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agosto 29, 2008

Mr. Guavaman's Jukebox

Que tal um Miles Davis de boa safra? Aqui vai "It Never Entered My Mind", standard da dupla Rodgers & Hart, gravado em 1956 para o álbum "Workin'". Era a época do "primeiro quinteto clássico" do trompetista, mas o sax tenor de John Coltrane está ausente dessa gravação, em que Miles é acompanhado por Red Garland (piano), Paul Chambers (baixo) e Philly Joe Jones (bateria). Espero que apreciem -e bom fim de semana para vocês.

Posted by Ruy Goiaba at 03:47 PM | Comments (3)

agosto 28, 2008

Aviso aos navegantes do Firefox

Sim, vocês estão vendo meu blogue todo torto (o que não acontece quando ele é lido com o Internet Explorer). E não, eu não sei como resolver -estamos trabalhando para estar descobrindo. Stay tuned, que o puragoiaba já volta, com mais cubismo involuntário e idéias fora do lugar.

Update: Aparentemente, resolvido. Foi só reduzir o número de posts na página. O problema parece ser com o player do MP3Tube no Firefox.

Posted by Ruy Goiaba at 08:11 PM | Comments (2)

Saldözismo

Tenho idade suficiente para me lembrar dos bons tempos pré-urna eletrônica. A tecnologia acabou com a coisa mais legal das eleições, talvez a única realmente bacana, que era poder desenhar pirocas na cédula na hora de votar. Ingenuamente, eu acreditava que, eliminada essa diversão, teríamos como contrapartida um upgrade na "festa da democracia" -mas nela, como já escrevi, não se pode beber e, pelo menos lá onde eu voto, só tem gente baranga. Parece a Grande Festa Chata planejada e nunca posta em prática no meu tempo de faculdade, sem o Cynar e a Malt 90 quente.

Posted by Ruy Goiaba at 04:23 PM | Comments (7)

agosto 27, 2008

Gerador de quadros do Jackson Pollock

Brinque você também de expressionismo abstrato:

www.jacksonpollock.org

(A dica é do Thiago, a quem agradeço.)

Posted by Ruy Goiaba at 01:56 PM | Comments (5)

agosto 26, 2008

Sein und Zeit

Todos esses seres que estão "à frente do seu tempo" precisam ser uma espécie de Usain Bolt -melhor, algum recordista de corridas de fundo, de longuíssima distância. Porque, se parar de correr, o tempo chega por trás com tudo e enraba: crau. Prefiro, modestamente, ficar um pouco atrás do meu tempo, só observando. Com a bunda no muro, por via das dúvidas.

Posted by Ruy Goiaba at 05:07 PM | Comments (3)

agosto 25, 2008

Meus instintos mais primitivos

Ouço na tevê esta música aqui, que é tema de abertura de uma das novelas da Grobo. Só consigo pensar que, na pouco provável hipótese de eu tropeçar numa lâmpada mágica com gênio dentro e o sujeito me conceder a realização de um único desejo, eu escolheria ressuscitar o Gonzaguinha -apenas para ter o prazer de matá-lo de porrada. Forgive me, oh Lord.

Posted by Ruy Goiaba at 02:50 PM | Comments (11)

agosto 22, 2008

Mr. Guavaman's Jukebox

O Love é uma das minhas bandas de roque preferidas, apesar de ser, como o nome sugere, um bando de hippies californianos (na verdade, o líder e principal compositor, Arthur Lee, nascera em Memphis). De todas as bandas psicodélicas em evidência na segunda metade dos anos 60, deve ter sido a que menos fez sucesso -e é, hoje, a que ficou menos datada. O melhor do grupo está nos quatro primeiros álbuns, com faixas esparsas em alguns outros; seu terceiro disco, "Forever Changes", lançado no final de 1967, aparece com regularidade (e merecidamente) em listas de melhores do gênero. A música da jukebox de hoje não está nesse álbum, e sim no segundo, "Da Capo" -a pré-punk "Seven & Seven Is". Bom final de semana.

Posted by Ruy Goiaba at 01:39 PM | Comments (4)

agosto 21, 2008

Pra não dizer que não falei da Olimpíada

Pus de volta foto e frase principal daquela cena de "Sindicato de Ladrões", com o Marlon Brando e o Rod Steiger. Resume a coisa -e também este país.

