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Mr. Guavaman's Jukebox

Johnny Mathis é um daqueles casos de grande voz e repertório no mínimo discutível -às vezes, francamente cafona. Mas ele começou "jazzista": em seu primeiro disco para a Columbia, Mathis era acompanhado por craques (J.J. Johnson, John Lewis, Ray Brown), com arranjos de gente como o Gil Evans. O álbum não vendeu bem, o cantor caiu nas mãos do produtor Mitch Miller -also known as "o sujeito que fez o Sinatra imitar cachorro"- e fez sucesso com "Misty", clássico de Erroll Garner, mas principalmente com material mais pop e/ou repleto de sacarina. E assim seguiu a vida.

Houve exceções, porém, como o álbum "Open Fire, Two Guitars", de 1959. Nele, como sugere o nome, Mathis é acompanhado apenas por duas guitarras (e um contrabaixo acústico, tristemente esquecido no título). Nunca li sobre isso, mas suspeito que Mitch Miller tenha achado esse tipo de disco comercialmente viável graças ao sucesso de Julie London com "Cry Me a River", gravada antes no mesmo esquema; sua produção deve ter consistido em pôr a fita para rodar e não se meter. Funciona: a boa seleção de repertório e os arranjos mais austeros, sem glacê, evidenciam quão bom cantor era o cara. E eu não me canso de ouvir a versão de "Bye Bye Blackbird" que vocês escutarão clicando aí embaixo. Hope you enjoy.

Bom fim de semana.


Comments

Esqueci de acrescentar: a versão postada de Bye Bye Blackbird é muito bonita mesmo! Lírica, bem derramada, no melhor estilo romântico de Nat King Cole. E bem diferente do estilo usual de Mathis. Quando quero me sentir "derramada" assim (e em paz com a vida, com os homens, com o mundo), escuto "Love is the thing", do Nat. É tiro e queda. :-)

(N. do E.: Gosto muito do Nat King Cole e desse disco, Norma. Beijo!)

Ah não, e Ivie? "There ain't no future in it Evie"... Ok, o arranjo é meio brega, mas a composição é bonita.

Ruy, sou uma leitora assídua e antiga, mas acho que é a primeira vez que posto. Beijo!

(N. do E.: Olá, Norma! Que prazer vê-la por aqui -também sou seu "visitante". Quanto ao Johnny Mathis, claro, há outros exemplos "a favor": eu mesmo gosto muito da versão de "My Funny Valentine" que fecha esse álbum que mencionei. Um beijo.)

Que boniteza esse! Você é mesmo uma ternura de ranzinza!
Beijos, Marcia

Ruy, na minha curiosidade padrão andei procurando foto tua, mas nada. Mostre-se um dia :D

Deveras surpreendente! Não lembra em absolutamente aquela voz anasalada algo irritante que a gente se acostumou a ouvir nos hits dos anos 60. Super cool!
Bjk.

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