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Temos vagas para arúspices

É difícil que tenha havido na história deste planeta redondo porém chato gente mais supersticiosa que os romanos. Tudo era augúrio: se no solstício de inverno uma pomba cagasse na encosta oeste do monte Aventino entre o meio-dia e as três da tarde, os patrícios sabiam que não deveriam sair de casa, leis deixavam de ser promulgadas, os debates no Senado eram suspensos etc. Seres evoluídos, esclarecidos e muderrrnos como nós, naturalmente, tendem a rir dessas coisas. Está errado -no fundo, é uma questão semiótica, de saber ler os signos. Tive certeza disso na semana retrasada, em visita ao buraco que é o centro de São Paulo. A bichinha cantando Maria Bethânia, em altíssimos brados, diante daquele prédio ("ABEEEELHA RAIIIINHA, FAAAAZ DE MIIIIM UM INSTRUMENTO DO TEU PRAZEEER") era o sinal mais inequívoco possível de que o resto do meu dia seria uma merda: a pomba produziu um Everest de bosta na face oeste do Aventino e eu não notei. Pode rir da minha cara, Suetônio.

Comments

AHAHAHAHAHAHA!!!!
Eu conheço essa figura, já vi ele cantando na frente do Banco Real, em ritmo de marchinha: "Pau, pau, pau, pau, pau / Nenhum banco é real"
E também teve a vez que pediram pra ele fazer serenata de sacanagem para um cara num escritório em um prédio ali e ele gritava: "Wellington! / Você foi / Wellington!!! / O maior dos meus casos... etc."
Isso sem contar a coreografia, é impagável.

(N. do E.: Que sacanagem com o Wellington, Julia. Beijos.)

Cacete, que visão do inferno!
Isso poderia ser até o vaticínio do fim dos tempos...

(N. do E.: Não duvido nada, Moziel. Abraços.)

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