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No cinema, num futuro próximo

"Qual é a desse filme? Não entendo por que estão falando tanto nele." "Ah, é uma coisa superousada, inédita. A atriz principal é estuprada e morta de verdade." "*riso nervoso*" "Tô falando sério." "Não pode ser. É mentira, jogada promocional." "Não, não. Morta mesmo, com tiro de verdade e tudo. Estava previsto no contrato que ela assinou." "Mas que absurdo, pô! Isso é um snuff movie." "Não, veja bem. Não é snuff. Tem um roteiro instigante e bem escrito, ótimas interpretações, a fotografia é linda. O estupro e o assassinato estão dentro de um contexto -não são coisas assim soltas, gratuitas, entende? Nem todo filme que tem sexo explícito é necessariamente pornô, concorda comigo?" "Mas estuprar e matar é crime, diabos." "Estamos falando de uma obra de arte, querido. Não se colocam as coisas nesses termos. Ai, como é difícil conversar com gente moralista."

Comments

Se há contrato há concordância da atriz, logo não é estupro. Ainda que PAREÇA estupro é encenação, bobagenzinha retrógrada e pequeno-burguesa, tão comercial que deve dar até Oscar - embora forçosamente póstumo.

(N. do E.: Ei, Glhrm, "longo tempo não ver", hein? Apareça mais, rapaz. Abraços!)

Eu fico um pouquinho sem aparecer por aqui só para ser punido com uma nota excelente como essa quando eu volto. Assim não dá, Ruy.

(N. do E.: Thank you so much, Lima -e bem-vindo de volta. Abração.)

Isso que é um senhor "momento espiga" (by Lord Ass)!

Caro Ruy,
E é claro que o filme será na verdade um retrato (um reflexão? uma conseqüência?) sobre o vazio pós 11 de setembro, não? :).
Um abraço,
Marcos

Eu acharia bom se 90% dos atores (e 99% dos diretores e dos críticos) assinasse um contrato assim.

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