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Misantropia é esporte, pratique

Como qualquer head shrinker recomendaria, tenho resolvido de maneira criativa uma das minhas grandes pequenas irritações. Sabem aquelas gentes que, logo após descer pela escada rolante, ficam paradas na frente, ponderando o Grande Mistério da Existência, de costas para a legião de pessoas que vem descendo? Sim, vocês sabem -e certamente já se esgueiraram por aquela ínfima fresta entre o imbecil parado no final da escada (identificado, deste ponto em diante, pela sigla IPFE) e o corrimão rolante, para evitar um desastroso efeito dominó de grandes proporções.

Para evitar isso, concebi um novo esporte, saudável e divertido, que consiste em: a) aprender a identificar um IPFE em segundos, tão logo ele se poste à sua frente na escada rolante; b) descer a escada com a perna esquerda reta e a direita flexionada num ângulo de no mínimo 45 graus, de modo a aterrissar com o pé exatamente no meio das costas do IPFE. O efeito plástico é coisa linda de ver, digna de filme do Bruce Lee -e, modestamente, estou ficando tão bom nesse negócio que outro dia, num desses xópins, fiz strike numa família inteira de IPFEs. Em verdade vos digo: se em 2028 isso virar esporte olímpico, não terei vivido em vão.

Comments

Sou adorador da primeira Lei de Newton e, portanto, já pratico isso há alguns anos. Também sou fera nas modalidades "porta do ônibus" e "camelôs na rua".

Hôme... moro no interior... só posso praticar esse esporte nas férias... QUE ESTAUM CHEGANDO! Êêêêêê!!!!

Eu sou praticante desse esporte, e com regularidade: Aqui em Porto Alegre não falta candidatos a trancarem portas e escadas. E prefiro acessórios. Uma mochila, pasta, um guarda-chuva, pra dar um cutucão: "Ôpa, desculpa, eu tava destraído" hehe... Na falta de objetos, uma obrada estilo Futebol Americano faz bem o serviço. E cara, excelente palavra, essa Misantropia!!!

O mais legal é que dependendo da distância do IPFE você tem uma sensação de câmera lenta. Ou efeito "bullet time" para os mais novos.

E eu achei que fosse completamente sedentário... Olímpíadas! Aqui vou eu!

Grande abraço, Ruy!

F.A>

Em São Paulo capital é pior. Pode ter certeza.

Certa vez uma jovem senhora entrochou (isso e' uma palavra? bem, transmite a ideia) o carrinho COM O NENEM escada rolante adentro, bem na minha frente. Eu vi que ia dar pobrema mas a fila atras de mim era grande e eu tive que ir. E' logico que na saida ela nao conseguiu desentrochar o carrinho com a agilidade requerida, e eu tive que pular, as in saltar por sobre, carrinho, nenem e cavalgadura. Foi a primeira vez na minha vida que xinguei uma desconhecida de burra. Sua BURRA! Alias, esse e' outro esporte gratificante, viu?

Tarde demais. Isso teria sido mais útil pra mim uns dez anos atrás, quando os IPFEs eram ainda só criancinhas paradas no meio tabogã que eu descia a mil.

Ruy, certa vez eu "acidentalmente" acertei minha bolsa (que pesa 7 quilos) na cabeça de um IPFE perdido no shopping Morumbi. Creio que fiz um serviço à sociedade e ao rapaz. Provavelmente depois do golpe o cérebro do mesmo entrou no tranco.

Muito feliz que você voltou. Pode ser em "short drinks" como neste post, mas a dose de Goiaba é necessária.

Tá aí um esporte impossível pra mim, pelo menos por enquanto. Cruz das Almas não tem áreas de treinamento... Que atraso.

Esse pessoal não é o mesmo que fica parado alguns centímetros após a porta?
É sim!

Tô praticando esse esporte faz tempo.

Pode ter a modalidade na versão masculina, feminina e em duplas. Nas duplas, sugiro mista. Como casais de mãos dadas, por exemplo. Já pensou nisso? Eu passo por isso direto num "xópins" que freqüento. E, geralmente os IPFEs estão com seus "lulus". Claro que fico com peninha dos "lulus". Sou muito sensível.

...é por posts assim que vc não deve parar de blogar, meu caro!!! sugestão maravilhosa.
e um IPFE sempre é um sujeito gordinho, suado, fazendo cara de simpático, na modalidade masculina; e na feminina, uma velhinha embonecada, carregando todas as jóias num passo indeciso.

C'est n'importe quoi, les IPFEs.
Agora imagine 6 da tarde, metrô Les Halles... Tem chinês, africano e francês xingando em várias línguas. E podes crer que o IPFE é um japa tirando foto...
Adorei!

Aaaaiiii Gô, como você voltou mau!!! E ainda trouxe palavra de procurar em dicionário. Feio.

Mas to super-feliz que você voltou

É como dizia o rotundo Ed Motta, em sua adolescência difícil de moleque que não comia ninguém: - "o mundo é cabuloso, o serumano é que não é normal". Ou coisa assim, acho.

Eu já imagino a sua performance na Olimpíada de Adis Abeba, em 2028. Galvão Bueno, com 110 anos, narrará a sua vitória no esporte (tem nome?) Ruy Goiaba do Brasil!!!!!, com o tema da vitória ao fundo. Vocè poderá dedicar a medalha às criancinhas. Morte aos IPFEs e parabéns pelos seis anos de blog
Um abraço,
Marcos

Putz, adorei isso. Me fez bem, obrigada!

Corrigindo: são IPFEs. Não estão "barados", estão parados.

Ruy, tô me acabando de rir aqui! Convivo com IBFEs diariamente!

Caramba! Eu achava que só eu me irritava com esse pessoal. Já houve um caso em que duas moçolas pararam para conversar na saída da escada rolante! Como eu sou "pequenininho" deixo a Física agir e peço "desculpas" depois :-)

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