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Special Olympics

"A nossa literatura é galho secundária da portuguesa, por sua vez arbusto de segunda ordem no Jardim das Musas. (...) Comparada às grandes, a nossa literatura é pobre e fraca. Mas é ela, não outra, que nos exprime. Se não for amada, não revelará sua mensagem; e, se não a amarmos, ninguém o fará por nós. (...) Ninguém, além de nós, poderá dar vida a essas tentativas muitas vezes débeis, outras vezes fortes, sempre tocantes, em que os homens do passado, no fundo de uma terra inculta, em meio a uma aclimação penosa da cultura européia, procuravam estilizar para nós (...) os sentimentos que experimentavam, as observações que faziam..."

Se Antonio Candido, professor de condescendência, diz que a literatura na Botocúndia é uma espécie de Paraolimpíada, quem sou eu para discordar?

Comments

Enfim, enfim.

"Palatando" também não existe, mas será dicionarizado um dia. =P

Quanto a "guspe" x "cuspe", também acho que a dicionarização chegará. Enquanto isso, uso como neologismo. Pronto, pronto. Chega. (o:

Depende da sua definição de literatura, claro, porque a "arte de escrever" produz literatura, ora.

Quanto a guspe, é curioso que o verbo "guspir" exista como variante de "cuspir", mas o substantivo não. Mas até aí "muleque" não existe e é amplamente pronunciado e escrito assim.

(o:

[espaço para a nota do editor.]

(N. do E.: Obrigado pelo espaço. :) Bom, escrever bilhetes ou e-mails pode até envolver algum grau de "arte", mas não é literatura, certo? Quanto ao cuspe/guspe, bem, "nós vai" também é amplamente pronunciado e você não escreve assim, suponho. Saudações.)

O senhor é parte do fenômeno da "literatura" brasileira... cuidada com a analogia com a paraolimpíada: é um guspe pra cima, nada cândido.

(N. do E.: Eu, "literatura brasileira"? Adriano, afasta de mim esse cálice! Nem no Bananão escrever num blogue faz de alguém, automaticamente, parte da literatura do país. Quanto ao "guspe", meu caro, sugiro uma olhadinha no dicionário. Saudações.)

O blog "no mínimo" fez uma enquete com intelectuais para eleger o maior romance da literatura brasileira nos últimos 25 anos, e deu "Viva o Povo Brasileiro", de João Ubaldo Ribeiro (em primeiro lugar), "Dois Irmãos", de Milton Hatoum, e "Quase Memória", de Cony. O mau-parâmetro também faz a porcaria se auto-proliferar.

Falando em Cony, faz uns dois meses que ele não publica nenhum livro, será que é writer´s block?

Considerando que nossa literatura só começou de verdade quando gente como Machado descobriu, pelo censo, que praticamente não existia público leitor, ou seja, somos um bando de analfabetos, e portanto podemos escrever o que quisermos, que não fará diferença, já é louvável que livros cheguem a ser escritos no país!

Fiquei tão triste ao entrar aqui e não ver mais o poema de Auden encabeçando a página que nem li os últimos posts.

(N. do E.: O poema do Auden continua aí, só um pouco mais para baixo, Ronald. Agora trate de ler os posts novos. :))

rapaz, tá difícil de amar esse troço.

Bem, eu sempre achei que um escritor fosse um escritor, e não um membro dessa ou daquela literatura.

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