Que tal um Miles Davis de boa safra? Aqui vai “It Never Entered My Mind”, standard da dupla Rodgers & Hart, gravado em 1956 para o álbum “Workin’”. Era a época do “primeiro quinteto clássico” do trompetista, mas o sax tenor de John Coltrane está ausente dessa gravação, em que Miles é acompanhado por Red Garland (piano), Paul Chambers (baixo) e Philly Joe Jones (bateria). Espero que apreciem -e bom fim de semana para vocês.
Arquivo de agosto de 2008
Mr. Guavaman’s Jukebox
Aviso aos navegantes do Firefox
Sim, vocês estão vendo meu blogue todo torto (o que não acontece quando ele é lido com o Internet Explorer). E não, eu não sei como resolver -estamos trabalhando para estar descobrindo. Stay tuned, que o puragoiaba já volta, com mais cubismo involuntário e idéias fora do lugar.
Update: Aparentemente, resolvido. Foi só reduzir o número de posts na página. O problema parece ser com o player do MP3Tube no Firefox.
Saldözismo
Tenho idade suficiente para me lembrar dos bons tempos pré-urna eletrônica. A tecnologia acabou com a coisa mais legal das eleições, talvez a única realmente bacana, que era poder desenhar pirocas na cédula na hora de votar. Ingenuamente, eu acreditava que, eliminada essa diversão, teríamos como contrapartida um upgrade na “festa da democracia” -mas nela, como já escrevi, não se pode beber e, pelo menos lá onde eu voto, só tem gente baranga. Parece a Grande Festa Chata planejada e nunca posta em prática no meu tempo de faculdade, sem o Cynar e a Malt 90 quente.
Gerador de quadros do Jackson Pollock
Brinque você também de expressionismo abstrato:
(A dica é do Thiago, a quem agradeço.)
Sein und Zeit
Todos esses seres que estão “à frente do seu tempo” precisam ser uma espécie de Usain Bolt -melhor, algum recordista de corridas de fundo, de longuíssima distância. Porque, se parar de correr, o tempo chega por trás com tudo e enraba: crau. Prefiro, modestamente, ficar um pouco atrás do meu tempo, só observando. Com a bunda no muro, por via das dúvidas.
Meus instintos mais primitivos
Ouço na tevê esta música aqui, que é tema de abertura de uma das novelas da Grobo. Só consigo pensar que, na pouco provável hipótese de eu tropeçar numa lâmpada mágica com gênio dentro e o sujeito me conceder a realização de um único desejo, eu escolheria ressuscitar o Gonzaguinha -apenas para ter o prazer de matá-lo de porrada. Forgive me, oh Lord.
Mr. Guavaman’s Jukebox
O Love é uma das minhas bandas de roque preferidas, apesar de ser, como o nome sugere, um bando de hippies californianos (na verdade, o líder e principal compositor, Arthur Lee, nascera em Memphis). De todas as bandas psicodélicas em evidência na segunda metade dos anos 60, deve ter sido a que menos fez sucesso -e é, hoje, a que ficou menos datada. O melhor do grupo está nos quatro primeiros álbuns, com faixas esparsas em alguns outros; seu terceiro disco, “Forever Changes”, lançado no final de 1967, aparece com regularidade (e merecidamente) em listas de melhores do gênero. A música da jukebox de hoje não está nesse álbum, e sim no segundo, “Da Capo” -a pré-punk “Seven & Seven Is”. Bom final de semana.
Pra não dizer que não falei da Olimpíada
Pus de volta foto e frase principal daquela cena de “Sindicato de Ladrões”, com o Marlon Brando e o Rod Steiger. Resume a coisa -e também este país.
Filósofos que batiam um bolão (3)
Não há dúvida de que o meio-campo mais filosófico do futebol brasileiro era o do Corinthians no início da década de 80, com Sócrates, Zenon e o maior de todos os empiristas, Biro-Biro. Durou pouquíssimo. Enquanto Sócrates se dedicava a corromper a juventude com toquinhos de calcanhar e Biro comia a bola, Zenon, dito de Eléia, ficava parado no círculo central -afinal, o movimento era uma ilusão e, se a bola rolando na verdade estava em repouso, por que correr atrás dela, não é? De nada adiantavam os gritos dos colegas. Num dia em que a bola parada foi parar no fundo do gol corintiano, Zenon discutiu com o árbitro: ficou meia hora tentando provar que o 1 a 0 no placar era falso, mediante detalhadíssima explicação do argumento da flecha e do paradoxo de Aquiles e da tartaruga, até que o juiz o expulsou por chatice (“olha, meu filho, ‘cê vai ser dialético lá no chuveiro, está bem?”). Foi o melancólico fim da carreira do eleata, que depois não conseguiu vaga nem em esquete do Monty Python.
Pequena antologia goiabal
Joseph Brodsky (1940-1996)
Também eu aguardei na colunatada Bolsa, outrora, o fim da chuva fria.Julgava-a dom de Deus. E era sensataminha suposição. Pois algum diatambém eu fui feliz. Fui prisioneirodos anjos. Combatia monstro horrendo.Feito Jacó, fitava sorrateirouma beldade -rápido- descendoa escada principal.Aonde tudose foi. Sumiu. Olho janela afora:o “aonde” acima, eu o escrevi, contudo,sem ponto de interrogação. Agoraé setembro. Um trovão distante invademeu ouvido. Eis um horto. Pêras pensas,cheias de seiva nas ramagens densas,parecem signos de virilidade.E o ouvido admite, como gente avaraparentes na cozinha, um som assíduode chuva que, na mente, sem chegar amúsica ainda, é mais do que ruído.
(“Quase uma Elegia”, 1968. A tradução é de Boris Schnaiderman e Nelson Ascher.)

