A, E, I, O, U, Ypsylone
Creiam: o Y deixa tudo mais chique. É o ingrediente mágico que confere a qualquer palavra, sobretudo nomes próprios, luxo, glamour e riqueza. (Sou Ruy com Y, mas Goiaba sem, o que é um destino: estou condenado, desde o nascimento, a ser no máximo semichique, o que talvez explique meu gosto por combinar mocassim com moletom.) Enquanto não se faz aquela tese antropológica sobre a criatividade brasileira aplicada ao batismo dos filhos, pensem em quão mais pobre, no sentido estético, seria a palavra "Richarlysson" -jogador cujo futebol é tão belo quanto seu nome- sem esse Y colocado estrategicamente antes dos SS. Pensaram? Pois é.
Ah, mas também já fui brasileiro, moreno e preconceituoso como vocês. Já escarneci do Y, já o considerei atestado de cafonice irredimível. Há uns 15 anos, um amigo me falava da possibilidade de K, W e Y serem incorporados ao alfabeto em português: "Que coisa mais inútil! O que é que a gente vai escrever com Y? Ynhame?". Juro -esse "ynhame" provocou o maior ataque de riso da minha vida. Quase precisei de um balão de oxigênio. Tudo culpa do ridículo que eu via no Y (admito que Glauber Rocha, legytymo defensor do kynema brazyleiro, ajudou bastante).
Houve, porém, um momento de iluminação, em que me rendi aos poderes do Y. Foi na frente de um boteco em Piçaraguatuba-Mirim, no exato instante em que, totalmente sóbrio, olhei para o toldo, li os dizeres-
DRINK'S E BYRYNYGHT'S
-e a luz se fez. Mynha vyda nunca mays serya a mesma. Yssa!
Adendo: Só agora atinei com a explicação. O dono do boteco é concretista, e cada Y em BYRYNYGHT'S equivale a uma tacinha de dry (olha o ipsilone aí) martini. Como não pensei nisso? Coysa de gênyo.
Comments
Sem falar que os brasileiros adeptos do vício inglês ganharam muito com a invenção daquele gel que usa duas dessas três letras proibídas em sua composição mercadológica.
Posted by: marcosvp | maio 30, 2006 01:39 PM
Concordo. Inclusive já havia escrito algo a este respeito. Principalmente sobre a relação do Y com, digamos, o lado mais "perverted" da linguagem. Imagine como não soa melhor falar kinky, funky, nasty, sexy, trashy et cetera do que os correspondentes lusitanos. É recalque até na linguagem.
(N. do E.: Devem ser as pernas abertas do Y, Rodrigo. :) Abraços.)
Posted by: Rodrigo | maio 27, 2006 11:25 PM
como diria Lord Cigano: "Porra, Caravana Rolidey é com Psilone"!
Posted by: Serbon | maio 25, 2006 06:46 PM
Chama o Haroldo de Campos!
Posted by: Fábio Barreto | maio 25, 2006 05:53 PM
Uma justificativa prática para a manutenção do Y (antes mesmo de propor a fundação de uma ONG em defesa das letras oprimidas):
o número de acidentes de trânsito aumentaria muito, pois não teríamos placas indicando bifurcação. E aí, Aldo Rebelo! Sai dessa!
Posted by: Roger Prado | maio 25, 2006 02:20 PM
Melhor que Goyabada com queyjo, só Ruy Goyaba.
Posted by: Jarbas Cordeiro | maio 24, 2006 07:04 PM
ha ha ha ha ha!!!!
que belo ypsylonyo goyabal!
beijos,
(N. do E.: Ei, Fer, quanto tempo. Bom revê-la. Beyjos. :))
Posted by: Fer Guymaraes Rosa | maio 24, 2006 05:23 PM
Depois do moletom com mocassim eu até consegui não ver cafonyce no Y usado yndyscrymynadamente.
(N. do E.: Sem dúvida, Liv. É difícil alguém se chocar com qualquer outra coisa após imaginar -ou, pior, ver- a combinação moletom-mocassim. :) Beyjos.)
Posted by: Liv | maio 24, 2006 12:27 PM
hahaha
grande post, ruy.
(N. do E.: Thanks, meu caro. Abração.)
Posted by: rodrigo de lemos | maio 24, 2006 12:20 PM
Maravilhoso teu blog, Goyaba! Esse boteco pode ser um braço das Organyzassões Ypysylone, que incluem o salão de cabeleireiro SYDYNHO´S que eu vi em Campinas...
Adorei! Abraço
(N. do E.: Obrigado, Bia. Que coisa mais chyk esse Sydynho's. :) Beijos.)
Posted by: Bia | maio 24, 2006 11:35 AM
Nossa, que chique! Acho que ficou na medida. Se fosse DRYNK'S E BYRYNYGHT'S talvez a luz dos ypsylonys fosse ofuscante demais.
(N. do E.: Boa tese, Helder. Eu não conseguia entender porque é que o "drink's" foi poupado da chuva de Y; só pode ser isso. Fora que a palavra "birinaite" é sensacional até sem Y. Abraços.)
Posted by: Helder | maio 24, 2006 11:11 AM
Nunca entendi a implicância com o ypsilone. Os nomes em tupy ficam chiquésimos, até parece coisa de civilizado - Aymoré, Itaborahy, e por aí vai. Além do quê ele dá sorte. Afinal, a Caravana Rolidey só progrediu depois que substituiu o "i" final pelo "y", corrigindo assim um erro bárbaro de ortografia. A exclusão do "y" é realmente uma tremenda injustiça.
Sempre visito o seu blog e gosto bastante. Espero voltar e continuar rindo muito.
(N. do E.: Barbara, boa lembrança a da Caravana Rolidey. Você vê que é tudo uma questão de bom uso do Y: Itaborahy é legal, Tamyrys não. :) Obrigado pelos elogios, beijos.)
Posted by: Barbara | maio 24, 2006 11:11 AM
Ruy, eu lembro quando essas letras foram banidas do abecedáryo. Fykey muyto tryste... Mas a Ynternet está aý para ysso... Vamos resgatar essas letras esquecydas!
Abraços
(N. do E.: Pois é, Lucas, viva a Ynternet. :) Abraços.)
Posted by: Lucas | maio 24, 2006 10:46 AM