Leda Nagle entrevista James Joyce
LN - Vem cá, James, conta pros nossos telespectadores como foi essa coisa mágica de escrever um livro como o "Ulysses".
JJ, bêbado - O that awful deepdown torrent O and the sea the sea crimson sometimes like fire and the glorious sunsets and the figtrees in the Alameda gardens yes and all the queer little streets and the pink and blue and yellow houses and the rosegardens and the jessamine and...
LN (interrompendo, sorridente) - Arte é uma coisa gloriosa mesmo, né? E, vem cá, tem alguma mensagem pros seus leitores brasileiros?
JJ - A disincarnated spirit, called Sebastion, from the Rivera in Januero (he is not all hear), may fernspreak shortly with messuages from my dead-ported. Let us cheer him up a little and make an appunkment for a future date. Hello, Commudicate! How's the buttes?
LN (sorrindo sempre) - Preferência nacional, com certeza. A gente agora vai pros nossos comerciais e depois volta pra um chazinho com Marcel Proust, que já está aqui no estúdio. Não saia daí.
Comments
Da série Entrevistas Impagáveis Ruy, essa me lembrou a da Uónessa Camargo com a Leny Andrade no Pograma Jovens Retards. Tipo, a Uó estava estabelecendo um paralelo -hua hua hua- entre a carreira musical das duas. Depois de ouvir (im)pacientemente a merdalhada que a Uó tinha pra dizer a Leny responde com aquele vozeirão: "Ô queridinha, tu é tão lindinha que nem precisa cantar!" E a outra, piscando deslumbrada, viveu mais um momento de glória. Rolei.
Posted by: san | maio 15, 2008 11:14 PM
Me lembro de uma entrevista do Gore Vidal pela Marília Gabriela, na qual num dado momento ele menciona Marlowe, mas num contexto em que a bola volta para a entrevistadora e ela deve dizer qualquer coisa. Como a MG não tinha a mínima idéia de quem fosse Marlowe, ela ficou olhando o GV com cara de bunda até que, depois de alguns segundos constrangedores, o assunto mudou (bem, tudo isso de memória, que é ruim). Na época achei que teria sido tão preferível perguntar "quem é Marlowe", mas talvez eu não entenda nada de gestão de imagem. Aliás, Marlowe é um criador de casos. Na ficção, tem aquela cena da amante do Sherman McCoy na Fogueira das Vaidades, a Maria, que provocou indiretamente toda a merdança que sustenta o enredo do livro porque não sabia quem era Marlowe. Talvez a Marília Gabriela tenha acertado em ficar calada. Mas ficou muito grande isso aqui
Posted by: F. Arranhaponte | maio 15, 2008 07:40 PM
Nunca li JJ um pouco por preguiça e bastante por medo de encarar mais um desses inventores de linguagem. Digamos que a experiência com os concretos brasileiros e com Guimarães Rosa tenha sido desagradável o suficiente. Por outro lado, cansei as vista de tentar ler Proust. M. Swann não me agradou nem para passar da página 100. Tentei três vezes.
Mas acabo de descobrir que gostei de JJ. Espero que o livro (de onde vêm as quotations?) se mantenha nesse nível. Valeu.
(N. do E.: A primeira citação é do "Ulysses" e a outra, do "Finnegans Wake", Cássio. Gosto do primeiro livro, mas é uma leitura notoriamente difícil; no segundo, jamais consegui avançar. Boa sorte e um abraço.)
Posted by: Cássio | maio 15, 2008 06:52 PM
muito bom!
Posted by: gian | maio 15, 2008 04:09 PM
hahahaha
já imagino a combinação de colar e brinco da leda nessa entrevista.
vc se supera.
Posted by: tati | maio 15, 2008 03:44 PM
g e n i a l !
Posted by: larissa | maio 15, 2008 09:26 AM
Genial, Ruy. Boas gargalhadas, dei aqui. Para a entrevista com Proust, LN já está munida da bombinha antiasma? Abraço.
Posted by: Luis | maio 14, 2008 10:14 PM
Já que o negócio é sugerir entrevistas bizarras, que tal o João Gordo com Kant? Ou a Marília Gabriela, movendo os braços, o pescoço e os olhos freneticamente (as usual! ) para mostrar o quanto os poemas de Petrarca a tocaram profundamente?
Posted by: Ângelo da C.I.A. | maio 14, 2008 10:09 PM
Pensando no seu passado, Ruy, por que não uma da Ana Maria Braga com o Dostoiévski? Desde aquele post do cão que tinha três pernas nunca vi uma emulação melhor dele. E as entrevistas da Ana Maria Braga são, de longe, as melhores da TV brasileira. Mas de longe.
Posted by: Gustavo | maio 14, 2008 08:19 PM
"the pink and blue and yellow houses and the rosegardens and the jessamine and...
LN (interrompendo, sorridente)"
Hahahahahaha!
"E a idéia do Faustão apresentando o Goethe é ótima, Bruno; vou escrever."
E a gente vai esperar ansiosamente! :)
Posted by: Llu | maio 14, 2008 07:35 PM
Queridinho,
aparentemente, você lambuzou bem a barba-de-comments de mel: as abelhas estamos lôcas, aqui.
Bravo.
(N. do E.: Ueba! Obrigado, querida. Um beijo.)
Posted by: D. | maio 14, 2008 07:27 PM
Com certeza.
Posted by: david | maio 14, 2008 05:48 PM
Obrigado, pessoal. :) Descobri, porque um amigo me avisou, que há uma comunidade no Orkut chamada "Mallandro entrevista Greenspan"; acho que vou entrar lá e postar isso aí. E a idéia do Faustão apresentando o Goethe é ótima, Bruno; vou escrever.
Abraços a todos.
Posted by: Ruy | maio 14, 2008 05:30 PM
Quero ver o Faustão apresentando Goethe. :)
Posted by: Bruno | maio 14, 2008 05:18 PM
Só quero saber quem financia os reclames... :-))
Beijo, amore.
Posted by: Janaína | maio 14, 2008 04:44 PM
Clap Clap...
Curto Joyce porque inventou onomatopéias pra quase todos os barulhos de eletrodomésticos muito usados nos dias de hoje antes da invenção dos mesmos. Um gênio indeed.
Posted by: Tiago Lopes | maio 14, 2008 04:32 PM
Brilhante, Ruy. Também seria lindo a entrevista da Leda Nagle com o Décio Punhetari.
Posted by: rodrigo de lemos | maio 14, 2008 03:36 PM