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A, E, I, O, U, Ypsylone

Creiam: o Y deixa tudo mais chique. É o ingrediente mágico que confere a qualquer palavra, sobretudo nomes próprios, luxo, glamour e riqueza. (Sou Ruy com Y, mas Goiaba sem, o que é um destino: estou condenado, desde o nascimento, a ser no máximo semichique, o que talvez explique meu gosto por combinar mocassim com moletom.) Enquanto não se faz aquela tese antropológica sobre a criatividade brasileira aplicada ao batismo dos filhos, pensem em quão mais pobre, no sentido estético, seria a palavra "Richarlysson" -jogador cujo futebol é tão belo quanto seu nome- sem esse Y colocado estrategicamente antes dos SS. Pensaram? Pois é.

Ah, mas também já fui brasileiro, moreno e preconceituoso como vocês. Já escarneci do Y, já o considerei atestado de cafonice irredimível. Há uns 15 anos, um amigo me falava da possibilidade de K, W e Y serem incorporados ao alfabeto em português: "Que coisa mais inútil! O que é que a gente vai escrever com Y? Ynhame?". Juro -esse "ynhame" provocou o maior ataque de riso da minha vida. Quase precisei de um balão de oxigênio. Tudo culpa do ridículo que eu via no Y (admito que Glauber Rocha, legytymo defensor do kynema brazyleiro, ajudou bastante).

Houve, porém, um momento de iluminação, em que me rendi aos poderes do Y. Foi na frente de um boteco em Piçaraguatuba-Mirim, no exato instante em que, totalmente sóbrio, olhei para o toldo, li os dizeres-

DRINK'S E BYRYNYGHT'S

-e a luz se fez. Mynha vyda nunca mays serya a mesma. Yssa!

Adendo: Só agora atinei com a explicação. O dono do boteco é concretista, e cada Y em BYRYNYGHT'S equivale a uma tacinha de dry (olha o ipsilone aí) martini. Como não pensei nisso? Coysa de gênyo.

Comments

Sem falar que os brasileiros adeptos do vício inglês ganharam muito com a invenção daquele gel que usa duas dessas três letras proibídas em sua composição mercadológica.

Concordo. Inclusive já havia escrito algo a este respeito. Principalmente sobre a relação do Y com, digamos, o lado mais "perverted" da linguagem. Imagine como não soa melhor falar kinky, funky, nasty, sexy, trashy et cetera do que os correspondentes lusitanos. É recalque até na linguagem.

(N. do E.: Devem ser as pernas abertas do Y, Rodrigo. :) Abraços.)

como diria Lord Cigano: "Porra, Caravana Rolidey é com Psilone"!

Chama o Haroldo de Campos!

Uma justificativa prática para a manutenção do Y (antes mesmo de propor a fundação de uma ONG em defesa das letras oprimidas):
o número de acidentes de trânsito aumentaria muito, pois não teríamos placas indicando bifurcação. E aí, Aldo Rebelo! Sai dessa!

Melhor que Goyabada com queyjo, só Ruy Goyaba.

ha ha ha ha ha!!!!
que belo ypsylonyo goyabal!
beijos,

(N. do E.: Ei, Fer, quanto tempo. Bom revê-la. Beyjos. :))

Depois do moletom com mocassim eu até consegui não ver cafonyce no Y usado yndyscrymynadamente.

(N. do E.: Sem dúvida, Liv. É difícil alguém se chocar com qualquer outra coisa após imaginar -ou, pior, ver- a combinação moletom-mocassim. :) Beyjos.)

hahaha

grande post, ruy.

(N. do E.: Thanks, meu caro. Abração.)

Maravilhoso teu blog, Goyaba! Esse boteco pode ser um braço das Organyzassões Ypysylone, que incluem o salão de cabeleireiro SYDYNHO´S que eu vi em Campinas...
Adorei! Abraço

(N. do E.: Obrigado, Bia. Que coisa mais chyk esse Sydynho's. :) Beijos.)

Nossa, que chique! Acho que ficou na medida. Se fosse DRYNK'S E BYRYNYGHT'S talvez a luz dos ypsylonys fosse ofuscante demais.

(N. do E.: Boa tese, Helder. Eu não conseguia entender porque é que o "drink's" foi poupado da chuva de Y; só pode ser isso. Fora que a palavra "birinaite" é sensacional até sem Y. Abraços.)

Nunca entendi a implicância com o ypsilone. Os nomes em tupy ficam chiquésimos, até parece coisa de civilizado - Aymoré, Itaborahy, e por aí vai. Além do quê ele dá sorte. Afinal, a Caravana Rolidey só progrediu depois que substituiu o "i" final pelo "y", corrigindo assim um erro bárbaro de ortografia. A exclusão do "y" é realmente uma tremenda injustiça.
Sempre visito o seu blog e gosto bastante. Espero voltar e continuar rindo muito.

(N. do E.: Barbara, boa lembrança a da Caravana Rolidey. Você vê que é tudo uma questão de bom uso do Y: Itaborahy é legal, Tamyrys não. :) Obrigado pelos elogios, beijos.)

Ruy, eu lembro quando essas letras foram banidas do abecedáryo. Fykey muyto tryste... Mas a Ynternet está aý para ysso... Vamos resgatar essas letras esquecydas!
Abraços

(N. do E.: Pois é, Lucas, viva a Ynternet. :) Abraços.)

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