Mais fofura = menas literatura
Quintana, por exemplo. Antes que vocês me repreendam, também acho que ele escreveu coisas boas. Mas deixou para a eternidade, num momento de particular fofura, aquele poemeto citado por onze entre dez blogues fofinhos -"eles caralhão, eu caralhinho" ou qualquer coisa assim. Eis um teste da farinha para a literatura: ter ou não ter sites fofuchos e agendas como destino manifesto. (Quem tivesse levaria pau. Óbvio.)
Mas reconheço que, na Botocúndia, fofura é coisa do passado. A onda agora é namorar o Rubem Fonseca pelado, e dá-lhe personagem, como diz uma amiga, chupando tumor e fazendo aquelas cousas mui literárias tão características dos livros do Zé Rubem. Comportamento típico de pré-adolescente, no sentido cronológico ou mental, revoltadinho com o excesso de fofice. Admito que, forçado a escolher, eu certamente ficaria com a fofura quintanal, mas suspeito que a literatura esteja em algum ponto entre esses dois pólos. É tipo barbárie e decadência com uma civilização no meio -o que no Bananão, diz padre Quevedo, non ecziste.
(P.S.: O título do post é uma óbvia homenagem dupla - ao Efelentífimo, Guia Genial dos Fofos, e àquele caderno literário da Folha, o Menas!)
Comments
Ô Ruy, não vejo nada de desabonador num palpite,
nadinha mesmo. Tanto é que vivo dando os meus.
Paulo Francis palpitava à beça. Acabou colocando nas nuvens os romances do Diogo Mainardi, por exemplo, e os que ele próprio escreveu (quááá, quá, quá!). É próprio desse métier o palpite (palpite peremptório, de preferência) e é próprio do palpite as mancadas eventuais.
O Harold Bloom é outro magnífico palpiteiro,
e palpita com uma convicção tão passional e
contagiante que às vezes até vou dar uma checada
nos escritores pros quais ele levanta a bola.
E volta e meia penso, "Caraca, esse Harold
tá viajando na Hellmann´s legal...". É meio assim que eu acho: profissionais do palpite não têm de acertar seus alvos, mas iluminá-los. E, pra acontecer essa iluminação,é indispensável a tal da "luz própria", coisa que, dou meu palpite com
convicção, você tem sobrando. :)
Tudo bem agora eu ter dito que você deu um palpite no meu entender furadíssimo sobre o Rubem Fonseca, ô Ruy Goiaba?
Abraço!
Eduardo
(N. do E.: Você continua errado sobre o Fonseca, Eduardo Haak, mas pelo menos foi mais cortês agora. Grazie. :) Abraços!)
Posted by: eduardo haak | dezembro 3, 2006 04:17 PM
Fala, Goiaba.
Questão de gosto. Palpite não se discute. Etc. Mas... na boa, simplificar o Rubem Fonseca a um criador de meras bizarrices grotescas é uma simplificação total e injusta. "A Grande Arte" não se reduz à cena em que o anão José Zakkai fala sobre uma genitália feminina que devorava filés. Seu conto "Abril, em 1970, no Rio", é maravilhoso. E o romance "Agosto"? :)
Abraços, Eduardo
(N. do E.: Eduardo, esse "palpite" é uma tentativa de desqualificar minha opinião? Hummm, que injustiça :) Li bastante o "Zé Rubem", que fique claro. E "Agosto", so sorry, é LIXO, em caixa-alta. Abraços.)
Posted by: eduardo haak | dezembro 2, 2006 01:39 PM
caro
não adianta fazer literatura hj em dia, pq ninguém entende
aliás, eu tenho uma teoria q poesia virou metáfora. as outras figuras de linguagem, bem como o texto viraram coadjuvantes
e rubem por rubem, sou mais o alves
8 )
Posted by: denise | novembro 30, 2006 04:23 PM
Pois é, se forçada a escolher eu também prefiro a fofura. Mas os livros bons de verdade misturam os dois e você não sabe qual predominou.
