Em homenagem à “Bienal do Vazio” -com vê maiúsculo, para acentuar o caráter metafísico da coisa-, ao branco conceitual radiante e a toda essa gente que fez fama e fortuna reprisando as pegadinhas do Duchamp, a jukebox de hoje traz Jards Macalé cantando um clássico de Moreira da Silva (originalmente composto por Miguel “Pra Frente, Brasil” Gustavo), “O Conto do Pintor”. Atualíssimo, como vocês ouvirão. Bom fim de semana.
Arquivo de outubro de 2008
Mr. Guavaman’s Jukebox
Ma jeunesse fout le camp
Salut. Continuam vindo aqui? Eu não tenho nada a dizer nem vontade de escrever -só de ficar ouvindo a chuva. Mas, para que isto não fique muito abandonado, deixo uma Françoise Hardy com vocês; se alguém quiser cantar junto, é só clicar no linque “continue reading”, ali no pé. Bonsoir.
Mr. Guavaman’s Jukebox
Desta vez não é uma música só, são várias -graças a esta moça, eu me meti no Blip.fm, que acaba sendo mais parecido com uma jukebox de verdade. Cliquem aqui para ouvir minha rádio -hope you enjoy. Bom fim de semana.
As guria tão tri a fim
Leio que Menstruação Buarque de Holanda, o Chico, parou de dar em Budapeste, foi dar em Porto Alegre e gravou um depoimento de apoio à candidata do PT à prefeitura. Além de ser um expediente que costuma não funcionar, no caso da capital gaúcha, há um algo mais: qual forasteiro, ainda mais carioca e fanho, conseguiria ombrear com Kleiton & Kledir? O Fogaça, candidato à reeleição, pode ser uma bosta de prefeito (não sei se o é), mas já garantiu sua imortalidade como personagem de letra da dupla -e, vejam bem, não é qualquer letra: é aquela que contém o verso mais genial da emepebê nos últimos 40 anos, “coisas de magia, sei lá”. (Se bem que eu sempre fico em dúvida entre esse e o clássico “o amor é uma coisa mais profunda que uma transa sensual”, do Belchior; páreo duro indeed.)
Microantologia goiabal
Rainer Maria Rilke (1875-1926)
Entre os martelos persistenosso coração, assim como a língua,entre os dentes, continua a louvar,malgrado tudo.
(Trechinho da nona das “Elegias de Duíno”, de 1922. A tradução é do José Paulo Paes.)
Mr. Guavaman’s Jukebox
Tenho a impressão de ter visto em algum lugar do noticiário on-line -embora minha memória ande cada vez menos confiável- um texto sobre a comemoração dos 50 anos do “Kind of Blue”, considerado por boa parte da crítica o melhor álbum do Miles Davis. Se foi isso mesmo, estava errado, porque o disco é de 1959; mas celebrar seus 49 anos também é um ótimo pretexto para a minha jukebox. Clicando no player, vocês ouvem o “dream team” que Miles reuniu para essa gravação (além dele mesmo no trompete, John Coltrane no sax tenor, Cannonball Adderley no sax alto, Bill Evans no piano, Paul Chambers no baixo e Jimmy Cobb na bateria) tocando a faixa final do álbum, os nove minutos e meio de “Flamenco Sketches”. Bom finde.
Suspensão da descrença
Se houvesse uma Olimpíada dessa modalidade inventada pelo Coleridge, meu candidato à medalha de ouro seria este telefilme ruim que passou hoje de madrugada na Grobo. O problema nem é, necessariamente, ser ruim -todo mundo sabe que há vários good bad movies por aí. Mas -good golly, miss Molly!- escalar um ator de 1,91 m para interpretar o Little Richard é o que eu chamo de exigir demais da boa vontade do espectador.
As palavras mais feias da língua portuguesa
Estagflação, s.f.: a) Mistura de estagnação econômica com inflação, também conhecida como “o pior dos mundos possíveis”, “shitstorm“, “agora fodeu” etc. b) Etimologicamente, o que ocorre quando um poeta concretino e um economista procriam: um bebê-de-rosemary da língua.
(Vade retro!)
Mercados bipolares
Na semana passada, depressão; nesta, euforia. Como ninguém cogitou bombardear com lítio os prédios das Bolsas de Valores pelo mundo? Só cocada boa (d’après Bezerra da Silva) parece não estar funcionando.
Gentalha, gentalha
Então o partido que se notabilizou pela “defesa das minorias” resolveu agora ser homofóbico -e da maneira mais escrota e covarde possível, via insinuação maldosa (a diferença entre blogues de humor e propaganda eleitoral, paga por nós, em cadeia de rádio e TV deveria ser óbvia o suficiente para que eu não precisasse desenhar, mas levo em conta os eventuais problemas de conexão entre o Tico e o Teco de quem me lê). Enfim, típico: é a mesma legenda que passou 25 anos clamando por ética na política e mudou o discurso para “só fizemos o que todo mundo faz”. Espero que as bichas e sapatas percebam o quanto foram usadas como stepping stone por essa gente vagabunda -e que se importem com isso.
(Possíveis “próximos capítulos” da campanha: “É casado? Tem filhos? Pisa na chapinha? Joga água fora da bacia? Dá ré no quibe?” Coisa linda indeed.)

