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1984: o medo do estrangeiro diante do pênalti

George Orwell está com o pé sobre a bola na marca do pênalti: "Serious sport has nothing to do with fair play. It is bound up with hatred, jealousy, boastfulness, disregard of all rules and sadistic pleasure in witnessing violence: in other words it is war minus the shooting". Embaixo da trave, esperando a cobrança, Albert Camus: "Tout ce que je sais de plus sûr à propos de la moralité et des obligations des hommes, c'est au football que je le dois". Pergunto: Orwell acertou a bola no ângulo, "lá onde a coruja faz o ninho", ou Camus "se esticou todo" para espalmar pela linha de fundo? (Eu acho que o Rogério Ceni do existencialismo fez uma bela defesa. Discordem ou concordem à vontade nos comentários.)

Comments

Os dois têm razão.

Quando disse isso, provavelmente Camus olhava para uma forma idealizada de futebol, com Platão de treinador gesticulando na beira do campo.
Sabemos que Camus foi goleiro na instância terrena (a segunda divisão ontológica), daí a surpresa em ler essa citação, pois ele deveria saber que enquanto a bola viaja após o cruzamento, a dedada corre solta (com sorte no olho que vê).

Parece que Orwell chutou pra fora e que o Camus, empolgado em defender, acabou batendo com a cabeça na trave. Mas, ora, assim é que o jogo fica bom.

Ruy, isso aqui eu li numa revista, talvez o Sr. conheça:

"O futebol é o ideal de uma sociedade perfeita: poucas regras, claras, simples, que garantem a liberdade e a igualdade dentro do campo, com a garantia do espaço para a competência individual" Mario Vargas Llosa.

A Venezuela está na copa? Cuba sabe jugar al fútbol?

Em campo, dois dos meus autores favoritos, os quye mais me interesse me despertam no momento!

Ruy,
Concordo com você. Camus, que sabia das coisas, disse tudo. E o chute do Orwell não foi dos melhores
Abraços,
Marcos

Orwell está certíssimo. No esporte, como na guerra, o objetivo é vencer e se para isso for preciso demonizar o adversário, explorando suas fraquezas à exaustão para, no final poder comer seu fígado com cebolinha, paciência. Camus está certíssimo. O esporte e a guerra têm lá suas regras, que procuram estimular o espírito de equipe, a ética e o fair play. Nessa situação, também estou torcendo pelo goleiro e seu futebol-arte, mas se o cobrador da falta pudesse quebrar-lhe as pernas antes de chutar...

(N. do E.: Nossa, Barbara, que final mais orwelliano. :) Abraços.)

Camus levou debaixo das canetas.

(N. do E.: Que nada, Igor. Defesa digna de um Gordon Banks. :))

Quer tradução, amigo monoglota? Então aqui vai. George Orwell: "Esporte de verdade não tem nada a ver com jogo limpo. Ele é inseparável de ódio, ciúme, arrogância, desprezo por regras e prazer sádico em testemunhar atos de violência: em outras palavras, é guerra sem os tiros". Albert Camus: "Devo ao futebol tudo o que sei de mais certo sobre a moral e as obrigações dos homens".

E o pai do Big Brother, ao que parece, detestava futebol. Mas, na literatura, era um George Best não curtido no álcool. :)

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