festa Chata planejada e nunca posta em prática no meu tempo de faculdade, sem o Cynar e a Malt 90 quente.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Gerador de quadros do Jackson Pollock

Brinque você também de expressionismo abstrato:

www.jacksonpollock.org

(A dica é do Thiago, a quem agradeço.)

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Sein und Zeit

Todos esses seres que estão “à frente do seu tempo” precisam ser uma espécie de Usain Bolt -melhor, algum recordista de corridas de fundo, de longuíssima distância. Porque, se parar de correr, o tempo chega por trás com tudo e enraba: crau. Prefiro, modestamente, ficar um pouco atrás do meu tempo, só observando. Com a bunda no muro, por via das dúvidas.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Meus instintos mais primitivos

Ouço na tevê esta música aqui, que é tema de abertura de uma das novelas da Grobo. Só consigo pensar que, na pouco provável hipótese de eu tropeçar numa lâmpada mágica com gênio dentro e o sujeito me conceder a realização de um único desejo, eu escolheria ressuscitar o Gonzaguinha -apenas para ter o prazer de matá-lo de porrada. Forgive me, oh Lord.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Mr. Guavaman’s Jukebox

O Love é uma das minhas bandas de roque preferidas, apesar de ser, como o nome sugere, um bando de hippies californianos (na verdade, o líder e principal compositor, Arthur Lee, nascera em Memphis). De todas as bandas psicodélicas em evidência na segunda metade dos anos 60, deve ter sido a que menos fez sucesso -e é, hoje, a que ficou menos datada. O melhor do grupo está nos quatro primeiros álbuns, com faixas esparsas em alguns outros; seu terceiro disco, “Forever Changes”, lançado no final de 1967, aparece com regularidade (e merecidamente) em listas de melhores do gênero. A música da jukebox de hoje não está nesse álbum, e sim no segundo, “Da Capo” -a pré-punk “Seven & Seven Is”. Bom final de semana.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Pra não dizer que não falei da Olimpíada

Pus de volta foto e frase principal daquela cena de “Sindicato de Ladrões”, com o Marlon Brando e o Rod Steiger. Resume a coisa -e também este país.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Filósofos que batiam um bolão (3)

Não há dúvida de que o meio-campo mais filosófico do futebol brasileiro era o do Corinthians no início da década de 80, com Sócrates, Zenon e o maior de todos os empiristas, Biro-Biro. Durou pouquíssimo. Enquanto Sócrates se dedicava a corromper a juventude com toquinhos de calcanhar e Biro comia a bola, Zenon, dito de Eléia, ficava parado no círculo central -afinal, o movimento era uma ilusão e, se a bola rolando na verdade estava em repouso, por que correr atrás dela, não é? De nada adiantavam os gritos dos colegas. Num dia em que a bola parada foi parar no fundo do gol corintiano, Zenon discutiu com o árbitro: ficou meia hora tentando provar que o 1 a 0 no placar era falso, mediante detalhadíssima explicação do argumento da flecha e do paradoxo de Aquiles e da tartaruga, até que o juiz o expulsou por chatice (“olha, meu filho, ‘cê vai ser dialético lá no chuveiro, está bem?”). Foi o melancólico fim da carreira do eleata, que depois não conseguiu vaga nem em esquete do Monty Python.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Pequena antologia goiabal

Joseph Brodsky (1940-1996)

Também eu aguardei na colunatada Bolsa, outrora, o fim da chuva fria.Julgava-a dom de Deus. E era sensataminha suposição. Pois algum diatambém eu fui feliz. Fui prisioneirodos anjos. Combatia monstro horrendo.Feito Jacó, fitava sorrateirouma beldade -rápido- descendoa escada principal.Aonde tudose foi. Sumiu. Olho janela afora:o “aonde” acima, eu o escrevi, contudo,sem ponto de interrogação. Agoraé setembro. Um trovão distante invademeu ouvido. Eis um horto. Pêras pensas,cheias de seiva nas ramagens densas,parecem signos de virilidade.E o ouvido admite, como gente avaraparentes na cozinha, um som assíduode chuva que, na mente, sem chegar amúsica ainda, é mais do que ruído.

(“Quase uma Elegia”, 1968. A tradução é de Boris Schnaiderman e Nelson Ascher.)