14 de outubro de 2008

Mercados bipolares

Na semana passada, depressão; nesta, euforia. Como ninguém cogitou bombardear com lítio os prédios das Bolsas de Valores pelo mundo? Só cocada boa (d’après Bezerra da Silva) parece não estar funcionando.

13 de outubro de 2008

Gentalha, gentalha

Então o partido que se notabilizou pela “defesa das minorias” resolveu agora ser homofóbico -e da maneira mais escrota e covarde possível, via insinuação maldosa (a diferença entre blogues de humor e propaganda eleitoral, paga por nós, em cadeia de rádio e TV deveria ser óbvia o suficiente para que eu não precisasse desenhar, mas levo em conta os eventuais problemas de conexão entre o Tico e o Teco de quem me lê). Enfim, típico: é a mesma legenda que passou 25 anos clamando por ética na política e mudou o discurso para “só fizemos o que todo mundo faz”. Espero que as bichas e sapatas percebam o quanto foram usadas como stepping stone por essa gente vagabunda -e que se importem com isso.

(Possíveis “próximos capítulos” da campanha: “É casado? Tem filhos? Pisa na chapinha? Joga água fora da bacia? Dá ré no quibe?” Coisa linda indeed.)

10 de outubro de 2008

Mr. Guavaman’s Jukebox

Roy Head é uma espécie de one-hit wonder dos anos 60, mas o único sucesso dele é um “soul de branco” dos melhores já gravados: “Treat Her Right”. É pena que, sem conseguir outros hits, ele tenha se voltado para o country a partir da década de 70 e abandonado as tentativas de ser um James Brown com baixos teores de melanina. Clicando no player, vocês ouvem a música em questão, regravada numa versão mais sem-graça pelos Commitments (a banda do filme do Alan Parker); clicando no linque que está logo abaixo do player, há um vídeo do próprio Roy Head strutting his stuff no programa “Shindig!”, em 1965. Bom fim de semana.

9 de outubro de 2008

Sobre a débâcle final do capitalismo

OK, acredito estar preparado para o retorno triunfal do escambo. Mas só ficarei satisfeito quando forem tomadas medidas realmente drásticas -ou seja, quando a Grobo ligar o foda-se para o Brasileirão e escalar o Galvão Bueno para narrar o “derretimento dos mercados”. Haaaja coração, amigo.

8 de outubro de 2008

Prefeito beesha é tendência, bee

É o que depreendo da leitura das últimas pesquisas. Nada surpreendente. Mais uma moda do Primeiro Mundo importada, comme d’habitude, com algum atraso (Paris, por exemplo, elege já faz tempo prefeitos que sentam na baguete). Eu, se fosse a Martona, começava a colar velcro já. Não há tempo a perder -e não basta ser “simpatizante”, é preciso participar.

(Aliás, Dilmão também precisa ter sua candidatura alavancada. Hummm.)

3 de outubro de 2008

Mr. Guavaman’s Jukebox

“The Long Black Veil”, às vezes grafada sem o artigo, é uma daquelas músicas que parecem existir desde sempre; embora soe “tradicional”, foi escrita no fim da década de 50 pelos compositores country Danny Dill e Marijohn Wilkin. A letra conta a história de um sujeito injustamente acusado de assassinato que se recusa a usar o álibi que o livraria da forca -na hora do crime, ele estava in the arms of his best friend’s wife. A canção virou uma espécie de standard, com inúmeras versões: as mais conhecidas de que me lembro são de The Band (no seu primeiro álbum, “Music from Big Pink”, de 1968), do Johnny Cash (naquele disco ao vivo “At Folsom Prison”, também de 1968) e de Nick Cave and the Bad Seeds (no álbum “Kicking Against the Pricks” , de 1986 -dessas três, é a que menos aprecio).

Mas a versão da jukebox de hoje não é nenhuma dessas. Clicando aí embaixo, vocês podem ouvir “The Long Black Veil” com os Chieftains, talvez o maior grupo de música tradicional irlandesa. O vocal é de um tal Mick Jagger, que, segundo dizem, canta numa banda meio obscura aí.

Hope you enjoy. Bom fim de semana.

2 de outubro de 2008

Em cima da perna

Dizem que o jornalismo é o “registro taquigráfico da história”. Isso explica porque você pega um jornal, vê todos aqueles sinaizinhos, garranchos e borrões e não entende porra nenhuma. Aliás, quem escreveu também não -com a possível exceção de algo como “comprar Cafiaspirina urgente”.

30 de setembro de 2008

Tudo tem limite

Confesso aqui (e me penitencio por) minha falta de sensibilidade ecológica. As constantes notícias sobre a alta do desmatamento na Amazônia não me comoviam. Mas nunca é tarde demais para cair em si. Se, conforme estão especulando, a devastação atingiu até a hiléia amazônica da Cláudia Ohana (extreme makeover?), a situação é gravíssima. Sendo esse o caso, espero que o companheiro Minc tome providências. Mas alguma coisa -talvez os coletinhos- me diz que o ministro alegará não ser área de sua competência.

29 de setembro de 2008

Pequena antologia goiabal

Salvatore Quasimodo (1901-1968)

Ognuno sta solo sul cuor della terratrafitto da um raggio di sole:ed è súbito sera.

(“Ed È Subito Sera” -”E De Repente É Noite”-, de 1942. Clicando no linque abaixo, vocês podem ler a tradução do Geraldo Holanda Cavalcanti.)

26 de setembro de 2008

Mr. Guavaman’s Jukebox

Para contrabalançar um pouco esse Hardy Har Har aqui ao lado, resolvi botar um sambão, com trombone e coro feminino. Hoje é o clássico minimalista “Eu Quero Essa Mulher Assim Mesmo”, de e com Monsueto Menezes (1924-1973), que o filho da dona Canô regravou numa versão “jazz-rock” -e não ficou ruim, não, principalmente graças à guitarra do Lanny Gordin. Clicando no player aí embaixo, vocês ouvem o original.

Bom fim de semana.