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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Tchau

O puragoiaba completa sete anos hoje. E encerra suas atividades hoje.

Já falei algumas vezes em aposentadoria aqui. Esse dia chegou, pelo menos no que diz respeito ao personagem Ruy Goiaba. Sete anos de postar (concretinismo camoniano: pastor/postar) cansam, são mais do que suficientes para overstay anyone’s welcome. É claro que valeu a pena: fiz amigos, fiz desafetos (em quantidade muito menor, quero crer), participei de dois portais bem bacanas, lancei livro, escrevi para revistas as mais variadas, diverti meus três -talvez quatro- leitores, irritei alguns idiotas, errei e acertei a mão, recebi comentários não raro melhores que meus textos, fui bem entendido, mal entendido, meti-me em brigas erradas e brigas certas. Sobretudo, cumpri o único propósito que eu tinha ao começar a batucar estes posts em novembro de 2001, que era me divertir. Mas até a diversão cansa. Como dizia o velho Dondinho, a gente tem de saber a hora de parar, senão não há Vitasay que dê jeito, entende? E, como dizia Noël Coward, the thrill has gone, to linger on would spoil it anyhow.

Pronto, já escrevi demais. Quero dizer só mais umas coisas: apesar de tudo, não pensem que vocês se livrarão de mim tão fácil. Devo voltar a escrever, como “eu mesmo”, em outro lugar, ainda por abrir -os três ou quatro supracitados fiéis serão avisados. O fantasma do Ruy ainda deve circular por aí, em sites como o Blip.fm e publicações como a “Dicta & Contradicta”, para puxar a perna dos viventes à noite; o puragoiaba ficará por aqui, como um museu de posts ao qual virei para tirar o pó de vez em quando. E, como isto se tornou um “blogue musical” nos últimos tempos, deixo vocês com duas canções de despedida: “Adeus, Batucada”, com a Carmen Miranda, e “The Party’s Over Now”, de onde tirei a citação do Noël Coward acima. Comportem-se, meninas e meninos: boa noite, boa sorte.

(Ah, muito prazer -Rogério.)

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Na mão correta da história

Diante do feito histórico da eleição de Barack Obama lá nos Euá, o Brasil não pode ficar para trás: precisa ter a coragem de assumir o papel de vanguarda que lhe cabe no concerto das nações. Como sempre, medalha de ouro não dá mais, mas quem sabe ainda dê para beliscar uma prata. Para isso, venho muito modestamente propor que os partidos do Bananão, esquerda e direita, governo e oposição, deixem de lado suas picuinhas e cerrem fileiras com o único homem capaz de unificar gregos e baianos:

Photobucket

Dadá Maravilha, alegria das multidões, será o único presidente capaz de, como o helicóptero e o beija-flor, parar no ar. Legítimo criador e disseminador do dadaísmo, ele sabe que não existe gol feio, feio mesmo é não fazer gol -e, mais importante, sabe que o amor é lindo. Em verdade vos digo: está mais que na hora de colocarmos Dadá no Planalto. Quem sabe em 2010 tenhamos, enfim, solucionática para as nossas problemáticas.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Mr. Guavaman’s Jukebox

Em homenagem à “Bienal do Vazio” -com vê maiúsculo, para acentuar o caráter metafísico da coisa-, ao branco conceitual radiante e a toda essa gente que fez fama e fortuna reprisando as pegadinhas do Duchamp, a jukebox de hoje traz Jards Macalé cantando um clássico de Moreira da Silva (originalmente composto por Miguel “Pra Frente, Brasil” Gustavo), “O Conto do Pintor”. Atualíssimo, como vocês ouvirão. Bom fim de semana.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Ma jeunesse fout le camp

Salut. Continuam vindo aqui? Eu não tenho nada a dizer nem vontade de escrever -só de ficar ouvindo a chuva. Mas, para que isto não fique muito abandonado, deixo uma Françoise Hardy com vocês; se alguém quiser cantar junto, é só clicar no linque “continue reading”, ali no pé. Bonsoir.


FRANCOISE HARDY – MA JEUNESSE FOUT LE CAMP
Enviado por noriko75

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Mr. Guavaman’s Jukebox

Desta vez não é uma música só, são várias -graças a esta moça, eu me meti no Blip.fm, que acaba sendo mais parecido com uma jukebox de verdade. Cliquem aqui para ouvir minha rádio -hope you enjoy. Bom fim de semana.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

As guria tão tri a fim

Leio que Menstruação Buarque de Holanda, o Chico, parou de dar em Budapeste, foi dar em Porto Alegre e gravou um depoimento de apoio à candidata do PT à prefeitura. Além de ser um expediente que costuma não funcionar, no caso da capital gaúcha, há um algo mais: qual forasteiro, ainda mais carioca e fanho, conseguiria ombrear com Kleiton & Kledir? O Fogaça, candidato à reeleição, pode ser uma bosta de prefeito (não sei se o é), mas já garantiu sua imortalidade como personagem de letra da dupla -e, vejam bem, não é qualquer letra: é aquela que contém o verso mais genial da emepebê nos últimos 40 anos, “coisas de magia, sei lá”. (Se bem que eu sempre fico em dúvida entre esse e o clássico “o amor é uma coisa mais profunda que uma transa sensual”, do Belchior; páreo duro indeed.)

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Microantologia goiabal

Rainer Maria Rilke (1875-1926)

Entre os martelos persistenosso coração, assim como a língua,entre os dentes, continua a louvar,malgrado tudo.

(Trechinho da nona das “Elegias de Duíno”, de 1922. A tradução é do José Paulo Paes.)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Mr. Guavaman’s Jukebox

Tenho a impressão de ter visto em algum lugar do noticiário on-line -embora minha memória ande cada vez menos confiável- um texto sobre a comemoração dos 50 anos do “Kind of Blue”, considerado por boa parte da crítica o melhor álbum do Miles Davis. Se foi isso mesmo, estava errado, porque o disco é de 1959; mas celebrar seus 49 anos também é um ótimo pretexto para a minha jukebox. Clicando no player, vocês ouvem o “dream team” que Miles reuniu para essa gravação (além dele mesmo no trompete, John Coltrane no sax tenor, Cannonball Adderley no sax alto, Bill Evans no piano, Paul Chambers no baixo e Jimmy Cobb na bateria) tocando a faixa final do álbum, os nove minutos e meio de “Flamenco Sketches”. Bom finde.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Suspensão da descrença

Se houvesse uma Olimpíada dessa modalidade inventada pelo Coleridge, meu candidato à medalha de ouro seria este telefilme ruim que passou hoje de madrugada na Grobo. O problema nem é, necessariamente, ser ruim -todo mundo sabe que há vários good bad movies por aí. Mas -good golly, miss Molly!- escalar um ator de 1,91 m para interpretar o Little Richard é o que eu chamo de exigir demais da boa vontade do espectador.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

As palavras mais feias da língua portuguesa

Estagflação, s.f.: a) Mistura de estagnação econômica com inflação, também conhecida como “o pior dos mundos possíveis”, “shitstorm“, “agora fodeu” etc. b) Etimologicamente, o que ocorre quando um poeta concretino e um economista procriam: um bebê-de-rosemary da língua.

(Vade retro!)