O cinema brasileiro precisa de BIFA
Leio no blogue do Sérgio Dávila que o novo filme do Fernando Meirelles, "O Putanheiro Fiel" ou algo assim, obteve o maior número de indicações para o British Independent Film Awards deste ano. Puxa, como ninguém pensou nisso antes? É só substituir "British" por "Bananão's", com aquele apóstrofo especialmente chique: mantendo a sigla -BIFA-, obteremos o prêmio ideal para o cinema brasileiro. Que bonita seria, na noite de entrega, a generosa distribuição de BIFAS a cineastas, atores e atrizes, incluindo uma homenagem póstuma a Glauber Rocha (BIFA especial, pelo conjunto da obra). E que rara satisfação ver dinheiro público ser bem empregado. Amigos, BIFA -na caixa-alta mais alta possível- é a salvação da indústria cinematográfica botocúndica. Chega desse papo de Palma de Ouro -que, como o nome diz, premia filmes feitos por e para punheteiros.
Comments
Eu quero entregar a BIFA de melhor ator ao Seu Jorge...
Posted by: Elton | novembro 18, 2005 09:36 PM
Hahaha, boa.
Mas vejo dois problemas. Primeiro, os cineastas brasileiros podem acabar gostando de tomar umas BIFAs. Eles vão fazer discursos sobre como a BIFA que eles tomaram é apenas sintoma de um problema social enooorme, etc.
Outro é que é difícil superar "kikito".
(N. do E.: Rafael, estive pensando nisso outro dia, depois de escrever o post. Um cinema que tem um troço chamado "kikito" como principal prêmio não tem como ser bem-sucedido. Abraços.)
Posted by: Rafael Caetano | novembro 7, 2005 05:59 PM
e' triste falar, mas truffaut tambem era financiado pelo Estado (nao que eu esteja comparando algum diretor brasileiro a ele, mas ainda assim)
(N. do E.: Ué, nada necessariamente contra, João. Deve-se questionar o princípio, perguntar porque dinheiro público tem de subsidiar cineastas etc. Mas, pessoalmente, não acharia tão ruim que me tungassem para subsidiar um Truffaut; com Neville d'Almeida, convenhamos, a coisa é diferente. E, aliás, não tenho certeza disso que você diz: os filmes do Trufô eram mais baratos que os do "cinemão" francês e costumavam, no mínimo, se pagar. Saudações.)
Posted by: joao | outubro 26, 2005 06:57 PM
Caro Ruy,
Se eu fizesse parte do júri, acho que não conseguiria resistir à tentação de dar BIFAs para todos os cineastas brasileiros, indistintamente. Outra possibilidade seria tornar o BIFA um prêmio mensal, que escolhesse diretores vivos (o mundo não é um lugar perfeito) ou mortos. Isso permitiria premiar no primeiro ano do BIFA Cacá Diegues, Arnaldo Jabor, Nélson Pereira dos Santos, Neville D'Almeida, Hugo Carvana, Breno Silveira, Mara Mourão, Guilherme Fontes (BIFA de melhor filme não realizado, ou de dinheiro oficial desviado), Braz Chediak, Júlio Bressane (talvez o pior de todos, por fazer filmes que mesclam pretensão e chatice em doses iguais e cavalares), Rogério Sganzerla e Glauber Rocha.
Um abraço,
Marcos
Posted by: Marcos Matamoros | outubro 26, 2005 04:37 PM
O totêmico Froid já deve ter escrito algo sobre a predominância do formato fálico nos troféus de premiação (e a propalada, e por mim presumida, dificuldade de encontrar índios gays deve ter alguma relação com o fato de seu troféu ser um escalpo e, em algumas tribos, a festa culminar com o vencedor comendo o vencido).
Mas por ora não tenho dados objetivos que comprovem que, na solenidade premiação, cineastas sacolejam mais o troféu do que outras categorias profissionais. Posso, somente por inferência, imaginar que é assim.
Já o piloto de F1 que esporra o champanha sobre os colegas de equipe deve fazer aquilo por sacanagem, pois sabemos que a principal motivação de um piloto de corrida é a lembrança da regra maçônica "quem passa pelo adversário tem o direito de dar uma dedada".
Posted by: Roger Prado | outubro 26, 2005 03:33 PM
Não seja de todo ingrato, Ruyzinho. O cinema nacional faz aflorar o melhor em você.
Beijo
N.G.
P.S.: Uau! ganhei um link aqui? Alguém me belisque, por favor.
(N. do E.: Nariz, o linque está aí já faz um tempinho -eu o incluí pouco depois de estrear o novo leiaute. É merecido. Beijo.)
Posted by: Nariz Gelado | outubro 26, 2005 02:30 PM
Mas o Glauber já entrou pelo Cannes.
Posted by: Igor Taam | outubro 26, 2005 01:55 PM
Palma de Ouro também remete a palmear. Uma atividade que tem tudo a ver com o escurinho do cinema. Vários críticos de cinema assumidos começaram assim, palmeando e patolando em poltronas meladas pelos eflúvios da genialidade de Glauber Rocha e Arnaldo Jabor...
Posted by: pedro só | outubro 26, 2005 12:48 PM