Posted by Ruy Goiaba at 02:10 PM | Comments (4)

agosto 20, 2008

Filósofos que batiam um bolão (3)

Não há dúvida de que o meio-campo mais filosófico do futebol brasileiro era o do Corinthians no início da década de 80, com Sócrates, Zenon e o maior de todos os empiristas, Biro-Biro. Durou pouquíssimo. Enquanto Sócrates se dedicava a corromper a juventude com toquinhos de calcanhar e Biro comia a bola, Zenon, dito de Eléia, ficava parado no círculo central -afinal, o movimento era uma ilusão e, se a bola rolando na verdade estava em repouso, por que correr atrás dela, não é? De nada adiantavam os gritos dos colegas. Num dia em que a bola parada foi parar no fundo do gol corintiano, Zenon discutiu com o árbitro: ficou meia hora tentando provar que o 1 a 0 no placar era falso, mediante detalhadíssima explicação do argumento da flecha e do paradoxo de Aquiles e da tartaruga, até que o juiz o expulsou por chatice ("olha, meu filho, 'cê vai ser dialético lá no chuveiro, está bem?"). Foi o melancólico fim da carreira do eleata, que depois não conseguiu vaga nem em esquete do Monty Python.

Posted by apostos at 10:10 PM | Comments (3)

agosto 19, 2008

Pequena antologia goiabal

Joseph Brodsky (1940-1996)

Também eu aguardei na colunata
da Bolsa, outrora, o fim da chuva fria.
Julgava-a dom de Deus. E era sensata
minha suposição. Pois algum dia
também eu fui feliz. Fui prisioneiro
dos anjos. Combatia monstro horrendo.
Feito Jacó, fitava sorrateiro
uma beldade -rápido- descendo
a escada principal.
Aonde tudo
se foi. Sumiu. Olho janela afora:
o "aonde" acima, eu o escrevi, contudo,
sem ponto de interrogação. Agora
é setembro. Um trovão distante invade
meu ouvido. Eis um horto. Pêras pensas,
cheias de seiva nas ramagens densas,
parecem signos de virilidade.
E o ouvido admite, como gente avara
parentes na cozinha, um som assíduo
de chuva que, na mente, sem chegar a
música ainda, é mais do que ruído.

("Quase uma Elegia", 1968. A tradução é de Boris Schnaiderman e Nelson Ascher.)

Posted by Ruy Goiaba at 03:33 PM | Comments (3)

agosto 17, 2008

Mr. Guavaman's Jukebox, edição extra

Dorival Caymmi, mestre do 12º dan em preguiça, RIP.

Quase postei uma música dele na sexta, cantada pelo João Gilberto; ficou para a edição extra de hoje. Clicando aí embaixo, vocês podem ouvir, com o próprio Caymmi, sua voz de baixo e seu violão, "Noite de Temporal", que fecha o álbum "Caymmi e Seu Violão", de 1959 (discão, podem ir atrás).

Bom domingo.

Posted by Ruy Goiaba at 01:35 AM | Comments (4)

agosto 15, 2008

Mr. Guavaman's Jukebox

Você, assim como o João Donato, está de saco cheio de ouvir falar em bossa nova? Detesta João Gilberto e/ou o culto às, ahn, excentricidades (aliás, faz tempo estou para escrever um post sobre ele e o que o George Orwell, num texto referente ao Salvador Dalí, chamava de "benefit of clergy") do cara? Bom, tant pis pour toi, porque eu gosto de João Gilberto -embora não com a devoção do Tiago A.- e, se não é esse o seu caso, favor ir lamber sabão. A música da jukebox de hoje é "Eu Quero um Samba", de Haroldo Barbosa e Janet de Almeida (que, apesar do nome, era homem), gravada pela primeira vez em 1945 pelos Namorados da Lua, conjunto vocal liderado por Lúcio Alves; JG a regravou em 1973, no disco que é conhecido como o seu "álbum branco". Para ouvir, é só clicar aí embaixo.

Bom fim de semana.

Posted by Ruy Goiaba at 12:42 PM | Comments (3)

agosto 14, 2008

Piores trocadilhos da história da arte

"Ceci n'est pas une pipe."


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"Bien sûr -c'est un vélo, espèce d'idiot."

(Variação: "Claro que não -é uma personagem do José de Alencar, porra. Belga mais maluco, parece que bebe.")

