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Palpiteiros bem remunerados

O Bananão é um país de palpiteiros, e o futebol deve ser o assunto que deixa a brava gente brasileira mais à vontade para emitir os palpites mais disparatados. Até aí, tudo bem: o direito ao palpite deveria estar garantido na Constituição e, mesmo não estando, é cotidianamente exercido por mim, por você e pelo Mané da padaria. O que me espanta é que nem eu nem você nem o Mané somos remunerados para dar palpites -mas gente que "palpita" de modo ainda mais idiota que nós ganha a vida com isso.

Exemplo fácil e momentoso: a vitória dessa seleção brasileira meia-boca sobre o, ahn, "dream team" argentino na final da Copa América, ontem. Estou longe de ser um fã do esquema do Dunga, com sete, oito volantes, sei lá eu. Mas ainda mais delicioso do que ver os argentinos apanharem é testemunhar as contorções que os entendidos (hummm) da crônica esportiva brasileira estão tendo de fazer para explicar por que o "futebol fantasia", o "quadrado mágico" e outras excelsas virtudes dos hermanos não funcionaram. É sempre assim: Hungria em 1954, Holanda em 1974, o Sobrenatural de Almeida do Nelson Rodrigues, o clichê mais batido do mundo ("futebol é uma caixinha de Sensação" -ou era outro chocolate? Não lembro). E a Itália campeã da última Copa era uma seleção que, no papel, ninguém diria espetacular. Nem assim essa gente aprende -prefere achar que a equipe do técnico anão foi melhor porque "levou em conta as nossas críticas" (ha-ha-ha) ou usar toda a sua maturidade para dizer que, afinal, a Copa América não vale nada mesmo, lalalá, nhanhanhá, blé pra vocês.

Sifudê, crônica esportiva de merda. Donos de jornal, rádio, TV: chamem o Mané da padaria pra comentar. É dinheiro muito mais bem empregado.

Comments

Sim, caro Luis. Mário Rodrigues foi uma imperdoável omissão em meu comentário. Tudo começou com ele. Segundo o Nelson, Mário foi o genial criador da crônica esportiva e antes dele a imprensa roía pedras nas cavernas.

Não é jogo duro, num país em que o (pigarro) principal diário esportivo (mais pigarro) do país tem, após seu nome, um ponto de exclamação, falar em crônica esportiva? Saudades do Mário e de seu irmão, né não, Neno?

Putz, os caras do SporTV são phodda, com PH de PHarmácia e DD de Toddy. Aquele Luis Carlos - Peruquinha - Jr é uma mala sem alça. Deve estar desbancando o Galvão. E tem o filho bastardo do Renato Aragão (dizem que ele fica putaço se fizerem esse comentário perto dele. Um dia estava eu no elevador do Rio Sul e entra o cara. E para segurar o riso?). Tentei ESPN Brasil e os caras seguram mais a onda - bem mais! - mas o narrador da vez não conseguia disfarçar o sotaque paulista. Não aguentei! Voltei pro Galvão na expectativa de - quem sabe? - ver o célebre coro: "Não é mole não, o Casagrande dá a bunda pro Galvão"

Mas o jogo era em Caracas...

Putz, lavou a alma. Os caras do SporTV dão mais raiva ainda, acham que todo mundo é otário. Talvez estejam certos nisso, pois eu ainda assisto os programas deles. Dizem "A", acontece "B", e eles falam "num disse, num disse?". No sofá, eu penso "é isso mesmo que estou vendo, essa cara de pau?". E o campeão de falar merda: José Roberto Wright (ao lado de Casagrande).

Bom tê-lo blogando novamente.

Vale.

Ó, o Mané da minha padaria também tinha colocado todas as fichas nos hermano e nas hermina. Agora acha que foi tudo armação do Lula co Chávez.

Crônica esportiva? Não li e não gostei. Depois da ventura de conhecer "A pátria em chuteiras" e "À sombra das chuteiras imortais", o resto é perdigoto.

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