Filósofos que batiam um bolão
José, Ortega e Gasset eram a linha média do Real Madrid na década de 30, aquela remota época em que havia "linhas médias" nos times de futebol (Ruy, Bauer e Noronha; Ely, Danilo e Jorge; Assis, Château e Briand* etc.). Dedicavam-se ao futebol nos fins de semana e, nos dias úteis, à cátedra de metafísica da Universidade de Madri, pela qual receberam inúmeros motorrádios -cobiçado prêmio para os melhores em campo- antes que a guerra civil os obrigasse a se exilar na Argentina. As péssimas condições dos gramados sul-americanos, porém, impediram que o trio mostrasse seu toque de bola refinado e filosófico, e assim eles encerraram sua carreira melancolicamente. Hoje os três têm um posto de gasolina na Pompéia.
José, Ortega e Gasset revolucionaram o modo de pensar o futebol**. Infelizmente, muitas de suas frases-conceitos chegaram distorcidas aos nossos dias, mas aqui vocês podem apreciá-las em sua forma original.
"Futebol é onze contra onze e sua circunstância."
"O resultado não espelha o que foi o jogo e sua circunstância."
"O pênalti é tão importante que deveria ser batido pelo presidente do clube e sua circunstância."
"O Pelé é uma coisa e o Edson é outra, entende? Porque o Santos, o Santos não tinha só o Pelé. Tinha Dorval. Tinha Mengálvio. Tinha Coutinho. Tinha Pepe. Porque o Pelé tomava muito Vitasay, muito Taffman-E, mas não decidia jogo sozinho, entende? O Pelé é o Pelé e sua circunstância."
* Créditos para Apparicio Torelly.
** A regência filistina do verbo "pensar" é proposital.
Comments
Este moço tem cada idéia! Adorei.
Posted by: Adelice | janeiro 30, 2008 02:34 PM
genial!!
qual dos três será que foi artilheiro??
vc é ótimo;
Posted by: tati | janeiro 27, 2008 09:05 AM
A final do campeonato você pode ver aqui: http://www.youtube.com/watch?v=moWZm66J_yM
Posted by: Victor Grinbaum | janeiro 26, 2008 08:49 AM
E novamente ele chegou
Com inspiração
Com muito amor, com emoção, com explosão em gol
Sacudindo a torcida aos 33 minutos
Do segundo tempo
Depois de fazer uma jogada celestial em gol
Tabelou, driblou dois zagueiros
Deu um toque driblou o goleiro
Só não entrou com bola e tudo
Porque teve humildade em gol
Foi um gol de classe onde ele mostrou
Sua malícia e sua raça
Foi um gol de anjo um verdadeiro gol de placa
Que a magnetica agradecida assim cantava
RUY maravilha,
Nós gostamos de você
RUY maravilha,
Faz mais um pra gente ver
(fiz parceria com Jorge Ben Jor, pra cantar seu gol de placa!!!!)
beijos
(N. do E.: O que seria de mim sem essas amigas generosas, não? :) J. e Graça, beijões pra vocês.)
Posted by: Graça | janeiro 24, 2008 09:07 PM
Como você é o Pelé ou o Ortega y Gasset dos blogueiros, o Ruy Goiaba é o Ruy Goiaba e sua circunstância. E como eu sou eu e minha circunstância, determino que com o gol que marcou neste post, você acaba de ganhar o Motoradio do Ely Coimbra (era ele quem dava (o Motoradio), não era? Ou era o Walter Abraão?)
Posted by: j | janeiro 24, 2008 07:55 PM
Ruy,
Muito bom. Eu dei uma gargalhada no meio da redação. Ficaram me olhando estranho, mas foi só eu enviar o seu post para que percebessem que a gargalhada tinha um motivo nobre
Um abraço,
Marcos
Posted by: Marcos Matamoros | janeiro 24, 2008 10:45 AM
Ruy, hoje, por coincidência, resolvi também contar uma historinha futebolística, não tão remota no tempo, mas remota no espaço: o interior do Ceará. Ela está aqui:
http://cafeinado.blogspot.com/2008/01/mundo-perfeito.html
Posted by: Roger Prado | janeiro 24, 2008 10:12 AM
as linhas médias, em geral, arquibancada tbm, querem apenas uma coisa: trocar passes, mas não as suas consequências
Posted by: QuincasB | janeiro 24, 2008 06:21 AM