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julho 31, 2007

Nelson Rodrigues revisitado

Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni estão mortos, mas Neville d'Almeida e sua écharpe viverão para sempre, porque a burrice é eterna.

(Desdobrado de comentário meu em Los Olvidados.)

Posted by Ruy Goiaba at 03:33 PM | Comments (3)

julho 30, 2007

O homem mais bem vestido do mundo

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Quem o diz é a Vogue America.

Se o segundo no ranking for o Tiririca, faz todo o sentido.

Posted by Ruy Goiaba at 10:33 PM | Comments (10)

julho 27, 2007

Carro de boi é tendência

Se você não gostar, tudo bem: sempre se pode viajar de pogobol. Seguro, divertido e tonifica os músculos das pernas. Ou ir "de a pé" -como diz o Steven Wright, "everywhere is walking distance if you have the time".

Posted by Ruy Goiaba at 08:13 PM | Comments (2)

julho 25, 2007

Pequenas biografias de grandes estrangeiros

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Aldous Huxley (1894-1963) é um exemplo de como as DOGRAS (copirraite do Angeli, acho) podem transformar em gelatina o cérebro de um grande escritor e tornar aplicável a ele a clássica frase de Orson Welles -"I started at the top and worked my way down ever since". Vejam o que aconteceu depois que esse cara começou a tomar mescalina e LSD: 1) Escreveu um livro que serviu praquele bêbado escroto batizar seu grupo. 2) Foi pra Noviorque, mudou de nome e montou uma banda cabeça. 3) Por fim, o mais imperdoável: tirou o Tom Zé da obscuridade. Que destino inglório.

(Post desdobrado de comentário na Torre, de onde roubei a foto.)

Posted by Ruy Goiaba at 08:27 PM | Comments (6)

julho 24, 2007

And I ran, I ran so far away

A originalidade é impossível no atual estágio de evolução (hum...) da espécie humana. Vejam vocês: meu último projeto-mirabolante-para-tentar-ficar-milionário-e-obviamente-fracassar era montar uma banda niuêive chamada A Flock of Steven Seagals. Perfeita para tocar em todas as festas trash oitentistas do universo. Aí descubro que alguém chegou antes: "There was once an all 80s cover night at a local club. One of the bands was called A Flock of Steven Seagals. They all dressed up in Seagal's mountain man shaman gear but had Flock of Seagulls hair. Brilliant".

Sei lá. Acho que vou transformar isto aqui num blogue com dicas de moda para pintores-de-rodapé carecas e passar a me assinar George Costanza Pascolato. Pelo menos essa combinação eu não achei no Gúgol. Ainda.

Posted by Ruy Goiaba at 08:01 AM | Comments (4)

julho 22, 2007

O caminho estreito

Um dos últimos livros que comprei contém traduções de Matsuo Bashô (bashô = árvore semelhante à bananeira, se é que você já não sabia) feitas pelo americano Donald Keene, "The Narrow Road to Oku". Existe uma versão dessa obra em português, cujo título é "Trilha Estreita ao Confim" -certamente, porque "Trilha Estreita para Oku" provocaria risinhos de vendedores e clientes nas livrarias. E há quem ache que o eufemismo é uma arte perdida. Longe disso (embora seu recorde, até hoje não superado, tenha sido obtido por aquele editor que transformou "Lamba Meu Cu Até Ele Ficar Bem Limpinho", do Mozart, em "Prazer Inexcedível").

Posted by Ruy Goiaba at 04:18 PM | Comments (2)

julho 20, 2007

Special Olympics

"A nossa literatura é galho secundária da portuguesa, por sua vez arbusto de segunda ordem no Jardim das Musas. (...) Comparada às grandes, a nossa literatura é pobre e fraca. Mas é ela, não outra, que nos exprime. Se não for amada, não revelará sua mensagem; e, se não a amarmos, ninguém o fará por nós. (...) Ninguém, além de nós, poderá dar vida a essas tentativas muitas vezes débeis, outras vezes fortes, sempre tocantes, em que os homens do passado, no fundo de uma terra inculta, em meio a uma aclimação penosa da cultura européia, procuravam estilizar para nós (...) os sentimentos que experimentavam, as observações que faziam..."

