Nas últimas páginas de seu excelente "How Proust Can Change Your Life", Alain de Botton escreve:
"When we feel interest to be so dependent on the exact locations where certain great artists found it, a thousand landscapes and areas of experience will be deprived of possible interest, for Monet only looked at a few stretches of the earth, and Proust's novel, though long, could not comprise more than a fraction of human experience. Rather than learn the general lesson of art's attentiveness, we might seek instead the mere objects of its gaze, and would then be unable to do justice to parts of the world which artists had not considered. As Proustian idolaters, we would have little time for desserts which Proust never tasted, for dresses he never described, nuances of love he didn't cover and cities he didn't visit, suffering instead from an awareness of a gap between our existence and the realm of artistic truth and interest."
(N. do E.: Olá, P. Acho que você e o Alain de Botton estão missing the point -mas a culpa é minha, que não ponho tecla SAP nas piadas. De todo modo, prometo passar a incluir os peidos do França, da merceariassãopedro, na rubrica "desserts Proust never tasted". Não sabia o que perdia, esse moço Marcel. :) Abraços.)
Não costumo comungar com escritores. Tentei. Falhei. Prefiro rir para DJs de techno ensurdecedor e dançar nerdmente. Ou ir à pizzaria que tem Elvis trabalhando como garçom.
Se você se refere à famosa Round Table no Salão Rosa do Hotel Algonquin (rua 44, Oeste), veja o que a própria Dorothy Parker disse sobre o lugar e lenda (onde, presume-se, surgiu a maioria de suas frases ácidas e sagazes) à Paris Review: Eu não ia lá com freqüência - era caro demais. Outros iam. Kaufman andava por lá. Acho que ele era meio engraçado. O sr. Benchley e o sr. Sherwood iam quando tinham algum trocado. Franklin P. Adams, cuja coluna era muitíssimo lida por gente que queria escrever, sentava-se lá uma vez ou outra. E Harold Ross, o redator do New Yorker. Ele era um lunático profissional, mas não sei se era um grande homem. Tinha uma ignorância profunda. Num dos manuscritos do sr. Benchley, ele escreveu na margem, em frente a "Andrômaca": "Quem ele"? O sr. Benchley escreveu em resposta: "Fique fora disto". Dos que iam à Mesa Redonda, o único que tinha estatura era Heywood Broun.
(N. do E.: Túlio, eu conhecia essa entrevista da Dorothy Parker à "Paris Review". Acho o seguinte: como o depoimento dela e de outros ligados à "round table" mostra, faltava ao Algonquin um garçom França peidando entre as mesas. Certo, Luigi? :) Saudações.)
Sim, Ruy, mas duvido que no bar do Algonquin tenha existido algum garçom da categoria do França, da Mercearia São Pedro, conhecido pelos traques que libera entre as mesas.
Comments
É verdade: eu não tinha entendido.
Posted by: Permafrost | setembro 29, 2006 08:18 PM
A dissenting voice:
Nas últimas páginas de seu excelente "How Proust Can Change Your Life", Alain de Botton escreve:
"When we feel interest to be so dependent on the exact locations where certain great artists found it, a thousand landscapes and areas of experience will be deprived of possible interest, for Monet only looked at a few stretches of the earth, and Proust's novel, though long, could not comprise more than a fraction of human experience. Rather than learn the general lesson of art's attentiveness, we might seek instead the mere objects of its gaze, and would then be unable to do justice to parts of the world which artists had not considered. As Proustian idolaters, we would have little time for desserts which Proust never tasted, for dresses he never described, nuances of love he didn't cover and cities he didn't visit, suffering instead from an awareness of a gap between our existence and the realm of artistic truth and interest."
(N. do E.: Olá, P. Acho que você e o Alain de Botton estão missing the point -mas a culpa é minha, que não ponho tecla SAP nas piadas. De todo modo, prometo passar a incluir os peidos do França, da merceariassãopedro, na rubrica "desserts Proust never tasted". Não sabia o que perdia, esse moço Marcel. :) Abraços.)
Posted by: Permafrost | setembro 29, 2006 02:02 PM
Não costumo comungar com escritores. Tentei. Falhei. Prefiro rir para DJs de techno ensurdecedor e dançar nerdmente. Ou ir à pizzaria que tem Elvis trabalhando como garçom.
Posted by: Simone | setembro 12, 2006 11:33 PM
Merecemos?
(pergunta retórica, claro)
Posted by: Marcelo V. | setembro 2, 2006 05:59 PM
Se você se refere à famosa Round Table no Salão Rosa do Hotel Algonquin (rua 44, Oeste), veja o que a própria Dorothy Parker disse sobre o lugar e lenda (onde, presume-se, surgiu a maioria de suas frases ácidas e sagazes) à Paris Review: Eu não ia lá com freqüência - era caro demais. Outros iam. Kaufman andava por lá. Acho que ele era meio engraçado. O sr. Benchley e o sr. Sherwood iam quando tinham algum trocado. Franklin P. Adams, cuja coluna era muitíssimo lida por gente que queria escrever, sentava-se lá uma vez ou outra. E Harold Ross, o redator do New Yorker. Ele era um lunático profissional, mas não sei se era um grande homem. Tinha uma ignorância profunda. Num dos manuscritos do sr. Benchley, ele escreveu na margem, em frente a "Andrômaca": "Quem ele"? O sr. Benchley escreveu em resposta: "Fique fora disto". Dos que iam à Mesa Redonda, o único que tinha estatura era Heywood Broun.
(N. do E.: Túlio, eu conhecia essa entrevista da Dorothy Parker à "Paris Review". Acho o seguinte: como o depoimento dela e de outros ligados à "round table" mostra, faltava ao Algonquin um garçom França peidando entre as mesas. Certo, Luigi? :) Saudações.)
Posted by: Túlio César Pimentel | setembro 1, 2006 11:59 PM
Sim, Ruy, mas duvido que no bar do Algonquin tenha existido algum garçom da categoria do França, da Mercearia São Pedro, conhecido pelos traques que libera entre as mesas.
Posted by: Luigi Marnoto | setembro 1, 2006 04:24 PM
Cara, estou me sentindo o ser mais inguinoranti deste mundo. Não entendi nada. Acho que estou certo.
Posted by: zerado | agosto 31, 2006 10:45 PM
É, deprimente. Consegui não ir até agora. ;>)
Posted by: Alexandre | agosto 31, 2006 10:12 PM