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Exercitando o dom da profecia

Em breve, no blogue de Caetano Veloso, sensacional embate de idéias entre o gênio da emepebê e o último velhinho positivista de Vitória de Santo Antão. Não percam! (Claro, é de presumir que o velhinho não saiba "mexer com a internet" e só se manifeste por cartas -ou melhor, missivas. O que não impedirá o compositor de lhe dedicar um post-réplica de 7.800 caracteres, sem espaços. Muito menos de dizer que, num país de Primeiro Mundo, já lhe teriam cortado a pensão da Rede Ferroviária Federal.)

Comments

Jotabe Medeiros, em texto no Caderno 2 de domingo, 21/09, doou outro Grammy para Eumir Deodato por "Assim falou Zaratustra", de 1967, tema de "2001" do Kubrick em 1968.

Eumir Deodato ganhou o Grammy por sua gravação de "Zaratustra" em 1973, soundtrack de "Being There" (1979, Peter Sellers, Namasté! Birdie Num Num).

O Zaratustra do Kubrick '68 foi conduzido pelo Karajan, com Filarmonica de Viena. Filme com trilha do Deodato e Jobim em '67 foi "Garota de Ipanema".

Wikipedia e IMDB servem pra isso.

Tentei postar a humilde correção no blog do Jotabe mas o sistema pede minha senha blogger, wordpress, typepad, e eu não uso internet desde o século passado, não lembro nada disso.

Deveria me corresponder por missivas. Ao menos não cortaram minha Pensão e Rede da Mãe Joana. Ainda.


Engraçado que eu havia tentado um comentário algo óbvio "não, não, você não está entendendo nada, Caê: NECRÓPSIA, como o nome bem indica, é o exame que consiste em abrir o torax e o crânio do cadáver com o fito de indicar a causa mortis. NECROPSIA realizada em doente chamar-se-ia HOMICÍDIO."

Comentário recusado, claro. =]

Agora, no dia 7, o Sid avisa, de novo: "necropsia é o mesmo que autópsia… não é feita em doentes mas em mortos"
Comentário aceito.

Me pergunto o que é que ele tem que eu não tenho - além do suingue de Henri Salvador, possivelmente.

Ou não.

Postei isso lá, mas o Caê não vai publicar.

Beat disse: (Aguardando moderação.)
Setembro 4th, 2008 at 9:12 pm
Amiguinhos, sorry, mas discordo de quase tudo.

O que aconteceu foi que o Caê ficou bravo à beça e/ou à bessa com a crítica - coisa que não é bossa nova, mas é muito natural - e reagiu meio descontroladamente, dizendo que o Jotabê era semi-analfabeto ou algo assim. Um descalabro e uma puta sacanagem com um dos melhores críticos de música deste país grande e a cada dia mais estúpido.

Aí, ao ler isso no blog do nosso oceânico poeta da MPB - e péssimo cineasta, jornalista e literato -, alguém, provavelmente a Paulinha, disse: Ô, Caê, mas onde estão os erros?

E lá foi o nosso ícone quase intocável da intelligentzia nacionar colocar os pingos nos ii. Ou tentar fazer isso.

A despeito da gritante desonestidade intelectual usada na tarefa, nossa versão anti-matéria do Gil que consegue articular pensamentos um pouco mais inteligíveis pensa ter provado que não falou besteira.

Pfiu.

Vejamos:

1) As vírgulas que separam “ao vivo” na frase citada fazem da expressão um aposto explicativo. A intenção foi, nitidamente, enfatizar a contraposição entre o que rolava na tela e o que ocorria no palco. Portanto, vírgula aceita. Jotabê 1 x 0 Caetano.

2) Imagem vítrea: poxa, um poetaço da MPB, que se dá liberdades como a de rimar disse com azeviche, não deixa passar uma imagem vítrea? C’mon, Caê…

3 )A indicação de erro na preposição “para” em “…fizeram tudo para Tom Jobim..”, em vez de “por” não é digna de comentário.

4) Redundâncias são tão bem-vindas para expressar críticas quanto o são para reforçar elogios. E o “grandeza das versões” foi, com certeza, uma ironia, Caê! Você bem sabe.

5) A crítica ao uso de solenidade e paródia, supostamente como elementos contrapostos, não comento também. É muita canalhice dizer que não compreendeu.

6) As acusações de imprecisão no caso de “aboleraram” e “barroquismo” não me dizem respeito. Não entendo de música tanto quanto Caetano E JOTABÊ.

7) Dizer que “naftalínico” é um “horrendo neologismo” é coisa de acadêmico chato, careta, quadrado. Pensei que Caetano fosse artista.

8) “Imutável” é, claro, algo que não muda. Mas que não se isenta de terminar. Já “ad infinitum”… Folks, claro que Caê entendeu.

9) A queixa quanto ao comentário irônico sobre o chapéu do tal Daniel foi justa. O jornalista pensa o que quiser, uai.

10) “Lustro tedioso” me parece tão boa imagem literária quanto, hm, digamos, “irremediável neón”.

11) Faço uma concessão ao “discorrida”. Mas a referência ao Duque de Caxias foi uma sacanagem engraçada do jornalista. Tá na cara!

12) “Um dos momentos é quando…”, também salta aos olhos, é uma chacota do jornalista. Claro que o que ele quis dizer foi “…Um dos momentos grandiosos do show é quando…”, só que com ironia.

13) Quanto ao affair Roberto e Dolores, não meto a colher. Mas acho que o jornalista, na condição de crítico, disse o que pensava, simplesmente.

14) Como um poeta do calibre do Caê – bom, é o que dizem por aí, né? - não compreende a óbvia profundidade (puxa, desculpem, mas eu também sou dado a imagens literárias) de “sugeriam alguma esquizofrenia aos ouvidos”?

15) Ah, cansei.

Conheço Vitória de Santo Antão (é aqui perto). Achei que lá só tinha a Pitu e exportação de cachaça. Mas pensando melhor, é o melhor lugar para um velhinho positivista manter suas crenças. Tem combustível melhor que cana?
Até mais.

Rita (e todos, que isso aqui tá virando um papinho de duas): chega a ser constrangedor a criatura desfiar os erros do texto alheio, e, pior, ir dando desculpas dos seus. O fim dos tempos: fazer isso depois dos 30.

Letícia,
Tem as correções, também. O roto falando do rasgado. Ao ler o post lembrei de de meus sobrinhos, quando pouco sabiam falar. Uma disse, ao ver uma mosca: um tuquito!" E o mais velho, todo metido: "não é tuquito. É mota!" Um movimento dos sem dicionário ninguém organiza,né?

Ah, mas o post sobre lingüística tá bem legalzinho. Até comentei lá. ;-)

Tinha observado isso também, Rita! Que chique, não? Fosse um do povo diria que foi... erro de digitação.
De qualquer modo, nunca vi baixar a Dalva e a criatura dizer "Errei, sim", e só.

Ruy,
Ter blog está ficando cada vez mais indefensável. Até o Caetano tem um. Eu já li muita coisa chata na minha vida - na ECA, eu li até texto do Baudrillard -, mas poucas coisas foram tão enfadonhas quanto esse post sobre a crítica do Jotabê Medeiros. Ele quis ser engraçado, e foi só muito chato - aliás, nada mais apropriado para ilustrar a marcha inexorável da chatice de que você fala no post abaixo do que o blog do Caetano
Um abraço,
Marcos

"Desarmado em matéria de ortografia" é demais. Eu quero é ir embora. Eu quero é dar o fora. Beijo, Ruy.

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