Posted by Ruy Goiaba at 03:30 AM | Comments (7)

agosto 13, 2008

Trajetória de uma nação

Existem vários modos de enunciar a clássica frase do Lévi-Strauss* sobre a Botocúndia ter passado da barbárie à decadência driblando (quanta ginga, quanta manemolência) o estágio da civilização. Pode-se dizer também, por exemplo, que o Bananão começou positivista e terminou patafísico -por aqui, a "ciência das soluções imaginárias" tem um status mais elevado que o da ciência de verdade e, claro, muito mais verba. Basta ler os discursos do Efelentífimo -de qualquer político, for that matter- ou a lista das emendas ao Orçamento. Patafísica de vanguarda = orgulho danação.


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Pai Ubu, rei da Polônia e herói de nossa gente.

* Um leitor corrige: a frase é do Oscar Wilde e refere-se à América. Lévi-Strauss só a cita no capítulo de "Tristes Trópicos" que fala de São Paulo.

Posted by Ruy Goiaba at 03:01 PM | Comments (3)

agosto 12, 2008

Genival Lacerda = Cole Porter

"Quero tirar o seu selinho/ Quero tirar o seu selinho/ Não quero perder o selinho/ Eu só quero dar beijinho." Esse é o refrão da obra-prima de Kharolynne Myrandha*, sobrinha da Ghrhehtchehn* e, salvo engano meu, capa da última revista Séquissi*, o que torna um pouquinho difícil essa suspension of disbelief que a letra requer. É apenas mais um passo na evolução que transformou o imortal criador de "Ela Deu o Rádio" em mestre do understatement. Dizem que o "país da delicadeza perdida" está na obra de Menstruação Buarque de Holanda, also known as Fanho Pegador. Mentira. Na próxima vez, procurem pelo barrigão do Genival.

* Grafias sutilmente alteradas para evitar que legiões de punheteiros se decepcionem ao cair aqui pelo Gúgol.

Posted by Ruy Goiaba at 07:24 PM | Comments (9)

agosto 11, 2008

Pequena antologia goiabal

Cioran (1911-1995)

"Após a publicação do 'Breviário [de Decomposição]' em espanhol, dois estudantes andaluzes me perguntaram se era possível viver sem fundamentación. Respondi-lhes que era verdade não ter encontrado nunca uma base sólida em lugar nenhum e, no entanto, ter conseguido subsistir porque, com os anos, a gente se habitua a tudo, até à vertigem. E depois não estamos despertos e não nos interrogamos o tempo todo, sendo a lucidez absoluta incompatível com a respiração. Se estivéssemos, a cada momento, conscientes do que sabemos, se a sensação da falta de fundamento fosse ao mesmo tempo contínua e intensa, cometeríamos suicídio ou cairíamos na idiotia. Só existimos graças aos momentos em que esquecemos certas verdades, e isso porque durante esses intervalos acumulamos a energia que nos permite enfrentar as ditas verdades."

(Do livro "Exercícios de Admiração", de 1986. Este é um repost da "pequena antologia", mas já faz tanto tempo -quase seis anos- que nem eu me lembrava. Espero me aperfeiçoar na arte zen do esquecimento.)

Posted by Ruy Goiaba at 12:01 AM | Comments (4)

agosto 08, 2008

Mr. Guavaman's Jukebox

Johnny Mathis é um daqueles casos de grande voz e repertório no mínimo discutível -às vezes, francamente cafona. Mas ele começou "jazzista": em seu primeiro disco para a Columbia, Mathis era acompanhado por craques (J.J. Johnson, John Lewis, Ray Brown), com arranjos de gente como o Gil Evans. O álbum não vendeu bem, o cantor caiu nas mãos do produtor Mitch Miller -also known as "o sujeito que fez o Sinatra imitar cachorro"- e fez sucesso com "Misty", clássico de Erroll Garner, mas principalmente com material mais pop e/ou repleto de sacarina. E assim seguiu a vida.

Houve exceções, porém, como o álbum "Open Fire, Two Guitars", de 1959. Nele, como sugere o nome, Mathis é acompanhado apenas por duas guitarras (e um contrabaixo acústico, tristemente esquecido no título). Nunca li sobre isso, mas suspeito que Mitch Miller tenha achado esse tipo de disco comercialmente viável graças ao sucesso de Julie London com "Cry Me a River", gravada antes no mesmo esquema; sua produção deve ter consistido em pôr a fita para rodar e não se meter. Funciona: a boa seleção de repertório e os arranjos mais austeros, sem glacê, evidenciam quão bom cantor era o cara. E eu não me canso de ouvir a versão de "Bye Bye Blackbird" que vocês escutarão clicando aí embaixo. Hope you enjoy.

