Puxa, quanta sutileza
De vez em quando, a publicidade brasileira é uma coisa muito feena. Aqui em São Paulo, propagandas do laboratório farmacêutico que produz o Viagra mostram casais jovens e felizes, com aquela cara de estamos-de-bem-com-a-vida característica das embalagens do leite Molico, brincando com uma grande bola azul. Sutil e chique em excesso, eu diria. Levando em conta o público-alvo do Bananão, seria mais eficaz, por exemplo, retratar marido e mulher trepados numa escada enquanto pintam as paredes da casa e fazer o homem arremessar a broxa longe, espalhando tinta branca em abundância (o efeito seria melhor numa versão filmada, em que a alusão ao Kubrick ficasse mais evidente). Ou, num registro mais roots, "Dois Filhos de Francisco" e tal, mostrar o seu Zé e a dona Maria no campo, suados e contentes, em pleno ato de enterrar a mandioca. (Isto é que é falar a língua do povo, companheiros. Mando pegar na mandioca do seu Zé e dizer ailóviu o próximo neguinho que vier me chamar de elitista.)
Comments
Eu que achava que sexo ruim era como enterro de anão, alta de psicanálise... mas não é que existe mesmo?
Fato é, pobres ou ricos, todos podem ser, ou algun dia tornar-se, eventual, definitiva ou temporariamente, broxas.
Só queria que alguma Pfizer inventasse algum QUALITY improver, porque na mão (ou no *) de muita gente, essa bolinha azul pode se tornar uma arma...
Posted by: Criss My Ass | abril 6, 2006 08:11 PM
CARÁLIO, absolutamente genial!
(N. do E.: Exagero seu, Paulo, mas agradeço. []s.)
Posted by: Paulo Gontijo | março 25, 2006 12:58 AM
Where have you gone, Ruy Goiabbio? A nation turns its lonely eyes to you, uuu...
(N. do E.: Opa, cossaco. É uma mistura de excesso de trabalho pós-Carnaval com falta de inspiração pra escrever. Mas volto logo, se os deuses ajudarem; stay tuned, y'all. Abraços gerais.)
Posted by: Marcelo | março 6, 2006 02:14 PM
Brilhante, véio...:-)
Posted by: MarcosVP | março 6, 2006 09:29 AM
Como eu sei que o senhor curte o Baiano Meloso, dá uma passadinha lá em casa.
Posted by: Mikhail Askhalsa | março 2, 2006 10:18 PM
Ruy, querido. Estou tão burra quanto a maioria dos que fazem a proganda no Brasil e por isso não sei dizer de maneira mais bonita que voce continua sendo *o* melhor.
Ou como se dizia antes: você está tinindo.
E me fazendo rir muito, mesmo indormida como estou.
Um beijo.
Posted by: Meg (subrosa) | março 2, 2006 08:02 AM
Aqui a coisa é menos sutil e igualmente ridícula: a propaganda desse produto "azul" diz coisas como "Pfizer evitando mais um divórcio" ou "fazendo sua mulher feliz" e outras "por el estilo"... (eu disse "por el estilo", não literalmente, que eu não sou boa pra citar de cabeça nem o que eu gosto... mas é bem assim mesmo, pode crer.)
Posted by: Francesca | fevereiro 28, 2006 01:20 AM
Melhor. Podiam aproveitar o clima carnavalesco e fazer uma campanha com a gloriosa marchinha do Patrão: "a pipa do vovô não sobe mais/a pipa do vovô não sobe mais/apesar de fazer muita força/o vovô foi passado pra trás". E aí entra o Pelé: "no tempo em que eu jogava futebol, ninguém tinha desses problemas, ou pelo menos ninguém admitia. Mas milhões de homens, muitas vezes este estádio cheinho, têm problemas de empinamento de pipa. Se o seu papagaio anda passando você pra trás, procure seu médico. Eu procuraria." E o comercial terminaria com uma turma de coroas vestidos de azul empinando pipas no parque.
Posted by: Mikhail Askhalsa | fevereiro 27, 2006 10:43 PM
Eles poderiam colocar alguns quarentões empinando pipa. Um deles não consegue fazer levantar. Os outros conseguem, e as pipas deles são azuis.
Um dos azuis chega perto e diz:
- Hei, amigo. Será que não está na hora de procurar ajuda?
(corta)
Aparecem os amigos com pipas azuis e vem correndo o amigo "com dificuldades" sorrindo e mostrando a sua pipa azul.
Os amigos riem e dizem:
- Ah!, finalmente.
Pfizer.
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Ou um cara que tenta pegar um elevador, mas estão sempre lotados, e quando vai entrar outros caras empurram ele para fora. Ele observa que alguns homens com a roupa toda azul, rosto pintado de azul, chapéu azul, etc, entram sem dificuldade.
Ele fala sozinho:
- Mas que diabos está acontecendo aqui?
Um azul escuta e responde:
- Já pensou em procurar ajuda para subir?
Ele faz cara de "e não é que é mesmo!"
(corta)
Ele chega no prédio todo vestido de azul, está sorridente e entra num elevador cheio de mulheres sem nenhuma dificuldade. A ascensorista pergunta:
- Sobe, senhor?
Ele dá aquele sorriso, olha para as meninas que também sorriem e diz zombeteiro:
- Claro que sobe.
Todos riem.
Pfizer.
Posted by: Sesti | fevereiro 26, 2006 05:14 PM
Tem um anúncio de absorvente feminino em que a cidade é inundada pela hemorragia de todas as meninas que estavam "de moranguinho" naquele dia, naquela cidade. Um mimo de sanguinho azul-bebê...
Posted by: rafael | fevereiro 24, 2006 11:09 PM
Ruy... tu é dazelite e não tinha me contado?
Um beijo.
(N. do E.: Já me disseram que, aqui no Bananão, qualquer um que consiga concatenar sujeito, verbo e predicado é dazelite, Nariz. E você também é beeem elitista; não venha querer disfarçar agora. :) Beijos.)
Posted by: Nariz Gelado | fevereiro 24, 2006 08:48 PM
Eu ainda prefiro aquela do Pelé: "No meu tempo, ninguém sofria disso. Procure seu médico, eu procuraria." O que Edson era antes do Nascimento, né?
Posted by: Mikhail Askhalsa | fevereiro 24, 2006 07:27 PM
Não me diga que te chamam de elitista! O critério qual é? Eu imagino: "Quanto mais chato, menos elitista. Quanto menos chato, mais elitista. O índice de elitismo é proporcionalmente inverso ao índice de chatice."
Deve ser esse o critério, lá deles...
(N. do E.: Jorge, agradeço pela parte que me toca, mas é aquela história: ao que parece, qualquer um que não ache a esquerda maravilhosa se torna, ipso facto, um Justo Veríssimo com "nojo de pobre". Quem me conhece sabe que meu mantra é o do Professor Raimundo: "E o salário, ó". :) Abraços.)
Posted by: Jorge Nobre | fevereiro 24, 2006 11:21 AM