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outubro 31, 2008
Mr. Guavaman's Jukebox
Em homenagem à "Bienal do Vazio" -com vê maiúsculo, para acentuar o caráter metafísico da coisa-, ao branco conceitual radiante e a toda essa gente que fez fama e fortuna reprisando as pegadinhas do Duchamp, a jukebox de hoje traz Jards Macalé cantando um clássico de Moreira da Silva (originalmente composto por Miguel "Pra Frente, Brasil" Gustavo), "O Conto do Pintor". Atualíssimo, como vocês ouvirão. Bom fim de semana.
Posted by Ruy Goiaba at 02:30 PM | Comments (2)
outubro 30, 2008
Ma jeunesse fout le camp
Salut. Continuam vindo aqui? Eu não tenho nada a dizer nem vontade de escrever -só de ficar ouvindo a chuva. Mas, para que isto não fique muito abandonado, deixo uma Françoise Hardy com vocês; se alguém quiser cantar junto, é só clicar no linque "continue reading", ali no pé. Bonsoir.
Ma jeunesse fout le camp tout au long d'un poème
Et d'une rime à l'autre elle va, bras ballants
Ma jeunesse fout le camp à la morte fontaine
Et les coupeurs d'osier moissonnent mes vingt ans
Nous n'irons plus au bois, la chanson du poète
Le refrain de deux sous, les vers de mirliton
Qu'on chantait en rêvant aux garçons de la fête
J'en oublie jusqu'au nom, j'en oublie jusqu'au nom
Nous n'irons plus au bois chercher la violette
La pluie tombe aujourd'hui qui efface nos pas
Les enfants ont pourtant des chansons plein la tête
Mais je ne les sais pas, mais je ne les sais pas
Ma jeunesse fout le camp sur un air de guitare
Elle sort de moi-même, en silence, à pas lents
Ma jeunesse fout le camp; elle a rompu l'amarre
Elle a dans ses cheveux les fleurs de mes vingt ans
Nous n'irons plus au bois, voici venir l'automne
J'attendrai le printemps en effeuillant l'ennui
Il ne reviendra plus et si mon coeur frissonne
C'est que descend la nuit, c'est que descend la nuit
Nous n'irons plus au bois, nous n'irons plus ensemble
Ma jeunesse fout le camp au rythme de tes pas
Si tu savais pourtant comme elle te ressemble
Mais tu ne le sais pas, mais tu ne le sais pas
Posted by Ruy Goiaba at 01:35 AM | Comments (5)
outubro 24, 2008
Mr. Guavaman's Jukebox
Desta vez não é uma música só, são várias -graças a esta moça, eu me meti no Blip.fm, que acaba sendo mais parecido com uma jukebox de verdade. Cliquem aqui para ouvir minha rádio -hope you enjoy. Bom fim de semana.
Posted by Ruy Goiaba at 02:22 PM | Comments (3)
outubro 21, 2008
As guria tão tri a fim
Leio que Menstruação Buarque de Holanda, o Chico, parou de dar em Budapeste, foi dar em Porto Alegre e gravou um depoimento de apoio à candidata do PT à prefeitura. Além de ser um expediente que costuma não funcionar, no caso da capital gaúcha, há um algo mais: qual forasteiro, ainda mais carioca e fanho, conseguiria ombrear com Kleiton & Kledir? O Fogaça, candidato à reeleição, pode ser uma bosta de prefeito (não sei se o é), mas já garantiu sua imortalidade como personagem de letra da dupla -e, vejam bem, não é qualquer letra: é aquela que contém o verso mais genial da emepebê nos últimos 40 anos, "coisas de magia, sei lá". (Se bem que eu sempre fico em dúvida entre esse e o clássico "o amor é uma coisa mais profunda que uma transa sensual", do Belchior; páreo duro indeed.)
Posted by Ruy Goiaba at 03:45 PM | Comments (14)
outubro 20, 2008
Microantologia goiabal
Rainer Maria Rilke (1875-1926)
Entre os martelos persiste
nosso coração, assim como a língua,
entre os dentes, continua a louvar,
malgrado tudo.
(Trechinho da nona das "Elegias de Duíno", de 1922. A tradução é do José Paulo Paes.)
Posted by Ruy Goiaba at 03:13 PM | Comments (2)
outubro 17, 2008
Mr. Guavaman's Jukebox
Tenho a impressão de ter visto em algum lugar do noticiário on-line -embora minha memória ande cada vez menos confiável- um texto sobre a comemoração dos 50 anos do "Kind of Blue", considerado por boa parte da crítica o melhor álbum do Miles Davis. Se foi isso mesmo, estava errado, porque o disco é de 1959; mas celebrar seus 49 anos também é um ótimo pretexto para a minha jukebox. Clicando no player, vocês ouvem o "dream team" que Miles reuniu para essa gravação (além dele mesmo no trompete, John Coltrane no sax tenor, Cannonball Adderley no sax alto, Bill Evans no piano, Paul Chambers no baixo e Jimmy Cobb na bateria) tocando a faixa final do álbum, os nove minutos e meio de "Flamenco Sketches". Bom finde.
Posted by Ruy Goiaba at 01:51 PM | Comments (6)
outubro 16, 2008
Suspensão da descrença
Se houvesse uma Olimpíada dessa modalidade inventada pelo Coleridge, meu candidato à medalha de ouro seria este telefilme ruim que passou hoje de madrugada na Grobo. O problema nem é, necessariamente, ser ruim -todo mundo sabe que há vários good bad movies por aí. Mas -good golly, miss Molly!- escalar um ator de 1,91 m para interpretar o Little Richard é o que eu chamo de exigir demais da boa vontade do espectador.