Se bem que sei do que você está falando: a mania de escritor brasileiro de que gosminhas e fluidos variados fazem uma boa literatura.
(N. do E.: Exactly, Simone. É issaí. Beijos.)
Posted by: Simone | novembro 22, 2006 09:00 PM
BAH. Fui eu quem disse. Ignore, Ruy. ;-)
(N. do E.: Mas claro. A "amiga" do post é você, dearest. :) Beijo saudoso, ou saldözo.)
Posted by: Ieda | novembro 22, 2006 02:09 PM
Tsc! Eu ia escrever sobre um gênero todo em que escritores falam de tumores sendo chupados e já usaram a minha idéia!
Posted by: Ieda | novembro 22, 2006 12:58 PM
Gostei da acidez.
E o pobre Quintana, de fato, não deveria ser lembrado só por isto. O pior é que gente culta também cita essa passagem infeliz do velhinho.
Boa espinafrada!
Posted by: Tambosi | novembro 14, 2006 09:29 PM
Eles caralhão e eu caralhinho! Ótemo
(N. do E.: Ei, Bia, bom vê-la por aqui. Besos!)
Posted by: Bia | novembro 14, 2006 02:56 PM
Mas o pior é quando é gerado um meio-termo híbrido entre os dois polos: eu li "Histórias de Amor", do Rubem Fonseca. Com esse título, eu tava pedindo mesmo. Tentem ler, se tiverem coragem! Uma mistura de Erich Fromm com Bruna Surfistinha... Parece implorar, como aquele bebê do Alien 8 e 1/2: "Kill me!, kill me!"
Posted by: vicente azambuja | novembro 14, 2006 02:30 AM
Finalmente alguém acusando os tumores aborrecidos dos livros picarísticamente pornográficos do Rubem Fonseca! Ele é muito juquinha, como o Paulo Francis dizia do John Updike... Ele joga no mesmo time do Bukowski e do Sade: são chatos.
Posted by: vicente azambuja | novembro 14, 2006 02:22 AM
Mr. Oak Fields é um ótimo antídoto para a literatura fofucha, caro Ruy! Não vi até agora um desses blogs bunitinhos se perguntado onde diabos fica a Bulgária ou matando o professor de Lógica. abraços.
Posted by: Serbon de Nariz Sutil | novembro 13, 2006 06:10 PM
Ruy,
Fofura e boa literatura não andam mesmo juntos, definitivamente. É o caso do poema do porquinho-da-índia do Manuel Bandeira, não?
Um abraço
(N. do E.: Acho que também é o caso de muita coisa do Bandeira tardio, Marcos. Abração.)
Posted by: Marcos Matamoros | novembro 13, 2006 01:24 PM
Por falar nisso, Ruy, já leu aquele livrinho "Ora, Bolas"? São passagens curtas do dia-a-dia de Quintana, algumas são muito engraçadas. Deu a impressão de que ele foi mais inspirado na vida real (existe outra?) do que na poesia.
Posted by: Igor Taam | novembro 12, 2006 01:42 PM
o engraçado é que o mário quintana também sabia ser bem pouco fofucho. tipo aquela definição clássica do proletário - ser explorado economicamente pelos capitalistas e intelectualmente pelos escritores de esquerda or something - e que deveria freqüentar mais os blogs de direita.
(N. do E.: Concordo, Rodrigo -por isso fiz a ressalva. Abraços.)
Posted by: rodrigo de lemos | novembro 12, 2006 11:36 AM
Ruy, já imaginou como seria um blog do Molusco Rouco? Você consegue imaginar isso?
Se Emir Sádico, que é intelequituau de sucesso (Atenção Ana Maria Braga! Convida o homem para um café), presumo que ande até armado com canudo, se Sádico não sabe de que lado do I fica o pingo, e com isso vem "arrastando multidões", o que seria então um blog do iluminado Eneadáctilo Guatama? Talvez congestionasse a Internet, na maior passeata virtual da história destepaíz.
Posted by: Roger Prado | novembro 11, 2006 10:21 AM