Bom fim de semana.


Posted by Ruy Goiaba at 01:51 AM | Comments (5)

agosto 07, 2008

Palmômetro

Li em algum lugar deste pasquim aqui que a eleição lá na metrópole continua marcada para 4 de novembro. Como assim? Obama nas Alturas já não foi escolhido, por aclamação, Fodão da Casa Branca e Rei do Mundo?

Esses americanos são uns neuróticos.

Posted by Ruy Goiaba at 03:10 PM | Comments (4)

agosto 06, 2008

Programa imperdível

A reinauguração do Museu da Imagem e do Som aqui em São Paulo, no fim de semana, terá, entre outras atrações, Peréio lendo poemas do Ezra Pound. Muito bom. Pensem naquela voz da campanha pelo Borba Gato dizendo "com usura, pecado contra a natureza, teu pão é mais e mais feito de panos podres, PORRA" -só essa aliteração final já melhora o poema em uns 200%. Contribuição transcriadora é isso aí, Augusto de Campos.

Posted by Ruy Goiaba at 02:52 PM | Comments (3)

agosto 05, 2008

Nova definição para um velho blogue

Mais inútil que figurinista em peça do Zé Celso.

(Em compensação, muito menos DIONYSÍACO.)

Posted by Ruy Goiaba at 01:30 PM | Comments (3)

agosto 04, 2008

Este é o melhor momento do dia

Numa redação, a máquina de café é a melhor amiga do serrumano jornalista, essa contradição em termos. Não pelo café em si, que é uma merda (embora tolerável na versão "com leite"), mas pelos conselhos taoístas que ela nos dá: quando coloco a moedinha na fenda, a máquina me diz "saboreie um momento de RILÉCS", o que soa como uma espécie de Wu wei aplicada. Vejam como isso dignifica o homem: nessa perspectiva, deixo de ser um patético viciado em cafeína tentando escapar do fechamento e passo a ser alguém que sabe saborear seus momentos de RILÉCS. Meu medo é que a geringonça mude o repertório e passe a exibir mensagens como "é preciso um grande caos interior para dar à luz uma estrela dançarina" ou "o caminho do excesso conduz ao palácio da sabedoria". No primeiro caso, os efeitos nos consumidores do café serão um bigode gigante e uma vontade incontrolável de dar a bunda (certo, em alguns casos será só o bigode mesmo); no segundo, é certeza que a bebida virá adoçada com LSD. Não-bom. Espero que nossa amiga se mantenha fiel aos princípios do taoísmo. (Na verdade, "relax" está escrito certo na máquina, mas acho que essa grafia alternativa é muito mais eloqüente.)

Posted by Ruy Goiaba at 03:41 PM | Comments (10)

agosto 01, 2008

Mr. Guavaman's Jukebox

No mundo do roque, em geral, uma banda cult é aquela que não faz sucesso por razões incompreensíveis -provavelmente, porque todo mundo estava olhando para outro lado- e só é "descoberta" alguns anos depois. É o caso dos Flamin' Groovies, grupo não-psicodélico oriundo de San Francisco naquela época em que o povo só consumia Grateful Dead com sucrilhos e LSD no café da manhã. O som dos Groovies teve duas fases. Na primeira -no início dos anos 70, com Roy Loney nos vocais-, era um roquenrol stoniano (pense no som de álbuns como o "Sticky Fingers"). Na segunda, eles se mudaram para a Inglaterra e, comandados pelo guitarrista Cyril Jordan, passaram a soar, às vésperas da aparição do
punk, como aquelas bandas da British Invasion que não eram os Stones.

A música da jukebox de hoje é do primeiro disco dos Flamin' Groovies ("Supersnazz", de 1968) e não tem nada a ver com nenhuma dessas fases: "Bam Balam", da dupla Loney/Jordan, soa como se tivesse sido composta na década de 20 ou algo assim. Espero que gostem. Bom fim de semana.


Posted by Ruy Goiaba at 06:41 PM | Comments (6)