No cinema, num futuro próximo
"Qual é a desse filme? Não entendo por que estão falando tanto nele." "Ah, é uma coisa superousada, inédita. A atriz principal é estuprada e morta de verdade." "*riso nervoso*" "Tô falando sério." "Não pode ser. É mentira, jogada promocional." "Não, não. Morta mesmo, com tiro de verdade e tudo. Estava previsto no contrato que ela assinou." "Mas que absurdo, pô! Isso é um snuff movie." "Não, veja bem. Não é snuff. Tem um roteiro instigante e bem escrito, ótimas interpretações, a fotografia é linda. O estupro e o assassinato estão dentro de um contexto -não são coisas assim soltas, gratuitas, entende? Nem todo filme que tem sexo explícito é necessariamente pornô, concorda comigo?" "Mas estuprar e matar é crime, diabos." "Estamos falando de uma obra de arte, querido. Não se colocam as coisas nesses termos. Ai, como é difícil conversar com gente moralista."
Comments
Se há contrato há concordância da atriz, logo não é estupro. Ainda que PAREÇA estupro é encenação, bobagenzinha retrógrada e pequeno-burguesa, tão comercial que deve dar até Oscar - embora forçosamente póstumo.
(N. do E.: Ei, Glhrm, "longo tempo não ver", hein? Apareça mais, rapaz. Abraços!)
Posted by: Glhrm | novembro 8, 2006 02:46 PM
Eu fico um pouquinho sem aparecer por aqui só para ser punido com uma nota excelente como essa quando eu volto. Assim não dá, Ruy.
(N. do E.: Thank you so much, Lima -e bem-vindo de volta. Abração.)
Posted by: Rafael Lima | novembro 6, 2006 07:29 AM
Isso que é um senhor "momento espiga" (by Lord Ass)!
Posted by: Gabriel | novembro 2, 2006 09:06 PM
Caro Ruy,
E é claro que o filme será na verdade um retrato (um reflexão? uma conseqüência?) sobre o vazio pós 11 de setembro, não? :).
Um abraço,
Marcos
Posted by: Marcos Matamoros | novembro 1, 2006 05:42 PM
Eu acharia bom se 90% dos atores (e 99% dos diretores e dos críticos) assinasse um contrato assim.
Posted by: jorge nobre | novembro 1, 2006 11:09 AM