Posted by Ruy Goiaba at 04:50 PM | Comments (2)
outubro 15, 2008
As palavras mais feias da língua portuguesa
Estagflação, s.f.: a) Mistura de estagnação econômica com inflação, também conhecida como "o pior dos mundos possíveis", "shitstorm", "agora fodeu" etc. b) Etimologicamente, o que ocorre quando um poeta concretino e um economista procriam: um bebê-de-rosemary da língua.
(Vade retro!)
Posted by Ruy Goiaba at 07:00 PM | Comments (4)
outubro 14, 2008
Mercados bipolares
Na semana passada, depressão; nesta, euforia. Como ninguém cogitou bombardear com lítio os prédios das Bolsas de Valores pelo mundo? Só cocada boa (d'après Bezerra da Silva) parece não estar funcionando.
Posted by Ruy Goiaba at 10:18 AM | Comments (3)
outubro 13, 2008
Gentalha, gentalha
Então o partido que se notabilizou pela "defesa das minorias" resolveu agora ser homofóbico -e da maneira mais escrota e covarde possível, via insinuação maldosa (a diferença entre blogues de humor e propaganda eleitoral, paga por nós, em cadeia de rádio e TV deveria ser óbvia o suficiente para que eu não precisasse desenhar, mas levo em conta os eventuais problemas de conexão entre o Tico e o Teco de quem me lê). Enfim, típico: é a mesma legenda que passou 25 anos clamando por ética na política e mudou o discurso para "só fizemos o que todo mundo faz". Espero que as bichas e sapatas percebam o quanto foram usadas como stepping stone por essa gente vagabunda -e que se importem com isso.
(Possíveis "próximos capítulos" da campanha: "É casado? Tem filhos? Pisa na chapinha? Joga água fora da bacia? Dá ré no quibe?" Coisa linda indeed.)
Posted by Ruy Goiaba at 02:40 PM | Comments (19)
outubro 10, 2008
Mr. Guavaman's Jukebox
Roy Head é uma espécie de one-hit wonder dos anos 60, mas o único sucesso dele é um "soul de branco" dos melhores já gravados: "Treat Her Right". É pena que, sem conseguir outros hits, ele tenha se voltado para o country a partir da década de 70 e abandonado as tentativas de ser um James Brown com baixos teores de melanina. Clicando no player, vocês ouvem a música em questão, regravada numa versão mais sem-graça pelos Commitments (a banda do filme do Alan Parker); clicando no linque que está logo abaixo do player, há um vídeo do próprio Roy Head strutting his stuff no programa "Shindig!", em 1965. Bom fim de semana.
Posted by Ruy Goiaba at 03:39 PM | Comments (1)
outubro 09, 2008
Sobre a débâcle final do capitalismo
OK, acredito estar preparado para o retorno triunfal do escambo. Mas só ficarei satisfeito quando forem tomadas medidas realmente drásticas -ou seja, quando a Grobo ligar o foda-se para o Brasileirão e escalar o Galvão Bueno para narrar o "derretimento dos mercados". Haaaja coração, amigo.
Posted by Ruy Goiaba at 08:50 PM | Comments (2)
outubro 08, 2008
Prefeito beesha é tendência, bee
É o que depreendo da leitura das últimas pesquisas. Nada surpreendente. Mais uma moda do Primeiro Mundo importada, comme d'habitude, com algum atraso (Paris, por exemplo, elege já faz tempo prefeitos que sentam na baguete). Eu, se fosse a Martona, começava a colar velcro já. Não há tempo a perder -e não basta ser "simpatizante", é preciso participar.
(Aliás, Dilmão também precisa ter sua candidatura alavancada. Hummm.)
Posted by Ruy Goiaba at 11:29 PM | Comments (8)
outubro 03, 2008
Mr. Guavaman's Jukebox
"The Long Black Veil", às vezes grafada sem o artigo, é uma daquelas músicas que parecem existir desde sempre; embora soe "tradicional", foi escrita no fim da década de 50 pelos compositores country Danny Dill e Marijohn Wilkin. A letra conta a história de um sujeito injustamente acusado de assassinato que se recusa a usar o álibi que o livraria da forca -na hora do crime, ele estava in the arms of his best friend's wife. A canção virou uma espécie de standard, com inúmeras versões: as mais conhecidas de que me lembro são de The Band (no seu primeiro álbum, "Music from Big Pink", de 1968), do Johnny Cash (naquele disco ao vivo "At Folsom Prison", também de 1968) e de Nick Cave and the Bad Seeds (no álbum "Kicking Against the Pricks" , de 1986 -dessas três, é a que menos aprecio).
Mas a versão da jukebox de hoje não é nenhuma dessas. Clicando aí embaixo, vocês podem ouvir "The Long Black Veil" com os Chieftains, talvez o maior grupo de música tradicional irlandesa. O vocal é de um tal Mick Jagger, que, segundo dizem, canta numa banda meio obscura aí.
Hope you enjoy. Bom fim de semana.
Posted by Ruy Goiaba at 01:47 PM | Comments (5)
outubro 02, 2008
Em cima da perna
Dizem que o jornalismo é o "registro taquigráfico da história". Isso explica porque você pega um jornal, vê todos aqueles sinaizinhos, garranchos e borrões e não entende porra nenhuma. Aliás, quem escreveu também não -com a possível exceção de algo como "comprar Cafiaspirina urgente".
Posted by Ruy Goiaba at 01:50 PM | Comments (1)