O Ministério do "Vai Dar Merda" adverte
Palavra de honra: acompanho futebol há quase 30 anos e jamais vi índices de pirobagem maiores que os desse bando de riquinhos frescos que atende pelo nome de seleção brasileira. Um reclama de bolhinha no pé, outro leva lambada de elástico na bunda e mostra o dodói pros amiguinhos verem. E, não bastasse o salto 15 que todos eles estão usando ultimamente, seis -eu disse seis, incluindo os dois supracitados- andam depilando as pernocas.
Porra, qualé? Como dizia o filósofo rocker baiano Marcelo Nova, nada contra viados, mas essa viadagem da pátria de escarpins, ex-pátria de chuteiras, não é bom sinal. Há um vago cheiro de 1982 ou, pior, de 1966 no ar. Torço muitíssimo para estar errado: que a trilha sonora do Bananão nesta Copa não seja Júnior Capacete cantando "voa, caralhinho, voa".
Comments
Demas, imprensa e jogadores - assessores por trás (epa!) - têm uma relação simbiótica. O que faço é me ater aos jogos. Para mim futebol começa quando o juíz apita o início do jogo e termina quando ele apita o final do jogo. Nem o "show do intervalo" eu assisto. E acho que ver jogador subindo e descendo de ônibus é, no mínimo, um fetiche estranho.
E mesmo durante as partida a gente vê o trabalho de assessores. Por exemplo: todos sabem que jogador não dá bola para o que o treinador berra na beira do campo. Mas os treinadores continuam lá, gesticulando, principalmente (observem, observem) quando a bola sai na lateral, que é quando a cãmera o capta mais de perto. Isso é sabedoria: eles sabem que durante uma partida há milhões de pessoas assistindo àquilo pela TV, e não podem perder a oportunidade. Trabalho bem feito de marqueteiro (levante o dedo quem não pensou no Luxemburgo). Acho até que tem gente da TV (diretor de imagem principalmente) na folha de pagamento de treinador, dada a inflação de que foi objeto a importância do treinador (na Rede Record há até um comentarista de Luxemburgo - o Neto - que quando sobra tempo fala algo sobre a partida).
Ao contrário do basquete, durante uma partida de futebol é quase impossível reverter uma situação adversa. O papel do treinador é eficaz dias antes da partida (quem se lembrou de Telê aí, levanta o dedo).
O jogador também tem suas artimanhas fora de campo. Esse negócio de que a "torcida tem que pensar positivo", "torçam por nós aí do Brasil" é uma forma de dividir responsabilidades. Se não ganhar, a torcida tem lá sua parcela de culpa, pois não torceu o suficiente. Mostrar a cozinha (opa!) no programa da Ana Maria Braga também tem lá seu efeito.
Posted by: Roger Prado | junho 12, 2006 11:25 AM
Não sei se o problema são dos craques ou da imprensa que - na falta do que mostrar - fica falando abobrinhas. Mas que o salto 15 está demais, está. Abração. PS: Cheguei aqui pelo blog da Fer (Chatterbox) e gostei muito. Voltarei com frequência.
Posted by: Demas | junho 9, 2006 11:05 AM
Ruy, eu sei, você sabe, todos sabem. O hexa vem, de salto 15, mas vem.
abraço,
Cauê
Posted by: Cauê | junho 9, 2006 09:08 AM
Está fresco, mesmo.
Outro péssimo sinal é a presença de Pedro Bial - que na copa de 98 estava lá em todo pós-jogo lendo a crônica e chifrando os pobres jogadores do escrete.
No mais, alguém aí sabe de quantos graus foi a febre do Ronaldo ontem à noite?
Posted by: Rodrigo | junho 9, 2006 08:54 AM
Me desculpem todos os torcedores brasileiros, mas eu concordo que a frescura dos superfantásticos está demais... e eu torço para Portugal ganhar. Pelo Felipão, que eu adoro, e pelo povo brasileiro que merece prestar mais atenção nas coisas seriíssimas que rolam por aqui ao invés de parar a vida para ver a Copa passar.
(N. do E.: Ah, Carol, acho que, nesse sentido, o Bananão perder a Copa não vai adiantar nada. Mas também gosto de Portugal. Abraços.)
Posted by: Carol | junho 8, 2006 09:55 PM
(E aproveito o futebolês do post pra fazer um minuto de silêncio pelo Fiori Gigliotti. Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo, torcida brasileira.)
Posted by: Ruy | junho 8, 2006 05:38 PM
Talvez seja só impressão. Com a televisão em cima 24 horas, transmitindo até os treinos ao vivo, qualquer peidinho vira noticia.
(N. do E.: É isso mesmo, Vinicius. Quando não há notícia de verdade, dá-lhe "enrolation" -o que vale pra mídia impressa também. Abraços.)
Posted by: ViniciusSI | junho 8, 2006 05:05 PM
Só sei que estou traumatizada até agora. A foto do lindinho de calção arriado saiu em tudo quanto foi lugar. Cruz credo! Ainda se fosse o Beckham...
Posted by: Barbara | junho 8, 2006 01:27 PM
hahaha Ainda assim, é a melhor... espero
Obs: Mudei minha opinião sobre Orwell vs. Camus
Posted by: Igor Taam | junho 8, 2006 12:57 PM
Pode crer, pode crer. Lembra do drama da unha encravada do Falcão, em 82?
Abraços!
Posted by: eduardo haak | junho 8, 2006 04:43 AM