Pequenas biografias de grandes escritores (2)
Gustave Flaubert (1821-1880)
Autor famoso por ser constantemente confundido com o chef José Hugo Celidônio e pela busca obsessiva da palavra justa (le mot juste), que o tornou o terror dos atendentes de todas as lojas do Faubourg Saint-Honoré. (Eis um diálogo extraído de uma das suas cartas: "Ficou bom?" "Olha, seu Flobér, Deus é justo, mas essa sua palavra... virgem santíssima! Tá muito apertada aqui atrás, vai deixar o senhor todo assado. Não prefere uma palavra um tantinho mais folgada, confortável?" "Não! Tem que ser a palavra JUSTA!" "Tá bom, seu Flobér, depois lasseia mesmo. Os outros clientes podem usar o provador agora? O senhor já está aí há seis horas!" "Só mais um minutinho.") Escreveu volumosa correspondência e, perdidos no meio dela, um romance aqui e um conto ali. Entre suas principais obras estão aquela da mulher que pulava a cerca, aquela outra da mulher que tinha um papagaio, "A Educação Sentimental" (depois regravada pelo Kid Abelha) e "Bouvard e Pécuchet", cujo apêndice, o "Dicionário das Idéias Feitas", foi crescendo tanto que um dia estourou e matou o escritor. Por ter morrido antes de entregar a revisão definitiva dos dizeres do seu túmulo, acabou sendo enterrado em Lins (lugar incerto e não sabido).
Comments
Dearest, saudades. Nada resiste ao seu bom humor. Adorável
(N. do E.: Obrigado, querida! Saudades também. Um beijo.)
Posted by: Compulsão Diária | fevereiro 16, 2008 12:57 PM
Genial, Goiaba! Zé Hugo Celidônio tá ótimo de Flobér.
"E novamente ele chegou, com inspiração..."
beijos
Posted by: Graça | fevereiro 12, 2008 11:06 AM
Esse tio aí não foi aquele que pegou sífilis na África?
Posted by: Jonas | fevereiro 12, 2008 10:42 AM
Cáspite! Cinco anos lendo esse blog e você ainda me surpreende. Acho que isso vai ser "pra sempre". :)
(N. do E.: Fico felicíssimo com isso, querida. Beijão.)
Posted by: Rita Amaral | fevereiro 12, 2008 02:01 AM
Salve, Ruy, brilhante a série. Vai ter Joyce?
(N. do E.: Ô, Fernando, quanto tempo -gracias pelo elogio. Pensei no Joyce, vamos ver se faço. Abraços!)
Posted by: Fernando | fevereiro 12, 2008 12:49 AM
Sei lá se é verdade, mas o "Buvar e o Pecuxê" me contaram que a palavra do seu Flobér era tão justa, mas tão justa que não lasseou de jeito nenhum e que ele não morreu, não. Virou purpurina.
Que bom, Goiabinha, que voltaram as séries goiabais. Você sabe como fico contente com isso. Um beijinho pra você.
Posted by: j | fevereiro 11, 2008 07:22 PM
Ruy, precisas explicar aquele arroubo estranho do Flaubé quando disse "Madame Bovary sou eu, cacete!"
(N. do E.: Bem lembrado, Moziel. Deve ter sido efeito da calça, digo, da palavra justa. Abraços.)
Posted by: Moziel T.Monk | fevereiro 11, 2008 12:27 PM
"Depois lasseia mesmo" hahahaha
Grande post, todas as palavras justas, certinhas nos seus escaninhos, if you know what I mean (esse finalzinho é só para espantar o Aldo Rebelo, caso ele apareça por aqui. Viu a surra que ele está levando do Millor na Veja?)
Abraço.
(N. do E.: Obrigado, Roger. Quanto ao Millôr, vi, sim -toda surra no Rebelo é pouca. :) Abraços.)
Posted by: Roger Prado | fevereiro 11, 2008 09:53 AM