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We get requests

Meu caríssimo Bruno Garschagen me cobra um texto sobre os dez anos da morte de Paulo Francis. Bruno, texto sobre o Francis tem, mas acabou. Serve um sobre a morte do Pedrinho Mattar, ontem? Ah, eu sabia que sim.

Pelo seguinte: o Francis era como a civilização -aquela coisa que a gente só conhece de ouvir falar- conforme é descrita naquele trecho do Eça (não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas). Não deixou filhos jornalísticos, não transmitiu a nenhuma criatura seu legado (a miséria é nossa, ninguém tasca). E está morto, tão morto quanto o Deus do Nietzsche ou todos nós no longo prazo do Keynes*. Mas a casaca de lamê do Pedrinho Mattar viverá eternamente. Agora, se me dão licença, vou tocar um pouco de air piano -façam o favor de imaginar que estão escutando o "Tema de Lara".

* Citação atualizada: "No longo prazo estaremos todos mortos, menos o Keith Richards, as baratas e o Oscar Niemeyer. Thus spake Zarathustra".

Comments

Porque o Paulo Francis não gostava de rock, o Henfil, querendo chamar Francis de careta, dizia que ele gostava de Ray Conniff. :)
Abraços!

Salve Pedrinho Mattar! Muito bem lembrado, Ruy!

(N. do E.: Ei, Olívia, que legal vê-la por aqui. Sabia que você não me deixaria só na homenagem ao Pedrinho. ;) Beijos.)

O estagiário que trabalha comigo diz que o Sidney Magal também está na categoria desses que não morrem nunca. E que continuará fazendo dancinhas homéricas até a eternidade.
Beijos estratégicos...

Pedrinho quem?
Ah!

Volta arrasadora, grande Ruy,
Periga de o mestre Oscar embarcar antes de completar os 100 anos, que será ainda em 2007.
Parece haver uma maldição, tipo "aos 99 chegarás, aos 100, porra nenhuma".
Sem gozação, espero abraçar o mestre "no longo prazo dos seus 100 anos"
abraços
fernando cals

(N. do E.: Gracias, Fernando. Abração!)

Grande "perca" a de Pedrinho Mattar. Você também acompanhou o velório dele ao vivo, com cobertura de helicóptero e tudo da Rede Vida???
O Brasil será um país mais subdesenvolvido sem sua versão particular de Liberace. Primeiro foi o Clóvis Bornay e agora o Pedrinho Mattar??? Só falta perdermos o Cauby!
Se bem que restou o Diogo Vilela...

(N. do E.: Cara, perdi essa cobertura do velório. Que pena. Quanto ao Cauby, ele não vai morrer, e sim ficar encantado -traduzindo, virar purpurina. :) Abraços!)

Ruy, inclua a Dercy Gonçalves mostrando os peitos flácidos na lista de highlanders.

Opas! Voltou em boa forma.

acabo de adicionar mais uma pra minha galeria de superstições: o blog pura goiaba só é atualizado quando eu não entro pra ver se ele foi atualizado.
;)

Em longo prazo ou a longo prazo, estaremos mortos, de fato. Mas certas frases podem nos matar antes disso. Concordo com o Guilherme, "no longo prazo" fere os os ouvidos. Reparem. mas nada disso importa. Quero apenas saber se a morte do Mattar é de verdade ou não (nada li sobre isso).

(N. do E.: Claro que é verdade, Jonas! Foi ontem, procure nos noticiosos da internet. E acho que "no longo prazo" pode ferir os ouvidos, mas só mata os excessivamente suscetíveis. Meia frase de qualquer discurso do Lula é bem pior, e você não morreu por isso. :))

Concordo: Francis morreu e não deixou herdeiros. Aliás, é difícil achar quem tenha deixado herdeiros no jornalismo (não me ocorre nenhum).

E deixa eu botar mais um aí na lista de imortais: o Bob Dylan.

Abs.

P.s.: E larguei mais uma coisinha sobre a senhorita objetividade, que tanto mal-estar causa em alguns cérebros de toicinho excessivamente relativistas...

"No" longo prazo... Não se dizia "a longo prazo", não se compram coisas "a prazo"? Esse troço me cheira a anglicismo: "in the long run". Ou talvez o outro é que seja galicismo; mas que é menos feio que "no longo prazo", isso é. Ou não?

(N. do E.: Guilherme, "a prazo" é um caso diferente, não é? Comprar coisas "no prazo" teria outro sentido. Quanto à frase do Keynes, sempre a vi traduzida assim; pode ser anglicismo, talvez seja, mas não acho "a longo prazo" tão melhor, não. :) Abraços.)

Diga lá, Ruy! Conseguiu ver o Manhattan Connection? Grande abraço.

Ah, Ruy, uma lista de air piano favorites, Top 10, in memory of Pedrinho Mattar, por favor! Sugestões: não consigo lembrar de nenhuma agora... só fico pensando no Tema de Lara. Com o Ray Conniff nas planícies siberianas, com a casaca de lamê. Parece um filme do David Lynch. Com roteiro do Manoel Carlos.

Pedrinho Mattar, hahaha. We get requests, indeed... Não se poderia esperar outra coisa de você; sorte que sempre existirão os imprenscindíveis Pedrinhos Mattares para suprir nossa angústia em momentos de dor e intermináveis aborrecidas repetitivas homenagens póstumas! E quando a goiaba é boa, 10 linhas sobre Pedrinho Mattar e sua casaca de lamê falam mais sobre o Paulo Francis que programas do Globo News ou textos do Daniel Piza e do Ruy Castro. Goodnight, sweet prince (claro que estou falando pro Pedrinho Mattar, afinal o Millôr já se despediu assim do Francis; e, convenhamos, a vestimenta do Pedrinho é pura nobreza nórdica!)!

"Air piano"? Uau, e eu que achava a maior maluquice era aquele papo de "air guitar".
Na sua citação atualizada, inclua por favor a Dercy Gonçalves. Ela também vai longe.

(N. do E.: Você e o Jorge, que falou no Lévi-Strauss, têm razão, Ângelo. Caramba, essa frase do Keynes tem mais furos que uma peneira. :) Abraços.)

Hahahahahahahahaahah!!! O que mais posso dizer? Hahahahahahahahahah!!!

Ei Goiaba, por acaso herdou alguma casaca de lamê do Pedrinho? Acharia justo. Você vê, já usávamos luto pelo tio Sheldon, agora o tia Mattar. Meu Deus, quem será o próximo? O Arthurzinho não- Schopenhauer? O mundo está realmente perdido. Beijos.

(N. do E.: Não herdei, J., mas arrematarei se a casaca for a leilão. Beijos.)

E o Claude Lévi-Strauss.

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