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novembro 30, 2005

Fatos e versões

Não vi, mas me contaram -e cada um de um jeito diferente. Disseram que o autor das bengaladas foi Papai Noel, Ernest Hemingway, dom Pedro 2º, o Velho do Rio e o velho Gepetto, inconformado com o mau comportamento de seu filho Pinóquio. O problema é que o pessoal parece não saber que, nesse caso, bengalada não funciona: só com estaca de madeira mesmo.

Bem, quem sabe Van Helsing se manifeste hoje.

Posted by Ruy Goiaba at 06:21 PM | Comments (7)

novembro 23, 2005

Yuri Gagarin's farted-up spacesuit

Diálogo totalmente inverídico entre o futuro astronauta brasileiro e a equipe russa que o acompanha: "Továrich, esta é a roupa que você usará em sua missão. É velha, suja, puída e descosturada, mas de valor histórico inestimável: Gagárin peidou aqui. Além disso, temos a bordo boa vodca, ainda melhor na gravidade zero, e uma matrioshka inflável para seus instantes de solidão. Algum problema?" "Não, senhor, é uma honra. Só tenho uma dúvida." "Sim?" "Posso dar uma sambadinha para as câmeras da estação?" "Não. Não combina com sua trilha sonora, que será 'Space Oddity'.'Ground control to major Tom...'" "Não pode ser 'Starman' na versão do Nenhum de Nós?". "Claro que não. Esculhambação tem limite."

Posted by Ruy Goiaba at 11:08 AM | Comments (7)

novembro 21, 2005

Se Milos Forman vivesse no Bananão...

...eu iria ao cinema assistir a "O Povo contra João Kleber".

(Pó rodar, Pikachu!)

Posted by Ruy Goiaba at 06:43 PM | Comments (1)

novembro 20, 2005

Negão é o teu passadis

E os jornais dizem que Ouro Preto mudou o lema em latim de sua bandeira (coisa tradicional, dos bons tempos em que as bandeiras estropiavam a língua e os versos de Virgílio, como em "liberdade que embora tardia". De toda forma, não seria desagradável viver num lugar cuja bandeira tivesse os dizeres "coxobus suculentus, pectus fartus": locus amoenus é isso aí. Mas divago). A frase na bandeira ouro-pretana era "precioso, embora negro" -referência ao ouro coberto por óxido de ferro- e virou "precioso ouro negro". Seria louvável, se não fosse vergonhosamente incompleto. E o nome da cidade, em que o Ouro continua a ser, preconceituosamente, chamado de Preto? Façam o serviço completo, raios: enquanto não mudarem para Ouro Afro-Brasileiro, não ponho meus pés lá. E vou protestar enrolado na bandeira da Paraíba, mulher-macho, sim, senhor -a única deste país que tem coragem bastante para dizer NEGO em caixa-alta.

Posted by Ruy Goiaba at 09:55 PM | Comments (5)

novembro 18, 2005

Conversaciones con paredes

E então o muro do Araçá, do lado de quem desce pela Cardoso de Almeida, dizia aos passantes, além do clássico "Jô Soares solta o anel", a frase "Para mim você é problema seu! Acho chique!". Por alguns segundos, enquanto eu seguia na direção do Pacaembu, minha vida mudou de perspectiva. Sempre soube que eu era problema meu, mas jamais imaginei que isso fosse chique. Já na altura do estádio, mudei de idéia: não, pensei, chique mesmo é você ser o problema dos outros. Todo político é, por definição, chiquérrimo -por isso comprar um ou dois deputados custa tão caro. É para quem pode, né? (Sim, estou de volta, mas com moderação. Bonsoir.)

Posted by Ruy Goiaba at 10:06 PM | Comments (3)

novembro 06, 2005

Keep on trucking

Puragoiaba: quatro anos nesta noite, três mudanças de endereço, dois portais, um livro, zero de comportamento. Às vezes, dez no quesito diversão -se não alheia, ao menos minha. É o estritamente suficiente para passar raspando, e pretendo que continue enquanto for divertido. Zagallo é meu pastor e pasto não me faltará: "Vocês vão ter que me engolir!".

Posted by Ruy Goiaba at 12:30 AM | Comments (41)

novembro 02, 2005

Nada a declarar, senhores do conselho

Talvez eu faça aqui no blogue uma "semana do saco cheio", para relembrar os bons e velhos tempos de faculdade -que não são tão velhos assim, muito menos bons. Talvez ela dure mais que uma semana, talvez menos. Volto quando encontrar alguma idéia indigna em si, mas digna de figurar neste bestialógico. Enquanto isso, fiquem com este poema de Paul Celan (1920-1970), na tradução para o inglês de Michael Hamburger (a alface, o queijo, o molho especial etc. estão em falta, mas bom proveito mesmo assim).

Count the almonds,
count what was bitter and kept you awake,
count me in:

I looked for your eye when you opened it, no one was looking at you,
I spun that secret thread
on which the dew you were thinking
slid down to the jugs
guarded by words that to no one's heart found their way.

Only there did you wholly enter the name that is yours,
sure-footed stepped into yourself,
freely the hammers swung in the bell frame of your silence,
the listened for reached you,
what is dead put its arm round you also
and the three of you walked through the evening.

Make me bitter.
Count me among the almonds.

Posted by Ruy Goiaba at 12:31 AM | Comments (3)