Arquivo de setembro de 2008

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Tudo tem limite

Confesso aqui (e me penitencio por) minha falta de sensibilidade ecológica. As constantes notícias sobre a alta do desmatamento na Amazônia não me comoviam. Mas nunca é tarde demais para cair em si. Se, conforme estão especulando, a devastação atingiu até a hiléia amazônica da Cláudia Ohana (extreme makeover?), a situação é gravíssima. Sendo esse o caso, espero que o companheiro Minc tome providências. Mas alguma coisa -talvez os coletinhos- me diz que o ministro alegará não ser área de sua competência.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Pequena antologia goiabal

Salvatore Quasimodo (1901-1968)

Ognuno sta solo sul cuor della terratrafitto da um raggio di sole:ed è súbito sera.

(“Ed È Subito Sera” -”E De Repente É Noite”-, de 1942. Clicando no linque abaixo, vocês podem ler a tradução do Geraldo Holanda Cavalcanti.)

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Mr. Guavaman’s Jukebox

Para contrabalançar um pouco esse Hardy Har Har aqui ao lado, resolvi botar um sambão, com trombone e coro feminino. Hoje é o clássico minimalista “Eu Quero Essa Mulher Assim Mesmo”, de e com Monsueto Menezes (1924-1973), que o filho da dona Canô regravou numa versão “jazz-rock” -e não ficou ruim, não, principalmente graças à guitarra do Lanny Gordin. Clicando no player aí embaixo, vocês ouvem o original.

Bom fim de semana.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A verdadeira gordura trans

Culpa burguesa é aquela coisa pastosa, quase sólida, que deixa os filmes made in Bananão mais crocantes e os livros mais cremosos. Só que faz mal à beça: consumida em excesso, pode transformar você na Regina Casé.

Vai por mim. Cinema brasileiro, só grelhado -e olhe lá.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Mr. Guavaman’s Jukebox

Semana difícil e pouquíssimo inspirada, mas pelo menos na sexta-feira eu tinha de passar aqui para postar alguma coisa. Hoje, a música da jukebox é de Mark Lanegan, que surgiu como vocalista dos Screaming Trees, uma das primeiras bandas de Seattle a assinar com uma grande gravadora. Para o meu gosto, no entanto, o trabalho solo do Lanegan, em discos como “Whiskey for the Holy Ghost” (belo título), é mais interessante que o do seu antigo grupo. Ele tem também bons “projetos paralelos” -dois álbuns com a Isobel Campbell, ex-Belle and Sebastian, e um com Greg Dulli, ex-Afghan Whigs, sob o nome Gutter Twins- e participações em trabalhos de bandas como o Queens of the Stone Age (“Songs for the Deaf”). Clicando no player aí embaixo, vocês podem ouvir “Wheels”, que está no terceiro álbum solo de Lanegan (“Scraps at Midnight”, lançado em 1998). Bom fim de semana.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Mr. Guavaman’s Jukebox

É dificílimo ler um texto sobre Jonathan Richman em inglês que não contenha palavras como “quirky”, “eccentric” e similares. Não que isso esteja errado, pelo contrário -afinal, trata-se de um precursor do punk, cuja voz já foi classificada como “adenoidal”, que grava músicas sobre a dificuldade de encontrar um jeans que sirva, outras com nomes do tipo “Sou um Aviãozinho” e às vezes álbuns inteiros em espanhol (“Te Vas a Emocionar!”). Talvez por isso mesmo, virou uma figura cult: não há ninguém parecido com Richman, que deve ser mais conhecido no Bananão por sua participação naquela bobagem que é “Quem Vai Ficar com Mary?”.

A música da jukebox de hoje é da primeira formação do grupo de Jonathan Richman, os Modern Lovers, com o futuro talking head Jerry Harrison nos teclados. O primeiro álbum da banda, muito influenciado pelo Velvet Underground, foi gravado em 1973, mas saiu apenas em 1976; clicando abaixo, vocês podem escutar a faixa de abertura, “Roadrunner”, que está no meu top five de músicas-para-ouvir-ao-volante. Bom fim de semana!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

No meio das peladas

Post rápido só para avisar que há uma goiabice na “Playboy” deste mês, com aquela ex-bebebê bunduda na capa. Na seção “Happy Hour”, na página 28, tento provar em um texto curto que João Gilberto (qüem-qüem) é um dos maiores playboys de todos os tempos. Não sei se consegui, mas espero que, entre uma foto e outra, vocês se divirtam.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

“Steve is not happy”

O vídeo acima -dica do Estado Civil- integra a série “mil razões para gostar do YouTube”. Já mencionei aqui, de passagem, o talk show do Charlie Rose, que é considerado um dos melhores da TV americana. Pois bem: o cineasta Andrew Filippone Jr. editou um dos episódios do programa e conseguiu transformá-lo… numa peça do Samuel Beckett (um “monólogo a dois”, como vocês verão). O que me faz pensar que isso seria ainda mais fácil no Bananão, onde certos talk shows, sem edição nenhuma, já parecem extraídos de alguma peça do Ionesco; pena não termos tido a idéia antes.

Enfim, cliquem aí em cima, have fun.

Update: parece que a versão “embedded” do vídeo não está disponível devido a manutenção no YouTube, mas você pode vê-lo clicando aqui.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Mr. Guavaman’s Jukebox

Atrasada hoje, mas ainda é sexta-feira, afinal. Deixo vocês com o bandoneón de Astor Piazzolla e o sax barítono de Gerry Mulligan em “Years of Solitude”, composta pelo primeiro -talvez a faixa mais conhecida (e minha favorita) de “Summit”, álbum que o argentino e o americano gravaram em 1974. Espero que os senhores apreciem. Bom fim de semana!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A alma trágica brasileira

Photobucket

Não se fazem mais cantores da estirpe de Waldick Soriano, em cujas músicas o grande dilema da condição humana -ser ou não ser corno- ganhava reverberações de tragédia grega. Até porque, como em toda tragédia digna do nome, a opção “não ser” não existia de fato; também os deuses corneavam e eram corneados naquela putaria que era o Olimpo.

Ainda temos Odair José, è vero; mas, mesmo assim, tiro meu chapelão preto e meus óculos escuros, mesmo metafóricos, para Waldick. RIP.