Se Antonio Candido, professor de condescendência, diz que a literatura na Botocúndia é uma espécie de Paraolimpíada, quem sou eu para discordar?

Posted by Ruy Goiaba at 03:35 AM | Comments (8)

julho 19, 2007

The last waltz

Durou pouco a minha experiência como colunista de revista de música -a Abril decidiu suspender a "Bizz" (ou, como o mundinho corporativo gosta de dizer, "descontinuar"). Ela não será mais uma revista mensal; a última edição com essa periodicidade saiu no final de junho. Não sei se a editora tem planos de aproveitar o título de outra forma. Com isso, acaba minha colaboração para a seção "Pense Conosco" -e você, que leu meus textos lá, vai ter de se virar para pensar sozinho agora. Não é tão difícil, acredite.

Foi breve, mas bem legal. Agradeço especialmente ao Ricardo Alexandre, por convidar um goiaba para escrever, e ao Luciano Marsiglia, com quem tratei mais diretamente nos últimos meses. E aproveito para colocar aqui meu último texto escrito para a "Bizz", não aproveitado. Hope you enjoy it.

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Roquenrol de andador

Algumas das melhores frases de Tom Jobim eram farpas dirigidas aos roqueiros. Coisas como “tenho esperança de que o roque vai evoluir e descobrir o quarto acorde, porque fazer música só com três deve ser muito difícil, né?”. Nos anos 90, mr. Joe Bim também disse: “O roque já tem 40 anos. É música do tempo do meu avô”. Hoje, é forçoso constatar que ele estava certo: aos 50 e poucos anos, o gênero nunca foi tão música-de-avô. Não só por ser plenamente apreciável por aquele seu tio-avô barrigudo que é fã dos Stones -e não vá me dizer que você se acha muito diferente só porque prefere os White Stripes. Nem apenas porque sessentões saracoteantes como Mick Jagger continuam compondo, gravando, fazendo shows. Mas sobretudo porque as circunstâncias da velhice, de reumatismo e artrite à proximidade da morte, refletem-se no trabalho desses dinossauros que sobreviveram a glaciações, overdoses, quedas do alto de coqueiros. Os últimos três discos de Bob Dylan são basicamente sobre isso (não sobre artrite -você entendeu), e o mais recente leva o nome lindamente arcaico de “Modern Times”. Vale o mesmo para o álbum recém-lançado por Paul McCartney, “Memory Almost Full”. E quase todo mundo que passeia pelo YouTube já viu o vídeo dos Zimmers (“andadores”), velhinhos de mais de 90 anos que regravaram “My Generation”, e pensou o mesmo: logo Pete Townshend e Roger Daltrey poderão juntar-se a eles.

Precisamos mesmo de roqueiros se queixando de dor no nervo ciático ou cantando que não está escuro ainda, mas está quase? Bem, não sei dizer se são necessários, mas certamente são bem-vindos. Por mais que o roquenrol viva há cinco décadas do fetiche do novo e sua mitologia esteja cheia de jovens cadáveres ilustres -"die young, stay pretty"-, a velhice é uma parte importante da experiência humana, cuja abordagem, em mãos competentes, só enriquece o gênero. Pensem em quão mais pobres seríamos sem um Leonard Cohen, que começou carreira musical depois dos 30 e hoje, aos quase 73, afirma que as mulheres lhe têm sido “exceptionally kind”, considerando sua idade. Ou sem um Ray Davies, que gravou seu primeiro disco solo aos 62, mas compõe como um velho rabugento desde os 21, pelo menos (já em 1965 os Kinks perguntavam “Where Have All the Good Times Gone?”, sem resposta ainda hoje).

