Pequena antologia goiabal
Eugenio Montale (1896-1981)
Credi che il pessimismo
sia davvero esistito? Se mi guardo
d'attorno non ne è traccia.
Dentro di noi, poi, non una voce
che si lagni. Se piango è un controcanto
per arrichire il grande
paese di cuccagna ch'è il domani.
Abbiamo ben grattato col raschino
ogni eruzione del pensiero. Ora
tutti i colori esaltano la nostra tavolozza,
escluso il nero.
("Il Raschino", em "Satura", 1962-1970.)
Aqui vai a versão para o português feita por Geraldo Holanda Cavalcanti ("Eugenio Montale - Poesias", Record, 1997). Observo aos senhores leitores que o tradutor grafa mesmo "palheta", não "paleta".
A Espátula
Tu crês que o pessimismo
tenha realmente existido? Se olho
em volta, dele não encontro vestígio.
Dentro de nós, ademais, nem uma voz
que se queixe. Se choro é o contraponto
para enriquecer o grande
país de cocanha que é o amanhã.
Já bem raspamos com a espátula
cada erupção do pensamento. Agora
todas as cores exaltam nossa palheta,
salvo o negro.
Comments
Ei...procuro para comprar o livro "Quingumbo - Nova Poesia Norte Americana". Vc sabe alguém que o tem? Alguém que queira vender. Obrigado!
Alexandre
(N. do E.: Não sei, Alexandre. Talvez o Rodrigo de Lemos -colega de portal que conhece o livro- ou outro leitor saiba. Abraços.)
Posted by: Alexandre | abril 5, 2006 12:38 AM
Lindo poema! Eu adoro seu blog, seu estilo non-sense, já conheço você de visitas, mas sei lá porque só hoje resolvi comentar. Deve ser porque agora tenho blog e sei como é legal a voz rouca das ruas virtuais.
besos,
Helena
(N. do E.: Helena, muito obrigado pelos elogios. Apareça sempre, beijos.)
Posted by: Helena | outubro 11, 2005 08:49 PM
Que manhã!
Montale, um dos meus favoritos.
"L'iride breve..."
Mas é necessário dizer que ele não tem poemas bons. (claro, que de intrometida, estou falando com o Rodrigo de Lemos, cujo blog eu adoro - vc deixa, não deixa, Ruy?:-)] - e cuja dica é maravilhosa: ele é um poeta completo e praticamente ímpar na poesia, digamos, contemporânea ou moderna se se preferir este termo.
E, Ruy e Rodrigo, vocês conhecem os inéditos e póstumos de Montale (poemas que ele escreveu de 1969 a 1979) por certo, não?. Os poemas cuja cronograma de publicação ele mesmo planejou, já em Firenze.
Qunato a tradução, acho engraçado, pois o Montale já é hermético e complexo, e algumas alusões dele são extremamente pessoais - e o tradutor vem e escolhe palheta !
Como diz meu querido Uncle Filthy: 'se bem sejam sinônimas', paleta é muito mais refinado e poético.
***
Ruy, estou envergonhada de ter escrito tanta tolice. Se achar inconveniente delete, por favor, Ok?
É que me entusiasmei com a serendipity: no hosp. minha lectrice leu para mim, há poucos dias, Montale e Leopardi.
Um beijo e sim, a Antologia Goiabal é preciosa, peerless.
M.
(N. do E.: Tolice nenhuma, Meg querida, deixe disso. :) Também acho que o Montale nem sempre acertava, sobretudo nos últimos anos -imagino que você tenha querido dizer "ele tem poemas que não são bons", não é isso? Beijo grande.)
Posted by: Meg (subrosa) | outubro 7, 2005 09:24 AM
hey, robert bringhusrt! tem um bom número de poemas dele publicados numa coletânea da década de 80 com nome estrombótico: "quingumbo: nova poesia norte-americana". se não me engano, é neste livro que estão as traduções do joão cabral de melo neto para alguns poemas dele. a coletânea toda é bilingüe, mas com um tradutor desses nem precisava :-).
(N. do E.: Opa, Rodrigo, muito obrigado pela dica. Abraços!)
Posted by: rodrigo de lemos, o bibliografeiro-maluco | outubro 7, 2005 09:04 AM
Essa sua antologia goiabal vale ouro. Aquele poema de Robert Bringhurst que você postou aqui entrou para minha própria antologia (pena que nunca encontrei nada dele). E este poema do Montale também é muito bonito. Comprei num sebo aquela antologia da Companhia das Letras por cinco realezas, apenas. Um achado. Abraço,
(N. do E.: Muito obrigado, Ludovico. Não entendo por que o Bringhurst é tão pouco divulgado; descobri aquele poema graças ao pessoal de uma revista chamada "Azougue". Abraços.)
Posted by: ludovico | outubro 6, 2005 08:22 PM
montale é muito bom. pena que não se conhece tanto de poesia moderna italiana hoje em dia no brasil - a idéia de que poeta italiano é dante e só, etc.
existem bons poemas dele - e do quasimodo e do ungaretti - no livro do hugo freidrich sobre a lírica moderna. uma boa antologia de poesia moderna românica, não sei se você conhece: italianos, espanhóis que eu não conhecia e uns alemães também.
abraço, e parabéns pelo novo layout, lá-ri-rá.
:-)
(N. do E.: Rodrigo, meu caro, bem-vindo à nova casa. Aliás, gostei muito daquele seu "Hugh Selwyn Mauberley". :) Já ouvi falar do livro do Hugo Friedrich, mas nunca o li; agradeço pela dica. Abraços.)
Posted by: rodrigo de lemos | outubro 6, 2005 04:17 PM