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Modesta proposta para a sétima arte (2)

Pegar um serial killer cinematográfico dos bons (o arquiteto Paul Kersey, por exemplo) e soltar no comecinho de outro filme que seja especialmente chato -pode ser qualquer um do nunca assaz mencionado Bressane, por exemplo. Vantagem número 1: manter a vibe metalingüística da coisa (matança = a) opinião destrutiva da crítica; b) reação histérica da classe média ao cinema de vanguarda; c) deus ex machina em pleno faniquito; d) doutrina Bush; e assim por diante). Vantagem número 2, não menos importante: reduzir a cinco minutos uma merda que poderia durar até três horas e meia. Mais ou menos como aquela ótima cena de "Annie Hall", substituindo o McLuhan pelo Charles-Bronson-matando-todo-mundo.

Comments

Correndo o risco de ser linchada pela turba que frequenta este antro, confesso que eu soltaria um Remo ("Desarmado e Perigoso") naquela "Medéia-sem-diálogos" de Pasolini, facinho, facinho.

(Nota da Comentarista: Tentei ver o filme três vezes. Nas duas primeiras, tive que puxar o livro da estante para tentar acompanhar. Paro o filme sempre na mesma sequência (genial) em que o diretor quer filmar a Maria Callas, mas o fotógrafo quer pegar o pôr-do-sol, se lixando para o fato de haver uma atriz em cena. Resultado: um plano cortado na altura do pescoço da Medéia. O que se vê é uma cabeça solta, flutuando no chão desertificado, voando de um lado para o outro, a gritar interjeições - já o pôr-do-sol, magnífico, toma o quadro inteiro.
O Pier Paolo devia estar muito ocupado - fazendo sacrifício humano - na hora em que editaram esse trecho.)

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