A necessária contrapartida dessa velhice roqueira -como o outro pólo da mesma pilha- é a já mencionada obsessão pelo “novo”, com quantas aspas vocês quiserem. E aqui vale a pena citar um outro velho, Theodor W. Adorno (1903-1969), em seu ensaio “Moda Intemporal”, de 1953: "Paralelamente à estandardização há uma pseudo-individualização. (...) Enquanto promete incessantemente ao ouvinte algo de especial, instigando sua atenção com algo que deve escapar à monotonia, [a música] não deve jamais ultrapassar limites bem definidos (...); deve ser sempre nova e sempre a mesma. Por isso os desvios são tão estandardizados quanto os standards, sendo recolhidos no próprio momento em que são introduzidos: o roque, como toda a indústria cultural, satisfaz os desejos apenas para, ao mesmo tempo, frustrá-los".

Confesso que trapaceei trocando “jazz” por “roque” no trecho acima, mas, de resto, está exatamente como o filósofo escreveu. Sim, Teddy Adorno era um alemão sem jogo de cintura, charme, suingue e veneno, e boa parte do que ele dizia sobre a malévola indústria cultural é no mínimo contestável. Mas quem negará que há verdade nesse parágrafo? Basta uma olhadela nas capas da “NME”, sempre novas e sempre as mesmas. E não conheço melhor descrição da “missão” desses veículos produtores de hype: satisfazer desejos e frustrá-los, sucessivamente. Ou dos indies, tão vítimas da pseudo-individualização como nós. De todo modo, é da natureza do roque responder a esse tipo de crítica como aquelas estudantes que interromperam a palestra do velhinho frankfurtiano, no fim dos anos 60, mostrando os peitinhos. E eu sou a favor, mesmo que hoje os peitinhos do roquenrol estejam meio parecidos com os da Dercy Gonçalves.

Posted by Ruy Goiaba at 02:27 PM | Comments (10)

julho 18, 2007

Vergonha de ser brasileiro

Dia tristíssimo, propício à retomada de um dos slogans deste blogue.

(Difícil viver no Bananão? "Relaxa e morre" é a resposta. País de merda.)

Atualização, 20/7: Veja aqui toda a dignidade do governo no episódio.

Posted by Ruy Goiaba at 05:54 PM | Comments (10)

julho 16, 2007

Palpiteiros bem remunerados

O Bananão é um país de palpiteiros, e o futebol deve ser o assunto que deixa a brava gente brasileira mais à vontade para emitir os palpites mais disparatados. Até aí, tudo bem: o direito ao palpite deveria estar garantido na Constituição e, mesmo não estando, é cotidianamente exercido por mim, por você e pelo Mané da padaria. O que me espanta é que nem eu nem você nem o Mané somos remunerados para dar palpites -mas gente que "palpita" de modo ainda mais idiota que nós ganha a vida com isso.

Exemplo fácil e momentoso: a vitória dessa seleção brasileira meia-boca sobre o, ahn, "dream team" argentino na final da Copa América, ontem. Estou longe de ser um fã do esquema do Dunga, com sete, oito volantes, sei lá eu. Mas ainda mais delicioso do que ver os argentinos apanharem é testemunhar as contorções que os entendidos (hummm) da crônica esportiva brasileira estão tendo de fazer para explicar por que o "futebol fantasia", o "quadrado mágico" e outras excelsas virtudes dos hermanos não funcionaram. É sempre assim: Hungria em 1954, Holanda em 1974, o Sobrenatural de Almeida do Nelson Rodrigues, o clichê mais batido do mundo ("futebol é uma caixinha de Sensação" -ou era outro chocolate? Não lembro). E a Itália campeã da última Copa era uma seleção que, no papel, ninguém diria espetacular. Nem assim essa gente aprende -prefere achar que a equipe do técnico anão foi melhor porque "levou em conta as nossas críticas" (ha-ha-ha) ou usar toda a sua maturidade para dizer que, afinal, a Copa América não vale nada mesmo, lalalá, nhanhanhá, blé pra vocês.

Sifudê, crônica esportiva de merda. Donos de jornal, rádio, TV: chamem o Mané da padaria pra comentar. É dinheiro muito mais bem empregado.

Posted by Ruy Goiaba at 05:30 PM | Comments (7)