« Grande tolicionário dos clichês esportivos | Main | Ô, Cride, fala pro chefe »

I've seen the future, brother: it is murder

Prevejo que a música do século 22 será cheia de releituras, resgates e mixes de megamodernidade com ultradecrepitude. Os ouvintes disporão de um riquíssimo cardápio de opções musicais. Teremos, como imaginou o Cabide d'Ashkalsa, o pagode progressivo, com 23 minutos e meio de "ele vai dar uma bombada na barata dela". Haverá o pancadão sinfônico, que em termos de hoje seria algo como a fusão de Tati Quebra-Barraco com a Orquestra da Rádio Bávara. Haverá também o forró do Véio Cage, que consistirá em não tocar a sanfona, a zabumba e o triângulo por quatro minutos e trinta e três segundos. Teremos ainda o axé dodecafônico, o tecnomaxixe, a thrash polca. O roquenrol será substituído por uma sonda anal que dá choquinho, e sofisticados ouvirão coisas como a transcrição para berimbau de "Giant Steps". Mas até lá, felizmente, estarei morto.

Comments

Isnard, na verdade, não estamos no apocalipse, e sim, no ApoCalypso!

oh brother...
e releituras sinfònicas da Britney Spears, grande clássico recém-redescoberto do início do século passado. Dizem que grande mesmo era a mestra dela, mas infelizmente ela destruiu todos os exemplares de seus discos um pouco antes de se retirar para o Tibete com os filhos, onde meditam e praticam ioga até hoje, todos bicentenários.
Certas coisas não mudam nunca.

hehehe... até hoje o Lobão chama o cara de "Marick Patraz".

Agradeçamos ao Lobão a inviabilidade do pagode progressivo no Brasil.
O Patrick Moraz veio ao Brasil para produzir o Vímana; porém o baterista sempre faltava. Moraz um dia saiu do estúdio mais cedo e flagrou uma jam session em casa - bem na hora que sua mulher fazia um solo na flauta do Lobão.
O tecladista do Yes, desiludido, voltou pra Suíça.
Se não fosse isso, teríamos megashows do Só Pra Contrariar, álbuns conceituais do Salgadinho, suítes de 23 minutos do ArtPopular...

(N. do E.: Três vivas para o Lobão, Serbon. :) Abraços.)

Que horror! Espero estar mortinha tb.

Off topic, sorry.

Você vai postar algo sobre a morte do Ronald Golias? Acho que temos alguma obrigação moral, não acha?

Abraço,

Roberto

(N. do E.: Não sei se "obrigação moral" é o termo, Roberto, mas, de fato, quero muito escrever sobre o assunto. E sobre o Don "Maxwell Smart" Adams também. Vamos ver se consigo. Abraços.)

Vou tentar morrer no Irã, onde nada pode mudar e esse tipo de música é proibido. Temo que, morrendo no Brasil, mesmo decomposta eu possa sentir a reverberação dessas coisas na terra.

Isnard, meu caro, nâo serão trombetas e sim um trio elétrico baiano. Aí o chão se partirá e sairão do chão milhares de demônios com abadás!

Caro Ruy Goiaba

Olhando o template de seu blog lá embaixo e aproveitando o post, indago: será que os CDs autografados do Agnaldo Timóteo valem mais que os autografados pelo Dicró? (Sem levar em consideração que o álbum de hits deste último inclui o "Melô do Galinha").

(N. do E.: Devem valer, Rafael. Melhor ainda se tiverem autógrafos do Timóteo e do Malufão. :) Abraços.)

Que bom que eu também estarei morto. Seria isso tudo um sinal dos tempos? As tais trombetas do apocalipse?

Isso tá acontecendo desde março de 89. Não?

(N. do E.: Nem tudo, Enio, nem tudo. O axé dodecafônico, para citar só um exemplo, eu ainda não vi por aí. Ainda temos tempo para nos salvar. :) Abraços.)

E pior.
Junte-se a isso o fato de os dançarinos do Grupo Carrapixo (versão 15.2c) serem clones do original, ainda teremos que aturar durante muito tempo o Serguey do amazônas.

Não há limites para o mal.

Sim... mas quando morrerá Regina Casé?

Algumas dessas coisas já há. Mas berimbau não, por misericórdia :-)

Quer chorar? Procure "pagode progressivo" neste endereço: http://progressive.homestead.com/BRAZILREVIEW.html

Trocou de template e virou adivinho, Ruy? Que visão prospectiva é essa? Entre outras barbaridades, só porque o trouxemos um pouco ao Brasil que você está prevendo um forró calado de Véio defunto? Não adianta estarmos mortos no século 22 se você já fica antecipando a tragédia, poxa...

(N. do E.: Sheila, pense como o Brás Cubas: "Senhores vivos, não há nada tão incomensurável como o desdém dos finados". :) Beijo.)

Ruy,

eu e o Marcos estamos deveras preocupados, uma vez que cometemos filhos em um passado recente. O que será que eles nos obrigarão a ouvir em volume máximo nas fatídicas tardes de domingo? Acredite: já existe um techno-farofa com o famoso "I have a dream" de Martin Luther King misturado com pumperô (ou pamperô?). Acho que a profecia se realizará bem antes do século 22 e ainda o pegará VIVO!!!

Besos,
da Thania

Post a comment

(If you haven't left a comment here before, you may need to be approved by the site owner before your comment will appear. Until then, it won't appear on the entry. Thanks for waiting.)